Lista de sugestões de filmes interessantes. Dicas de DVDs e Blu-rays novos e antigos encontrados nas locadoras brasileiras. Cada postagem traz foto da capa, breve sinopse, censura, diretor, distribuidora, elenco, responsáveis pelo roteiro, musica e fotografia. Com o eterno deslumbramento de fã apaixonada, By Star Filmes acredita que o cinema emociona, ensina e é a melhor diversão.

domingo, 27 de julho de 2014

Sem Escalas

Non-Stop *
(2014) 106 min (14 anos)

EUA - Um "Federal Air Marshal" é treinado para detectar, deter e derrotar atos hostis que ameacem a segurança dos Estados Unidos. Bill Marks era um policial eficiente, mas perdeu a filha de oito anos para a leucemia, sua mulher o abandonou e ele tornou-se alcoólatra. Foi transferido da força policial para a Administração de Segurança nos Transportes, onde trabalha como agente. Mas Bill bebe antes de embarcar, tem medo na hora da decolagem e fuma escondido no banheiro, depois de vedar as saídas de ventilação com fita prateada. 

Durante um voo de Nova Iorque a Londres da British Aquatlantic, Bill recebe mensagens de texto exigindo a transferência de 150 milhões de dólares da companhia aérea para uma conta numerada. Enquanto o dinheiro não for transferido, morrerá um passageiro a cada 20 minutos. Rastreando a conta numerada, descobre-se que está em nome de Bill. Gradualmente desacreditado frente a seus superiores, aos passageiros, ao público que assiste os telejornais e nós espectadores (ele fuma escondido no avião!), Bill precisa provar que há um terrorista a bordo e que o criminoso não é ele mesmo.

Há algumas críticas severas ao filme em sites especializados, e concordo que a rápida explicação sobre a motivação do culpado não me convenceu, mas o que sei é que não pisquei olho enquanto a situação não chegou ao fim. Haja adrenalina! Não consultei o relógio sequer uma vez, ficando com a impressão de que se passaram menos de 15 minutos entre o início e a última cena. Isso é mais do que posso dizer da maioria dos filmes que assisto. Além da presença de Liam Neeson, "Sem Escalas" traz Julianne Moore como passageira e duas comissárias de bordo de respeito: Lupita Nyong'o (12 Anos de Escravidão) e Michele Dockery, a Lady Mary de "Downton Abbey"

Curiosidades: (imdb)
* Liam Neeson é frequentemente escalado como agente americano ou soldado, mas esse é um dos raros filmes em que seu sotaque irlandês, que ele usa sempre, é mencionado e explicado.

* Durante a gravação da cena final, Neeson sofreu um derrame, mas ele não saiu do personagem. O diretor Jaume Collet-Seurra revelou isto numa entrevista a um programa Catalão sobre cinema.

Diretor: Jaume Collet-Serra
Roteiro: John W. Richardson, Christopher Roach, Ryan Engle
Musica: John Ottman
Fotografia: Flavio Martinez Labiano
Designer de Produção: Alec Hammond
Diretor de Arte: David Swayze
Elenco: Liam Neeson, Julianne Moore, Lupita Nyong'o, Michelle Dockery, Scoot McNairy, Nate Parker, Corey Stoll, Omar Metwally
Distribuidora: Paris Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

sábado, 26 de julho de 2014

A Musica Nunca Parou

The Music Never Stopped *
(2011) 105 min (10 anos)

EUA - Henry e Helen Sawyer tiveram um único filho a quem criaram com todo amor. Desde pequeno, Gabriel era estimulado a reconhecer as músicas favoritas do pai e ouvir histórias sobre o momento em que Henry as escutara pela primeira vez. Quando tocava uma canção no rádio, o menino devia adivinhar o nome, data de lançamento e quem era compositor. Era uma das brincadeiras favoritas dos dois. Na adolescência, Gabriel desenvolveu seu próprio gosto musical e criou uma banda. Mas Henry não gostava de rock. O bom relacionamento entre eles ficou abalado quando seus objetivos começaram a divergir. Henry queria ver o filho na apresentação da universidade, enquanto Gabriel preferia assistir com os amigos um show do "Grateful Dead". Seguiu-se uma briga e o adolescente saiu de casa.

