Lista de sugestões de filmes interessantes. Dicas de DVDs e Blu-rays encontrados nas locadoras. Cada postagem traz foto da capa, breve sinopse, censura, diretor, distribuidora, elenco, responsáveis pelo roteiro, musica e fotografia. Com o eterno deslumbramento de fã apaixonada, By Star Filmes acredita que o cinema emociona, ensina e é a melhor diversão.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Belle

Belle *
(2013) 103 min (10 anos)

Inglaterra - Dido Elizabeth Belle nasceu nas Antilhas, filha do oficial da Marinha Real John Lindsay e da escrava Maria Belle. Quando sua mãe morreu, Dido foi levada para a Inglaterra pelo pai, onde foi entregue aos cuidados do seu tio William Murray, o 1º Conde de Mansfield, e sua esposa. Criada pelo casal em Kenwood House, junto a outra sobrinha órfã, Belle usufruiu da educação e de todos os confortos de um membro da aristocracia inglesa, mas não escapou aos constrangimentos por levar na pele a cor de sua mãe. Embora recebida com carinho pelos tios, era vista com restrição por uma sociedade preconceituosa, que ainda não havia renegado a escravatura.

William Murray foi um juiz de grande prestígio, presidente da Alta Corte de Justiça da Inglaterra e do País de Gales. No filme ele aparece julgando o caso do "Massacre de Zong", no qual os proprietários do navio negreiro queriam ser ressarcidos pela companhia de seguro pela perda de sua "carga". Murray deveria decidir se escravos podem ser considerados como carga. 

"Belle" foi inspirado na pintura que retrata Dido ao lado da prima Elizabeth Murray, um quadro encomendado pelo tio-avô em 1779. Para garantir um futuro digno às sobrinhas, Lady Mansfield procura casamentos vantajosos, como solução honrosa para as duas primas, ambas filhas ilegítimas.

As tentativas de engajar rapazes convenientes num compromisso matrimonial lembram o clima de um romance de Jane Austen. Um dos candidatos, interpretado por Tom Felton (o Draco Malfoy na saga de "Harry Potter"), é um dos personagens masculinos mais detestáveis que já passaram pelas telas. A maior parte do primoroso elenco é igualmente convincente.

Curiosidade:
* Uma primeira versão do roteiro foi chamada de Belle e Bette, e focava principalmente no relacionamento entre Dido e sua prima Elizabeth.


Diretora: Amma Asante
Roteiro: Misan Sagay
Musica: Rachel Portman
Fotografia: Ben Smithard
Design de Produção: Simon Bowles
Diretores de Arte: Claudio Campana, Ben Smith
Elenco: Matthew Goode, Gugu Mbatha-Raw, Tom Wilkinson, Emily Watson, Penelope Wilton, Sarah Gadon, Tom Felton, Miranda Richardson, James Norton, Cara Jenkins, Lauren Julien-Box
Distribuidora: Fox Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A Musica segundo Tom Jobim

A Musica segundo Tom Jobim *
(2012) 84 min (Livre)

Esse não é o documentário habitual, relatado em ordem cronológica. A trajetória de Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927-1994) é cantada com musica e imagens. O amado Rio de Janeiro de Tom também aparece como personagem importante do filme, em cenas das décadas de 50 e 60. Sentindo falta de mais informação sobre o músico que virou nome do principal aeroporto da cidade, recorri à Wikipedia, onde se lê que ele nasceu na Tijuca e foi criado em Ipanema, para onde a família se mudou um ano depois.

As lágrimas rolavam pelo meu rosto, quando chegaram as cenas finais de "A Musica segundo Tom Jobim". Na Marquês de Sapucaí, Tom desfilava em cima do carro principal da Estação Primeira de Mangueira, que o homenageou em 1992 com o enredo "Se Todos Fossem Iguais a Você". Que saudades do romântico Maestro carioca, amigo do Jardim Botânico, cantador da natureza e do nosso coração! O DVD pode ser adquirido na Saraiva por R$ 15,90.

Diretores: Nelson Pereira dos Santos, Dora Jobim
Roteiro: Miucha Buarque de Holanda, Nelson Pereira dos Santos
Som: Jorge Saldanha
Participação: Antonio Carlos Jobim, Elis Regina, Frank Sinatra, Nara Leão, Elizeth Cardoso, Ella Fitzgerald, Vinicius de Moraes, Adriana Calcanhoto, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Judy Garland, Sarah Vaughan, Maysa, Carlinhos Brown, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Paulo Jobim, Dizzie Gillespie, Silvia Telles, Nanna Caymmi, Sammy Davis Jr.

