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terça-feira, 11 de novembro de 2008

O Advogado do Terror


L'Avocat de la Terreur *
(2007) 131 min (12 anos)

Documentário sobre a carreira de Jacques Vergès (1925- ), o controvertido advogado francês que defendeu nazistas, ditadores e terroristas. Entre seus clientes contam-se membros do Khmer Rouge, Klaus Barbie e Carlos, o Chacal. Perguntado se defenderia Hitler, Vergés responde ironicamente que defenderia até Bush, se ele se declarasse culpado. O filme se inicia numa paisagem tranqüíla e idílica na Ásia. Nada mais distante do que vamos testemunhar a seguir, acompanhando a vida do "defensor dos indefensáveis."

Abaixo comentário de Carlos Alberto Mattos sobre o filme de Barbet Scroeder: http://oglobo.globo.com/blogs/docblog/post.asp?cod_post=109032
"A carreira de Jacques Vergès não é matéria para um documentário, mas para uma série. O advogado de Milosevic, de Roger Garaudy (que negou a existência do Holocausto), de diversos ditadores africanos, serial killers e terroristas internacionais é um ponto onde se cruzam inúmeras histórias candentes da política mundial nos últimos 50 anos. Em O Advogado do Terror, Barbet Schroeder faz o que pode para dar uma idéia aproximada desse super-personagem.

Para começar, concentra sua abordagem em três grandes casos. O primeiro definiria parte de seu destino pessoal e forneceria uma prerrogativa ideológica para tudo o que viria depois. Ainda jovem advogado em Paris, na década de 1950, Vergès foi chamado a Argel para defender heróis da resistência e se apaixonou por Djamila Bouhired, especializada em atentados a bomba. A luta anticolonialista, mediante raciocínios não pouco tortuosos, justificaria as futuras posições de Vergès em defesa não só de combatentes palestinos como de guerrilheiros do Baader-Meinhof. Ele próprio chegou a figurar numa lista de morte do serviço secreto francês.

O segundo grande caso coberto pelo filme é o da defesa de Klaus Barbie, o “carniceiro de Lyon”, quando Vergès canalizou seu ressentimento contra a França colonialista. Conseguiu mudar o cenário do julgamento, mas não livrou Barbie da prisão perpétua (estranhamente, o filme não menciona esse desfecho, talvez por considerá-lo sobejamente conhecido). Por fim, num dos mais melodramáticos de seus envolvimentos afetivos com os clientes, ele tornou-se amigo íntimo dos terroristas Carlos, o Chacal, e Magdalena Kopp, casados entre si.

Mesmo atendo-se a esses episódios, o doc vencedor do César de 2007 traz uma pletora de informações e conexões que exige atenção redobrada do espectador. O risco é de se perder dados preciosos – e espantosos – como a parceria entre ex-líderes nazistas e guerrilheiros do Oriente Médio.

Existe na França uma versão em DVD com quatro horas de duração. Em boa parte dos 135 minutos dessa versão de cinema, O Advogado do Terror investiga um misterioso desaparecimento de Vergès entre 1970 e 78. Considerando suas relações com governos que iam da Alemanha Oriental à China maoísta e ao Camboja de Pol Pot, não é de todo improvável que ele pudesse estar dando consultoria jurídica em Marte, o planeta vermelho.

Schroeder não economiza meios para chegar até onde a informação está. Filma numa cabana na selva cambojana, no gabinete de um político no Líbano e no endereço secreto de Hans-Joachim Klein (terrorista arrependido e ex-motorista de Sartre). Grava um telefonema com Carlos na prisão. Entrevista Yacef Saadi, herói da independência argelina (inspirador e protagonista de A Batalha de Argel) e uma constelação de famosos clientes e amigos de Vergès. Só não logrou penetrar na redoma em que se pôs Djamila Bouhired.

Nesse dossiê caudaloso e absorvente, o caráter de Jacques Vergès permanece como encoberto por um véu. Às perguntas mais indesejadas ele responde com um monossílabo arrematado por uma baforada do charuto e um curto sorriso astucioso que não anima ninguém a prosseguir no assunto. Mas de tudo o que diz não é difícil extrair seu lema. Vergès gosta de defender o indefensável. O Direito tem sido sua tribuna para uma ação que mistura paixão política e vaidade pessoal. Recentemente, ofereceu-se para representar Saddam Hussein (mas foi recusado) e no momento defende Khieu Samphan, alto oficial do Khmer Vermelho (os dois juntos na foto à esquerda, de Stéphanie Giry). “Eu defenderia até Bush, desde que ele assumisse sua culpa”, diz a certa altura do filme.

É um acréscimo e tanto para a galeria de personagens documentais de Barbet Schroeder. Ele já apontou suas câmeras para Charles Bukowski, Idi Amin Dada e Koko, um gorila que aprendeu a compreender inglês (os dois últimos filmes foram editados em DVD no Brasil). Jacques Vergès talvez seja o mais interessante, embora também, num certo sentido, o mais opaco. Schroeder faz seu perfil à revelia de julgamentos morais ou ideológicos. Lança um olhar seco, inteligente e impassível, um pouco como o olhar de Vergès em suas tribunas."

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