Uns vinte anos depois, Helen e Henry vão encontrar o filho num hospital. Gabriel está com barbas longas e parece um morador de rua. O médico explica que ele está com um extenso tumor no cérebro que precisa ser operado. Mesmo sendo benigno, não se podem prever as consequências do procedimento. Depois da cirurgia, pouco sobrou de sua memoria recente, mas a musica ainda mexe com ele e desperta recordações. Henry encontra uma pesquisadora que teve resultados promissores com casos semelhantes, em sessões de musicoterapia. A Dra. Dianne Dally torna-se a última esperança da família Sawyer. Para se conectar com Gabriel, Henry mergulha no repertório das bandas dos anos 60. Sua missão primordial é reconstruir o relacionamento com o filho através da música.

O desempenho de J. K Simmons como Henry e a trilha sonora maravilhosa - Bing Crosby, Paul Simon, Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan - são os grandes trunfos de "A Música Nunca Parou".

Diretor: Jim Kohlberg
Roteiro: Gwyn Lurie, Gary Marks, baseado no ensaio "The Last Hippie", do livro "An Anthropologist on Mars", de autoria do psiquiatra e neurologista Oliver Sacks.
Musica: Paul Cantelon
Fotografia: Stephen Kazmierski
Designer de Produção: Jennifer Dehghan
Diretor de Arte: Michael Ahern
Elenco: J. K. Simmons, Lou Taylor Pucci, Cara Seymour, Julia Ormond, Mía Maestro, Tammy Blanchard, Max Antisell
Distribuidora: Europa Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

Lunchbox

Dabba * *
The Lunchbox 
(2013) 104 min (12 anos)

India - Saajan é um solitário contador viúvo, prestes a se aposentar. A bela Ila é mãe de uma menina e uma esposa negligenciada, que tenta chamar a atenção do marido caprichando no preparo das refeições. No apartamento de cima habita uma senhora que Ila chama de tia. A boa mulher nunca sai de casa, pois cuida do marido inválido, que passa os dias olhando para o ventilador de teto. Pela janela da cozinha, a experiente senhora grita conselhos para a jovem esposa e desce especiarias numa cestinha. 

Ila vai experimentando, mudando os temperos, tentando novas receitas, sem nenhum reconhecimento por parte do marido. Até que um dia, o eficiente serviço de entregas troca as marmitas e a comida cheirosa e bem temperada chega à mesa de Saajan. Pela primeira vez, as tigelinhas de alumínio da quentinha voltam vazias, para alegria de Ila e sua tia. No segundo dia, o contador acrescenta um bilhete, o que dá início a uma correspondência diária que ilumina a vida dos dois. Às vezes o trem errado nos conduz à parada certa.

Que história delicada e bem contada! "Lunchbox" é um filme para ser degustado com atenção, sem pressa. Assim como evolui a comida de Ila, assistimos Saajan abrir-se para as pessoas. O homem seco, que jamais cometeu um erro no trabalho, mas não sabia viver, começa a interagir com o colega de escritorio, as crianças da vizinhança, reconhecendo aqueles que fazem parte de seu cotidiano, mas ele antes rejeitava. Uma comida saborosa tem o poder de transformar as pessoas, já nos havia ensinado "A Festa de Babette"! Preferia uma cena final mais explícita, mas nada que não possa completar com uma pitada de imaginação. O ótimo elenco atua com naturalidade e tem como protagonista Irrfan Khan, que já encontramos em "As Aventuras de Pi" e "Quem quer Ser um Milionário?".

Curiosidades:

* O Mumbai Dabbawallahs é um serviço que recolhe comida quente nas casas dos trabalhadores no final da manhã e entrega no local de trabalho, utilizando vários meios de transporte, especialmente bicicleta e trem. À tarde devolvem as embalagens nas residências.

* Em 2007, o roteirista e diretor Ritesh Batra começou uma pesquisa para um documentário sobre o Dabbawallahs. Depois de passar uma semana com os entregadores, Batra soube de muitas historias pessoais interessantes, que eles ouviam enquanto esperavam do lado de fora dos apartamentos. Daí lhe veio a ideia para fazer um filme de ficção, em vez de um documentário.