Placa em homenagem a Tom

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Maze Runner - Correr ou Morrer

The Maze Runner
(2014) 113 min (14 anos)

EUA - Um adolescente desperta num elevador em rápida ascensão. Junto dele, há várias caixas onde se lê W.C.K.D. Quando o elevador chega ao alto, um grupo de outros garotos está à espera, numa ampla clareira entre árvores e uma muralha. Eles abrem a grade do elevador e o recém-chegado corre em disparada, caindo mais adiante. Ele não se lembra de nada, sequer do próprio nome. Inseguro, tenso, vai sendo aos poucos informado da situação por Newt e Alby, o líder dos rapazes, o primeiro a chegar à clareira. 

Em algumas horas o adolescente lembra-se de que seu nome é Thomas e descobre que mensalmente o elevador traz um jovem junto com as caixas de suprimento. De um lado da clareira há um bosque onde se escondem criaturas monstruosas à noite. Do outro lado, altíssimas muralhas cercam um labirinto em constante transformação. Um grupo de corredores percorre o espaço durante o dia, assim que surge a abertura no muro. À noite ela se fecha e quem fica preso não retorna para contar a experiência. Mas Thomas é curioso e quer saber mais. Enfrentando a desconfiança de um dos garotos veteranos, que abomina mudanças, ele se torna um dos corredores, em busca de uma saída daquele ambiente hostil. Só a união e a coragem podem livrar o grupo da iminente destruição pelos horrorosos monstros da escuridão.

"Maze Runner" distrai, tem bom ritmo e elenco convincente, embora seja mais uma história sobre jovens em busca da sobrevivência, lutando contra um sistema cruel, como já visto em "Jogos Vorazes", "Divergente" e "Doador de memórias". Terminado o filme, fica aquela sensação de que apenas encerramos a primeira fase de um divertido videogame. É um pouco frustrante, mas acho que sou capaz de conferir a próxima fase. A seguir, com estreia programada  para 18 de setembro (EUA), "Maze Runner - Prova de Fogo".


Curiosidades:
* As filmagens foram feitas na Louisiana e a produção contratou domadores de serpentes para se certificar que a área estivesse livre de cobras. Antes das gravações foram encontradas 25 serpentes venenosas. A maior delas era uma cascavel de 1,5 m.

* W.C.K.D é pronunciado "wicked" (cruel) porque no livro o acrônimo era W.I.C.K.E.D., de World In Catastrophe, Killzone Experiment Department.

* O escritor James Dashner faz uma rápida aparição, no final do filme. Quando a câmera se aproxima de Ava Paige (Patricia Clarkson), o homem a sua esquerda é James Dashner.

* Segundo o diretor Wes Ball, a história pode ser resumida como "O Senhor das Moscas encontra Lost".

Diretor: Wes Ball
Roteiro: Noah Oppenheim e Grant Pierce Myers e T. S. Nowlin, baseado no livro de James Dashner
Musica: John Paesano
Fotografia: Enrique Chediak (127 Horas)
Design de Produção: Marc Fisichella
Diretor de Arte: Douglas Cumming
Elenco: Dylan O'Brien, Aml Ameen, Thomas Brodie-Sangster, Ki Hong Lee, Blake Cooper, Will Poulter, Kaya Scodelario, Patricia Clarkson
Distribuidora: Fox Video



*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Margaret Mee e a Flor da Lua

Margaret Mee e a Flor da Lua *
(2012) 78 min (Livre)

Amazônia, maio de 1988 - Uma senhora inglesa de cabelos longos e grandes olhos azuis é saudada com champanhe e um bolo de cupuaçu pelos amigos. Margaret Ursula Mee é seu nome. O pequeno grupo celebra sua 15ª viagem à Floresta Amazônica. Apesar da voz suave e da constituição franzina, a cidadã britânica de 79 anos não tem nada de frágil e se sente muito à vontade numa canoa pelos igarapés do rio Negro. 