* Alguns dos "dabbawallas" que o diretor conheceu, fazem ponta no filme como entregadores. Eles receberam marmitas reais para entregar, enquanto eram filmados por uma pequena equipe, que registrou o processo num estilo de documentário.

Diretor: Ritesh Batra
Roteiro: Ritesh Batra
Musica: Max Richter
Fotografia: Michael Simmonds
Designer de Produção: Shruti Gupte
Elenco: Irrfan Khan, Nimrat Kaur, Nawazuddin Siddiqui, Lillete Dubey, Bharati Achrekar (a voz da tia)
Distribuidora: Imovision

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Farinelli - Il Castrato

Farinelli, Il Castrato
(1994) 105 min (18 anos)

Italia - Nascido Carlo Maria Michelangelo Nicola Broschi, de uma família de músicos italianos, Farinelli foi castrado no início da adolescência para preservar sua bela voz de soprano. Contemporâneo do compositor Handel, Farinelli foi o cantor de ópera mais famoso e bem pago de seu tempo. Sua voz cobria três oitavas e o desenvolvimento torácico permitia que sustentasse uma nota durante um minuto sem respirar. O filme do diretor Gérard Corbiau toma algumas liberdades com os fatos reais mas revela a importância do cantor para plateias cultas e populares da Europa. Farinelli foi uma unanimidade. 

O hábito de castrar meninos cantores começou no século XVI e durou até 1870 na Itália. Geralmente eram escolhidos os órfãos e abandonados, mas algumas famílias pobres, incapazes de sustentar os filhos, ofereciam um deles para ser castrado. Em Nápoles, algumas barbearias traziam um aviso na porta: "Qui si castrano ragazzi" ("Aqui castram-se rapazes"). A castração consistia no corte dos canais provenientes dos testículos para evitar a mudança de voz na adolescência. A que extremos se chegava pelo amor à arte! Foi publicado no "Journal of Anatomy" um breve estudo sobre os restos mortais de Carlo Broschi. Nas conclusões, os autores lembram que Farinelli era um homem bem-humorado que conservou a lucidez, além da voz bela e poderosa, até o fim de seus 78 anos. Um caso bastante interessante.

"Farinelli, il Castrato" foi indicado ao Oscar, representando a Bélgica, e ganhou o Globo de Ouro em 1995, como Melhor Filme Estrangeiro. Olga Berluti recebeu o David di Donatello pelo vestuário. O DVD pode ser alugado no Guimarães Video Clube, em Laranjeiras, Rio de Janeiro. 

Curiosidades:

* Foi preciso combinar eletronicamente vozes masculina e feminina para recriar o som da voz de Farinelli cantando. A voz masculina pertence ao contratenor Derek Lee Ragin e a feminina à mezzo-soprano polonesa Ewa Mallas-Godlewska, dois especialistas em música barroca.

* A extensão vocal de Farinelli abrangia do Lá2 até Ré6, como escreveu Johann Joachim Quantz:
“ Farinelli tem uma voz de soprano ligeiro, completa, rica, luminosa e bem trabalhada, com uma extensão que abrange desde o Lá debaixo do Dó central a Ré três oitavas acima do Dó médio… Sua entonação era pura, seus vibratos maravilhosos, seu controle sobre sua respiração era extraordinário e sua garganta muito ágil, porque cantou os intervalos mais amplos rapidamente e com a maior facilidade e firmeza. As passagens das obras e todo tipo de melismas não representaram dificuldades para ele. Na invenção das ornamentações livres nos adágios foi muito fértil."
Carlo Broschi, o Farinelli

Diretor: Gérard Corbiau
Roteiro: Andrée Corbiau & Gérard Corbiau
Musica:  Riccardo Broschi, Johann Adolf Hasse, Georg Friedrich Händel, Giovanni Battista Pergolesi, Nicola Porpora
Fotografia: Walther van den Ende
Designer de Produção: Gianni Quaranta
Vestuario: Olga Berluti, Anne de Lagaurdière
Elenco: Stephano Dionisi, Enrico Lo Verso, Elsa Zylberstein, Jeroen Krabbé, Caroline Cellier, Renaud du Peloux de Saint Romain, Marianne Basler, Jacques Boudet
Distribuidora: Top Tape

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

terça-feira, 1 de julho de 2014

Pais e Filhos

Soshite chichi ni naru * * *
Like Father, Like Son
(2013) 121 min (Livre)

pais e filhos
Japão - Obcecado pelo trabalho, o esforçado arquiteto Ryota Nonomiya vive confortavelmente num elegante apartamento de Tóquio, com a mulher Midori e o filho de 6 anos, Keita. Desejando para o menino um futuro de sucesso, Ryota exige que aprenda piano e coloca-o num cursinho que prepara para os melhores colégios particulares da cidade. Dócil, o menino faz de tudo para agradar o pai, inclusive inventar que os dois acampam e empinam pipa juntos, porque os instrutores do cursinho disseram que isso contava pontos na entrevista da escola. 

No exame físico necessário para a admissão no colégio particular, Ryota e Midori descobrem que não são os pais biológicos de Keita, pois seu sangue é incompatível com o do menino. Seu filho biológico foi trocado no berçário do Hospital de Maebashi e está sendo criado junto com as outras crianças da família Saiki, modestos comerciantes da pequena cidade. 

A primeira reação de Ryota ao ficar a sós com a esposa foi: "Agora está tudo explicado" - afinal o arquiteto não valorizava a mansidão de Keita, desejava que fosse mais competitivo. Midori sofre por antecipação diante da perspectiva de se afastar do menino que ela ama profundamente. Para Midori não existe a "força do sangue", mas a dos laços construídos. As duas famílias começam a conviver e considerar a difícil decisão de trocar as crianças, como foi sugerido pelo Hospital.

Como cada um de nós resolveria esse dilema, criar seu filho biológico ou seu filho do coração? Meu marido não teve dúvida, criaria aquele que o destino colocou sob seus cuidados. "Pais e Filhos" focaliza especialmente a situação do casal Nonomiya e a transformação por que passa o estressado Ryota, ao ser confrontado com Yudai Saiki, um pai que dedica tempo aos filhos e acredita ser essa sua missão mais importante. É uma belíssima obra do diretor Hirokazu Kore-eda, para ser vista e revista, premiada pelo Juri Ecumênico em Cannes, além ser escolhida como Melhor Filme pelas audiências dos Festivais Internacionais de San Sebastián e de São Paulo, em 2013. 

Curiosidade:
* Dreamworks Studios adquiriu os direitos de refilmagem de "Pais e Filhos" depois que o filme chamou a atenção de Steven Spielberg, em Cannes.

Diretor: Hirokazu Kore-eda (O Que Eu Mais Desejo, Ninguem Pode Saber, Depois da Vida)
Roteiro: Hirokazu Kore-eda
Musica: Shin Yasui, Takeshi Matsubara, Junichi Matsumoto, Takashi Mori
Fotografia: Mikiya Takimoto
Diretor de Produção: Keiko Mitsumatsu
Elenco: Masaharu Fukuyama (Ryota), Machiko Ono (Midori), Keita Ninommiya (Keita), Rirî Furankî (Yudai), Yôko Maki (Yukari), Shôgen Hwang (Ryusei)
Distribuidora: Imovision

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

segunda-feira, 30 de junho de 2014

12 Anos de Escravidão

12 Years a Slave * *
(2013) 134 min (14 anos)

EUA - Até 1841, Solomon Northrup foi um homem feliz. Morador de Saratoga Springs, no estado de Nova Iorque, casado com uma chef de cozinha e pai de um casal de filhos, tinha bastante trabalho como violinista. Toda essa felicidade chega ao fim no dia em que o músico aceita a oferta de dois homens para se apresentar num show circense em Washington D.C. Solomon dorme um homem livre e acorda como escravo, privado de todos os seus direitos e até do seu nome.