A destemida artista plástica apaixonou-se pelas nossas matas, desenhou e pintou  a flora brasileira e se tornou uma ilustradora botânica de renome internacional. Em 1952, mudou-se para o Brasil com o segundo marido, Grenville Mee, e aqui viveu por 36 anos, sempre defendendo a preservação da floresta e protestando contra o desmatamento e a violência na região.

Numa das aldeias em que se hospedou, o cacique ficou impressionado com a longa cabeleira loura da pintora e pretendia apoderar-se dela. Mesmo temendo desagradar o anfitrião, Margaret retrucou que seu homem não a receberia em sua maloca se ela estivesse com os cabelos curtos. Compungido, o cacique se conformou.

Amiga do paisagista Roberto Burle Marx, Margaret trazia plantas que encontrava nas viagens para adornar seu sítio em Guaratiba. A artista descobriu 3 novas espécies nas expedições que fez às florestas e teve 4 espécies nomeadas em sua homenagem. Devido ao intenso desmatamento da Amazônia, há exemplares desenhados por ela que talvez só tenham sobrevivido em suas aquarelas.

foto de Otis Imboden
"Margaret Mee e a Flor da Lua" exibe imagens de arquivo, depoimentos de conhecidos e extratos dos diários de viagem da artista, narrados por Patrícia Pillar. O documentário reúne um grupo de amigos, apaixonados pela natureza, que recordam os momentos que compartilharam com a ilustradora. Foi apenas em sua derradeira expedição à Amazônia, em maio de 1988, que Margaret conseguiu contemplar e desenhar a delicada flor branca que só floresce por uma noite, e por isso é chamada de Flor da Lua (Strophocactus Wittii ou Selenicereus Wittii).

Curiosidade:
* As locações foram feitas na Floresta Amazônica, em Londres, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Strophocactus Wittii
* É possível encontrar o DVD na Livraria Cultura (R$ 42,90) e na Saraiva (R$ 44,90)

Diretora: Malu de Martino
Roteiro: Malu de Martino
Musica: Artur Barreiros
Fotografia: Julia Equi
Narradora: Patricia Pillar

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Lucy

Lucy *
(2014) 116 min (16 anos)

Taywan - Lucy Miller não parece muito esperta, afinal ela namora Richard há uma semana e ele já está lhe fazendo um pedido muito suspeito. Richard quer que a jovem leve uma valise ao quarto de Mr. Jang, hóspede de um moderno hotel de Taipei. Mas o namorado não revela o que há dentro da maleta e Lucy recusa a oferta de 500 dólares para que a entregue. A cena é entrecortada com as imagens de uma gazela sendo cercada e atacada por uma chita. Sem qualquer escrúpulo, Richard acorrenta a maleta ao pulso de Lucy com algemas.

E se apenas Mr. Jang tem a chave, Lucy tem mesmo que encontrá-lo. Do lobby do hotel ela é levada por um grupo de homens truculentos até seu chefe sinistro. A jovem é interrogada e forçada a abrir a valise, onde há 4 sacos de cristais azuis. Depois é drogada e acorda com uma cicatriz no baixo ventre. Lucy e outros três mulas carregam os sacos de cristais que contem CPH4, uma nova droga sintética fabricada a partir da enzima que mulheres grávidas produzem na sexta semana de gravidez. 

Lucy e Richard
Essa substância funciona como uma bomba atômica para induzir a formação dos ossos do feto. Lucy e os outros homens devem introduzir o CPH4 em cidades da Europa. Prisioneira enquanto aguarda a hora de embarque, Lucy é agredida pelo carcereiro e a droga se espalha em sua corrente sanguínea. Sua mente adquire novas habilidades e o corpo torna-se invulnerável. Lucy se transforma em uma guerreira que absorve conhecimento e ganha poderes acima de qualquer humano.

Que filme! Por favor, não veja "Lucy" procurando falhas no roteiro ou consistência com verdades científicas. Aliás, os "fatos científicos" são fornecidos por Morgan Freeman, como Professor Samuel Norman, e o maior absurdo parece verdade quando enunciado por ele, num desempenho que me lembrou a narração hipnótica do naturalista britânico David Attenborough. 

"Lucy" não se baseia em fatos científicos, mas, antes mesmo de assisti-lo, ao ler sobre o filme em blogs de amigos cinéfilos, lembrei de todas as vezes em que estive grávida. A partir dos 3 primeiros meses da gravidez, passado os terríveis enjoos, sentia-me tão mais tranquila, completa e criativa! Pena que essa maravilhosa sensação não permanecia depois do nascimento do bebê... Mas não seria razoável que fêmeas grávidas ficassem mais espertas e calmas para construir o "ninho", passar boas sensações ao feto e se proteger até o parto? Assim sendo, achei bem possível a existência desta substância fantástica. O mais em "Lucy" é muita ação, tiroteio, direção alucinada pelas ruas de Paris e o rosto lindo e expressivo de Scarlett Johansson, ainda que pareça um autômato na sua fase poderosa. Um filme que diverte e faz o tempo voar.

Curiosidade:
* O roteiro levou 9 anos para ser feito. 

* Luc Besson sabe que não usamos apenas 10% do nosso cérebro.

* Durante a gravidez o cérebro da mulher encolhe 4%, e depois volta ao normal. Alguns cientistas acreditam que novas áreas do cérebro se desenvolvem e continuam a se desenvolver depois do nascimento do bebê.

Diretor: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Musica: Eric Serra
Fotografia: Thierry Arbogast (Angel-A)
Design de Produção: Hugues Tissandier
Diretor de Arte: Gilles Boillot, Dominique Moisan, Stéphane Robuchon, Thierry Zemmour
Elenco: Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min-sik Choi, Pilou Asbæk, Amr Waked, Julian Rhind-Tutt, Analeigh Tipton
Distribuidora: Universal

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Separados mas Iguais

Separate but Equal * *
(1991) 192 min (14 anos) feito para TV

"Juro obediência à bandeira dos Estados Unidos da América e à República que ela representa. 
Uma nação indivisível com liberdade e justiça para todos"

EUA, condado de Clarendon, Carolina do Sul, 1950 - De pé, com o braço esquerdo erguido e a mão direita apoiada sobre o coração, os alunos do colégio estadual Scott's Branch renovavam diariamente o juramento de fidelidade à bandeira americana. Mas as crianças experimentam pouco dessa afirmação de liberdade e justiça para todos. Os alunos negros de Clarendon percorrem até 10 km para chegar à escola, e ainda comem a poeira dos 30 ônibus que levam as crianças brancas para outros colégios. O superintendente acha isso natural, já que os brancos pagam mais impostos. 

Mas o reverendo J. A. Delaine, diretor da escola, não concorda e contrata os serviços de um advogado para elaborar uma petição ao Conselho de Educação do condado, em nome do pai do aluno Harry Briggs Jr. O pedido é simples: solicitação de um ônibus escolar fornecido, operado e mantido pelo distrito escolar nº 26 de Clarendon. 

Diante do desinteresse das autoridades educacionais, Delaine recorre à NAACP (National Association for the Advancement of Colored People) para levar o caso à Justiça.  O advogado Thurgood Marshall recorre até o caso chegar à Suprema Corte (1954). O governador do estado da Carolina do Sul contrata o famoso William B. Davis, o advogado dos advogados, para manter a situação em que cada estado decida o que fazer em suas escolas. Marshall não se intimida e invoca a 14ª Emenda para defender a inconstitucionalidade da segregação nos colégios americanos. Sete vezes a Suprema Corte negara esse pedido anteriormente. Tudo parecia perdido, mas o imponderável age de forma misteriosa. Com a morte do Chefe de Justiça, assume seu lugar na Suprema Corte o governador da Califórnia, o advogado Earl Warren, um homem sensível, dotado de habilidade política. O resto é História.

Além da força do tema e do fato de ser uma história baseada em fatos reais, "Separados, mas Iguais" traz um elenco apaixonado, liderado por Sidney Poitier e Burt Lancaster, em seu último desempenho nas telas. Em uma das cenas mais tocante do filme, crianças negras fazem um teste que comprova de que forma a segregação induz a uma baixa auto-estima. Mesmo se identificando como negras, todas escolheram bonecas brancas como as mais bonitas. A mini-serie traz muitas imagens de arquivos e é uma lição de historia que não deve perder quem se interessa pela luta pelos Direitos Humanos.

Curiosidade :
* Em novembro de 1990, pouco depois de encerradas as gravações, Burt Lancaster teve um forte derrame e ficou incapacitado pelos últimos 4 anos de sua vida. Pode-se dizer que encerrou com chave de ouro sua bela carreira.