Enviado para Nova Orleans e apelidado de Platts, passa de um dono a outro, sendo submetido às vontades de seus proprietários, o que incluía a obrigação de tocar e dançar para distraí-los, depois de uma exaustiva jornada de trabalho no campo. Durante doze anos, Solomon sentiu na pele e na alma as crueldades de que o ser humano é capaz quando não enxerga o outro como seu igual em direitos e dignidade.

"12 Anos de Escravidão" ganhou o Oscar de Melhor Filme em 2014. É uma obra emocionante do princípio ao fim, e por isso inesquecível, trazendo belas interpretações. A estreante Lupita Nyong'o recebeu Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e o roteiro de John Ridley foi considerado a melhor adaptação de um livro para a tela em 2014.

Curiosidade:
* Para melhor retratar um alcoólatra, Michael Fassbender pediu à maquiadora que pintasse com álcool seu bigode para que os outros atores reagissem mais naturalmente ao personagem embriagado.

* A princípio Chiwetel Ejiofor recusou o papel de Solomon Northrup, mas depois percebeu que deveria superar seu temor inicial e aceitar o que poderia ser o papel de sua vida. A partir desse momento, o ator inglês mergulhou no estudo da cultura do algodão na Louisiana, além de aprender a tocar violino.

Diretor: Steve McQueen
Roteiro: John Ridley, baseado no livro de Solomon Northup
Musica: Hans Zimmer
Fotografia: Sean Bobbitt
Designer de Produção: Adam Stockhausen
Diretor de Arte: David Stein
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Benedict Cumberbatch, Paul Dano, Paul Giamatti, Brad Pitt, Lupita Nyong'o, Sarah Paulson, Alfre Woodard, Quvenzhané Wallis
Distribuidora: Disney/Buenavista

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

domingo, 29 de junho de 2014

Hobbit: A Desolação de Smaug

The Hobbit: The Desolation of Smaug * *
(2013) 161 min (12 anos)

Terra Media - Chove em Bree, nas fronteiras do condado. Um viajante entra na taberna "O Ponei Saltitante". Dentro do bar, figuras ameaçadoras observam o homem de longos cabelos escuros, sentado na mesa próxima à lareira. Percebendo seus olhares, Thorin Escudo de Carvalho procura alcançar sua espada, quando um ancião aproxima-se da mesa. "-Posso sentar com você?" - pergunta Gandalf, o Cinzento. 

As criaturas estranhas recuam e o mago aconselha Thorin a recuperar o trono de Durin. A primeira etapa a vencer será encontrar a Pedra Arken entre as moedas de ouro, cálices, ânforas, jóias e cristais em poder do dragão Smaug, que dorme sob a Montanha Solitária. Doze meses depois, Gandalf, Thorin, Bilbo Bolseiro e um grupo de anões correm de abomináveis orcs, entre montanhas cobertas de névoa. Refugiando-se na cabana de Beorn, o homem-urso, eles se preparam para começar mais uma aventura cheia de emoções e perigos horripilantes, na qual precisarão da ajuda de elfos e humanos.

Depois de ir ao cinema na semana de estreia, revi em casa duas vezes "A Desolação de Smaug". Passando pela sala, enquanto as filhas acompanhavam a jornada de Bilbo e dos anões, não conseguia resistir às imagens belas e emocionantes do filme de Peter Jackson e me sentava, assistindo até a última cena. Por que não dei nota máxima? Talvez por detestar ter que esperar um ano para assistir o final. "O Hobbit: A Desolação de Smaug" não perde o ritmo jamais e tem um de seus melhores momentos quando Benedict Cumberbatch dá voz ao perigoso Smaug, que supera em impacto qualquer outro vilão da história.

Lendo no jornal sobre o perigo que ameaça a remota terra dos ianomâmis, rica em ouro, me dei conta de que os rios ainda cristalinos e as matas virgens são mais preciosos do que qualquer metal dourado. O fotógrafo Sebastião Salgado é o nosso Gandalf, mas ele e os 1500 yanomâmis de Roraima precisam de ajuda contra os garimpeiros, mineradoras e outros Smaugs, que se organizam para dominar as riquezas sob o Pico da Neblina. Leia a reportagem no Globo.