* Em 1967, Thurgood Marshall, o advogado que era neto de escravos, tornou-se o primeiro juiz negro da Suprema Corte dos Estados Unidos.

Diretor: George Stevens Jr.
Roteiro: George Stevens Jr.
Musica: Carl Davis
Fotografia: Nicholas D, Knowland
Designer de Produção: Veronica Hadfield
Diretora de Arte: Gae S. Buckley (Livro de Eli)
Elenco: Sidney Poitier, Burt Lancaster, Gloria Foster, Richard Kiley, Cleavon Little, John McMartin, Ed Hall, Tommy Hollis, John Rothman, Lynne Thigpen, Graham Beckel
Distribuidora: Versatil Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O Ultimo Concerto

A Late Quartet * *
(2012) 115 min (14 anos)

EUA - Quatro músicos tomam seus lugares no palco. Eles estão prestes a apresentar uma obra tardia de Beethoven, Op. 131. Mas o tempo retrocede para os fatos que antecederam esse último concerto do quarteto de cordas "Fugue". Juntos há 25 anos sob a liderança do violoncelista Peter Mitchell, os músicos ganharam prestígio internacional por sua perfeita harmonia musical. Daniel Lerner é o primeiro violino, Robert Gelbart é o segundo e sua esposa Juliette toca viola. Ambos têm uma filha, Alexandra, que é aluna de Daniel. No momento em que Mitchell descobre estar com Mal de Parkinson, o grupo perde a sintonia e conflitos latentes eclodem. 

Tantos assuntos são levantados em "O Último Concerto"! Dificuldade no relacionamento mãe-filha, dúvidas no amor entre marido e mulher, infidelidade, ressentimento, compromisso profissional, paixão x perfeccionismo, aceitação dos limites impostos pela doença, rivalidades, o poder da música e do amor à arte. E tudo se harmoniza delicadamente sob a direção de Zilberman.

Mas as cerejas do bolo, no meu caso, foram a oportunidade de ver mais um desempenho de Philip Seymour Hoffman e a historinha contada pelo violoncelista Peter à turma de jovens alunos, recordando seus dois encontros com Pablo Casals. Diante da atitude excessivamente crítica de alguns, o músico valorizava a importância de tocar com originalidade e paixão, minimizando pequenos deslizes eventuais. Esse olhar benévolo me lembrou do conselho do meu querido analista baiano, Pedro de Figueiredo Ferreira: "A gente deve fazer o vínculo com a parte boa das pessoas, para tolerar as partes ruins." Os músicos terão uma compreensão extra de "O Último Concerto", mas nós, leigos, podemos admirar a precisão e elegância desta obra orquestrada por Yaron Zilberman.
Rembrandt (1658)

Curiosidades:
* A historia que Peter Mitchell conta a seus alunos sobre o lendário Pablo Casals é verídica; aconteceu com outro famoso violoncelista, o ucraniano já falecido Gregor Piatigorsky. A historia aparece na autobiografia de Piatigorsky, "Cellist".

* A cena entre Mitchell e Juliette na The Frick Collection, maravilhosa galeria de pinturas de Nova Iorque, é a primeira a ter recebido permissão para ser filmada ali, desde a inauguração do museu (1935). Entre as obras ali apresentadas, destaca-se o auto-retrato de Rembrandt.

* O Quarteto de Cordas Brentano dublou as performances do quarteto "Fugue".

Diretor: Yaron Zilberman.
Roteiro: Yaron Zilberman, Serth Grossman
Imogem Poots como Alexandra Gelbart
Musica: Angelo Badalamenti
Fotografia: Frederick Elmes
Designer de Produção: John Kasarda
Diretora de Arte: Rumiko Ishii
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Christopher Walken, Catherine Keener, Mark Ivanir, Imogen Poots, Madhur Jaffrey, Liraz Charhi, Nina Lee, Wallace Shawn
Distribuidora: Europa Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante


The Frick Collection - NY

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Era uma Vez em Nova York

The Immigrant *
(2013) 118 min (14 anos)

EUA, 1921 - As irmãs polonesas Ewa e Magda Cybulski partem da Silésia em direção a Nova Iorque. Assim que chegam à Ilha Ellis, os médicos suspeitam de que Magda esteja tuberculosa e colocam-na em quarentena. Sozinha, sem ter a quem recorrer, Ewa cai sob a proteção de Bruno Weiss, um cafetão com contatos na Ilha e responsável pelo show de garotas de programa do "teatro" Bandits' Roost.