Curiosidades
* Enquanto se preparava para dublar Smaug, Benedict Cumberbatch estudou iguanas e dragões de Komodo no Jardim Zoológico de Londres. O ator buscava um tom entre o animal e o humano, uma voz profunda, gutural, seca e rouca.

* Benedict Cumberbatch, que também faz a voz do Necromancer, sugeriu ler seu discurso de trás para diante para soar diabólico e profano.

Diretor: Peter Jackson
foto de Sebastiao Salgado
Roteiro: Fran Walsh & Philippa Boyens & Peter Jackson & Guillermo del Toro, inspirado no livro de J. R. R. Tolkien, "O Hobbit".
Musica: Howard Shore
Fotografia: Andrew Lesnie
Designer de Produção: Dan Hennah
Diretor de Arte: Simon Bright, Andy McLaren
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Orlando Bloom, Evangeline Lilly, Lee Pace, Cate Blanchett, Benedict Cumberbatch, Mikael Persbrandt, Stephen Fry, Sylvester McCoy, Manu Bennett, Lawrence Makoare
Distribuidora: Warner


*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

domingo, 22 de junho de 2014

O Moinho e a Cruz

The Mill and the Cross *
(2011) 92 min (16 anos)

Enquanto foram figurativos, os quadros costumavam contar uma história. O filme "O Moinho e a Cruz" dá vida aos personagens da pintura de Pieter Bruegel, o Velho: "The Procession to Calvary" (1564). Rutger Hauer interpreta o pintor em processo de construção de uma encomenda para o colecionador Nicholas Jonghelinck. O tema do quadro é a Paixão de Cristo, ambientada em Flandres, durante a ocupação espanhola dos Países Baixos. Em vez de romanos dominando judeus, são soldados católicos buscando suprimir a reforma protestante.

Jesus é apenas uma das inúmeras figuras no centro do quadro, enquanto sua mãe Maria aparece em primeiro plano, à direita, acompanhada por São João e duas mulheres. Os outros personagens vestem-se como camponeses flamengos do século XVI. Jonghelinck desejava que a pintura expressasse o modo pelo qual as forças espanholas estavam violando corpos e almas do povo. Pieter Bruegel, como artista, é aquele que tem o poder de congelar o tempo num instante. Depois, como antes, a vida continua, entre perseguições, danças e trabalho.

As roupas, o cenário, o uso adequado da computação gráfica, e a cuidadosa seleção de tipos físicos para composição do elenco tornam o filme uma joia a ser apreciada em seu ritmo lento e detalhada riqueza de imagens. O quadro "The Procession to Calvary" está em exibição no Kunsthistorisches Museum, em Viena, ao lado da "Torre de Babel", do mesmo pintor. "O Moinho e a Cruz" é imperdível para quem ama a arte dos grandes mestres da pintura. Para uma análise aprofundada, visite a página  da revista virtual Interartive.

Curiosidade:
* Atualmente, Flandres é a parte norte da Bélgica, onde se fala holandês.

* O filme foi gravado na Polônia, numa região chamada Jura, onde as pedras de cálcio se assemelham à paisagem pintada por Bruegel. Na Nova Zelândia, o diretor Lech Majewski filmou as nuvens, na ilha chamada pelos maoris de "Ilha da nuvem longa".

Diretor: Lech Majewski
Roteiro: Michael Francis Gibson & Lech Majewski, baseado no livro de Gibson
Musica: Józef Skrzek, Lech Majewski
Fotografia: Lech Majewski, Adam Sikora
Designer de Produção: Marcel Slawinski, Katarzyna Sobanska
Diretor de Arte: Stanislaw Porczyk
Elenco: Rutger Hauer, Charlotte Rampling, Michael York, Joanna Litwin, Dorota Lis, Bartosz Capowicz
Distribuidora: Lume Filmes


*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

sábado, 14 de junho de 2014

Trapaça

American Hustle * *
(2013) 138 min (14 anos)

EUA - O sr. Rosenfeld era dono de uma vidraçaria modesta em Nova Iorque. Para ajudar o pai nos negócios, seu filho Irving começa a quebrar as vitrines de várias lojas do bairro. Já adulto, Irving Rosenfeld perseverou nos meios ilícitos de fazer dinheiro e tornou-se proprietário de uma rede de lavanderias, ao mesmo tempo em que empreendia um ou outro negócio escuso. Experiente no ramo de passar a perna em pessoas desesperadas pelo vil metal, Irving se esmerava nos mínimos detalhes antes de atuar em seus esquemas mirabolantes. Tudo começava com uma elaborada operação de colagem de apliques para esconder a calvície no alto da cabeça.

Durante uma festa, o empresário nova-iorquino se apaixona à primeira vista pela atraente Sidney Prosser. Os dois têm muito em comum, além da paixão pelo músico Duke Ellington, e juntos começam a ganhar dinheiro ilicitamente. Seria uma bela história de amor e parceria se Irving não fosse casado com a bela e instável Rosalyn, que não hesita em chantageá-lo com a perda da guarda de Danny, seu filho único, que Irving adotou.

A vida da dupla de estelionatários se complica quando o agente do FBI Richard DiMaso ameaça processar Sidney, se o casal não colaborar na prisão de quatro criminosos de colarinho branco. Um dos primeiros candidatos a ser investigado é o popular prefeito Carmine Polito. Irving reluta, mas não tem como evitar o ambicioso esquema do agente DiMaso. Haverá um futuro feliz para o casal de apaixonados trambiqueiros?

Como é possível torcer por um sujeito tão mentiroso, além de careca e barrigudo? Talvez porque Irving fosse inteligente e capaz de nutrir bons sentimentos em relação a, pelo menos, um seleto grupo de pessoas. Quanto aos outros seres humanos, eram apenas vítimas a serem enganadas. "Trapaça" é uma história bem contada, admiravelmente encenada e interpretada. Indicado a vários prêmios, o filme levou alguns: O BAFTA de Melhor Roteiro Original, Melhor Atriz Coadjuvante (Jennifer Lawrence), Melhor Maquiagem e Penteado. E o Globo de Ouro de Melhor Comédia, Melhor Atriz Principal (Amy Adams) e melhor Atriz Coadjuvante (Jennifer Lawrence). O conjunto do elenco venceu o Screen Actors Guild Award de 2014.

Curiosidades:
* Muito do que acontece no filme "Trapaça" foi improvisado. Durante a gravação, Christian Bale comentou com David Russell: - "Isso vai alterar completamente o enredo". Ao que o diretor respondeu: - "Christian, eu detesto enredos, sou todo pelos personagens."

* Robert DeNiro não reconheceu o ator Christian Bale no set, quando este estava caracterizado como Irving Rosenfeld. Disfarçadamente perguntou ao diretor: - "Quem é esse?" Mais um ponto para a equipe de Penteado e Maquiagem.

* Christian Bale engordou mais de 18 kg para interpretar o personagem Irving Rosenfeld e adquiriu duas hérnias de disco.

* Jennifer Lawrence é apaixonda por Doritos e manchou várias roupas da produção. O departamento de figurinos fez vestidos em duplicata para que ela tivesse sempre um limpo para usar.

* O filme é levemente baseado no escândalo Abscam (abreviação de golpe Árabe), uma investigação do FBI entre as décadas de 70 e 80, que começou como tráfico de propriedade roubada e expandiu-se para incluir corrupção política. O personagem Irving Rosenfeld é vagamente inspirado na vida do vigarista condenado Melvin Weinberg, cuja história foi contada no livro "The Sting Man", de Bob Greene.