Forçada a se prostituir para conseguir dinheiro para a irmã e - ó ironia - encarnando a Estátua da Liberdade no show de Bruno, Ewa se submete às circunstâncias, mas resiste às investidas do explosivo chefe, que se sente atraído por ela. Ao encontrar Emil, mais conhecido como "Orlando, o Mágico", primo de Bruno, a situação se complica. Os primos brigam, pois ambos estão apaixonados pela bela e distante Ewa; e esta começa a perder as esperanças de reencontrar Magda e levar uma vida feliz na América. 

Em busca de conforto, Ewa vai à igreja no dia de Nossa Senhora da Luz. Ajoelha-se e reza com fé diante do altar. Entrando no confessionário, conta ao sacerdote todas as suas faltas. O padre lhe diz que não deve se desesperar nunca, pois merece a salvação, como qualquer outra pessoa. Depois de se deparar com tanta maldade e incompreensão nas ruas de Nova Iorque, haverá saída para as irmãs Cybulski? A fé e o Amor operam milagres nos corações.

Pensando em meu pai, que adora filmes românticos e atrizes lindas, escolhi "Era uma Vez em Nova York" para atualizar o By Star. Espero que ele goste e também se apaixone por Ewa. Já bastaria a presença de Marion Cotillard para valer uma conferida, mas há mais, o desempenho de Joaquin Phoenix e Jeremy Renner, a fiel reconstituição de época e uma bela fotografia, ao mesmo tempo forte e esmaecida. Feliz 2015 a todos, especialmente aos cinéfilos que mantem vivo o amor à 7ª arte!

Diretor: James Gray
Roteiro: James Gray & Ric Menello
Musica: Chris Spelman
Fotografia: Darius Khondji (Seven - Os Sete Pecados Capitais, Amor, Meia Noite em Paris, Magia ao Luar)
Designer de Produção: Happy Massee
Diretor de Arte: Pete Zumba
Elenco: Marion Cotillard, Joaquin Phoenix, Jeremy Renner, Angela Sarafyan, Ilia Volok, Maja Wampuszyc, Antoni Corone, Patrick Husted
Distribuidora: Europa Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O Doador de Memorias

The Giver
(2014) 97 min (12 anos)

Em 2048, depois de mais uma grande devastação na Terra, causada pela violência, a humanidade avaliou que emoções eram perigosas para a paz. Decidiu-se eliminar os sentimentos fortes e minimizar as diferenças individuais para evitar sofrimentos e guerras. Todos os habitantes de uma comunidade da América do Norte tiveram suas memórias apagadas, exceto um guardião de memórias, que deveria usar seus conhecimentos e lembranças para orientar o Conselho de Idosos. Os jovens nesta sociedade não escolhiam sua profissão, eram encaminhados para determinadas carreiras, de acordo com uma avaliação de suas tendências. O treinamento das crianças incluía obediência, gentileza e absoluta sinceridade. Além disso, todos os habitantes recebiam diariamente uma dose de certa substância que induzia um estado de calma satisfação.

A unidade familiar do adolescente Jonas incluía pais e um casal de irmãos. Nas horas vagas o jovem divertia-se com os amigos Asher e Fiona, com quem também trabalhava num centro de cuidados para bebês. No dia da formatura todos se surpreendem quando Jonas é escolhido como o novo "Receptor da Memória". A partir deste momento deveria frequentar a casa do "Doador de Memórias", que morava isolado e podia descumprir algumas regras da comunidade. Embora não devesse compartilhar detalhes de seu treinamento, Jonas sente algo especial por Fiona e lhe revela suas descobertas sobre os sofrimentos e alegrias do passado, além de algumas práticas perturbadoras do presente. 

Essa sociedade "pacífica", que não suportava a violência, elimina os indivíduos indesejáveis de qualquer idade com injeções letais, belas imagens e musica suave. Jonas não pode suportar a ideia de perder o choroso Gabriel, que conheceu no centro de cuidados com bebês, e resolve fugir com ele. Tanto Jonas quanto o Doador de Memória avaliam que a comunidade seria mais humana se fosse possível devolver às pessoas suas lembranças, mas o Conselho de Idosos discorda e fará de tudo para impedi-los.