Diretor: David O. Russell
Roteiro: Eric Warren Singer, David O. Russell
Musica: Danny Elfman
Fotografia: Linus Sandgren
Designer de Produção: Judy Becker
Diretor de Arte: Jesse Rosenthal
Elenco: Christian Bale, Amy Adams, Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Jeremy Renner, Elisabeth Röhm, Paul Herman, Robert De Niro
Distribuidora: Sony Pictures

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Clube de Compras Dallas

Dallas Buyers  Club *
(2013) 117 min (16 anos)

EUA, Texas - Em 1985, o eletricista e caubói Ron Woodroof leva uma vida desregrada, pois é viciado em sexo, álcool e outras drogas menos lícitas. Perseguido por apostadores de rodeio que tinham sido enganados por ele, Ron prefere ser preso para fugir dos compromissos. No dia em que desmaia ao levar um choque elétrico, durante uma emergência no trabalho, o caubói recebe uma notícia bomba no hospital: seu sangue deu resultado soropositivo para HIV. De acordo com o médico, Ron tem mais uns 30 dias para viver. Seu estilo de vida, regado a álcool e drogas, diminui sua imunidade e piora o prognóstico. Irado com a notícia, indignado com a ideia de ter uma doença de homossexuais, Ron sufoca seus sentimentos em mais uma farra monumental.

A seguir, o caubói do Texas decide lutar por sua vida e procura se informar sobre as novidades no tratamento da doença. No hospital local há uma pesquisa incipiente com o antiviral AZT, que seria fornecido pelo laboratório para metade dos pacientes, enquanto os outros receberiam apenas um placebo - o que talvez fosse até melhor - já que o AZT provoca fortes efeitos colaterais. Primeiro Ron suborna um enfermeiro para receber o antiviral, depois, quando fica impossível conseguir a droga, ele resolve ir ao México, atrás de terapias alternativas, pois há histórias de sucesso fora dos EUA. O mais difícil é trazer os remédios para dentro do país. 

Rejeitado por seus antigos companheiros, é na comunidade gay que o caubói encontra apoio. Junto com o travesti Rayon, eles fundam o Clube de Compras Dallas, que contrabandeia proteínas, medicamentos e vitaminas para aumentar a imunidade dos soropositivos, mediante o pagamento de 400 dólares mensais. Perseguido pelo governo, comunidade médica e laboratórios, Ron resiste e luta como um leão pelos direitos dos clientes do Clube de Compras Dallas.

Ron Woodroof foi um exemplo de resiliência. Estar debilitado pela doença e ainda encontrar forças para lutar contra todos os obstáculos que o FDA (Food and Drug Administration), laboratórios e médicos colocaram no seu caminho, é coisa para poucos. Matthew McConaughey e Jared Leto também deram duro na composição dos personagens Ron e Rayon, e não foi só na dieta: Matthew perdeu 21 quilos e Jared perdeu 13. Os dois são os principais responsáveis pela força e credibilidade de "Clube de Compras Dallas". Os dois ganharam Oscars e outros prêmios pelo brilhante desempenho.

Curiosidades:
* O orçamento deste filme era tão baixo que foram designados apenas US$ 250 para o departamento de maquiagem. Surpreendentemente, os artistas conseguiram se virar com essa quantia e o "Clube de Compras Dallas" ganhou o Oscar por Maquiagem (Robin Mathews) e Penteado (Adruitha Lee).

* Jared Leto permaneceu a caráter durante toda filmagem. Chegou a sair para fazer compras vestido como travesti num "Whole Foods" local, onde recebeu os costumeiros olhares de curiosidade e desaprovação. Seu simpático personagem Rayon não existiu na vida real, ele é uma mistura de pessoas que influenciaram Ron.

* Ron Woodroof sobreviveu quase 7 anos ao sombrio diagnóstico inicial. Ele atravessou a fronteira do México mais de 300 vezes, trazendo cerca de 500.000 pílulas em seu Lincoln Continental. Ele importou peptídeo T da Dinamarca e alfa interferon do Japão.
O verdadeiro Ron em 16-5-1989

* A irmã de Ron, Sharon Braden, aprovou a escolha de Matthew McConaughey para viver Woodroof: - "Sim, ele tem esse jeito arrogante de Ron!" (Mirror)

Diretor: Jean-Marc Vallée
Roteiro: Craig Borte, Melisa Wallack
Fotografia: Yves Bélanger
Designer de Produção: John Paino
Diretor de Arte: Javiera Varas
Elenco: Matthew McConaughey, Jared Leto, Jennifer Garner, Steve Zahn, Denis O'Hare, Dallas Roberts, Griffin Dunne, Joji Hioshida, Bradford Cox
Distribuidora: Universal

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante
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