Por que será que tantos roteiristas de cinema imaginam um futuro em que trocaremos nossa liberdade pelo bem-estar fornecido por uma sociedade controladora? "O Doador de Memórias" é mais um filme a nos mostrar que nenhum bem-estar material vale a pena, se tivermos que abrir mão de nossa capacidade de decidir e de ter acesso à realidade dos fatos. Foi com interesse e prazer que cheguei ao fim dessa história. Minha filha Sophia ficou revoltada por ter incluído o filme na categoria Natal, mas se você prestar atenção até o final, descobrirá o porquê. Contudo já bastaria todo o sacrifício de Jonas no resgate de Gabriel, para me lembrar da viagem de Maria e José a caminho do Egito, para salvar o Menino Jesus. E assim me vieram ideias natalinas.

Diretor: Phillip Noyce
Roteiro: Michael Mitnick e Robert B. Weide, baseado no livro de Lois Lowry
Musica: Marco Beltrami
Fotografia: Ross Emery (Wolverine: Imortal)
Designer de Produção: Ed Verreaux
Diretor de Arte: Catherine Palmer, Christopher R. DeMuri, Shira Hockman
Elenco: Jeff Bridges, Meryl Streep, Katie Holmes, Odeya Rush, Brenton Thwaites, Alexander Skarsgård, Cameron Monaghan, Taylor Swift, Emma Tremblay, Katharina Damm
Distribuidora: Paris Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Chef

Chef
(2014) 115 min (12 anos)

EUA - Carl Casper é o renomado chef do "Gauloise", de Los Angeles. Sua equipe o admira e a crítica o festeja, mas Riva, o dono do restaurante, não permite que experimente novas ideias. Sabendo que o blogueiro Ramsey Michel fará uma visita ao "Gauloise", Carl quer inovar o cardápio e se revolta quando Riva pretende servir o de sempre, que tem agradado ao público. Casper se recusa e abandona a cozinha nas mãos do sub-chefe. Apesar dos esforços da equipe, Ramsey Michel tuita observações desapontadas sobre a mesmice do cardápio. Lendo os comentários no twitter, Carl volta ao restaurante e despeja toda sua revolta em alto e bom sobre o blogueiro. Os outros clientes filmam e colocam na internet, tornando-se o desabafo um viral em pouco tempo. 

Desempregado, Casper resolve aceitar a sugestão da ex-esposa Inez e partir para Miami, preparando comida cubana no trailer "El Jefe". Seu filho Percy e o sub-chefe Martin o acompanham nessa deliciosa aventura gastronômica. Percy cria uma conta para o pai no twitter e capitaliza a recente fama negativa, debatendo com Ramsey Michel e postando a trajetória de "El Jefe" pelas cidades do caminho. Entusiasmado por elaborar seu próprio cardápio, Carl vai encantando os clientes com sanduíches cubanos e outras delícias dos locais por onde passa, como Nova Orleans e Texas, rumando para Los Angeles.

Para pessoas gulosas, "Chef" é um prato cheio, dá vontade de sair direto para um restaurante de comida mexicana, já que a cubana é mais rara por aqui. Não há surpresas na trama, a receita é mais do que testada, mas agrada, sobretudo pela presença de Sofia Vergara, John Leguizamo e Emjay Anthony, que interpreta Percy. Emjay estará no elenco do próximo filme da série "Divergente". Além das comidinhas saborosas, outra atração de "Chef" é o aprofundamento da relação pai-filho. Desde que Carl começa a ouvir Percy e aproveitar suas sugestões, além de ensinar-lhe técnicas de cozinha, a amizade e o respeito entre eles cresce, reforçando o vínculo. Uma ótima dica para nós pais.

Diretor: Jon Favreau
Roteiro: Jon Favreau
Fotografia: Kramer Morgenthau
Designer de Produção: Denise Pizzini
Diretora de Arte: Alicia Maccarone
Elenco: Jon Favreau, Dustin Hoffman, Scarlett Johansson, Sofía Vergara, Emjay Anthony, John Leguizamo, Robert Downey Jr., Oliver Platt.
Distribuidora: Imagem Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante
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