Lista de sugestões de filmes interessantes. Dicas de DVDs e Blu-rays novos e antigos encontrados nas locadoras brasileiras. Cada postagem traz foto da capa, breve sinopse, censura, diretor, distribuidora, elenco, responsáveis pelo roteiro, musica e fotografia. Com o eterno deslumbramento de fã apaixonada, By Star Filmes acredita que o cinema emociona, ensina e é a melhor diversão.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Farinelli - Il Castrato

Farinelli, Il Castrato
(1994) 105 min (18 anos)

Italia - Nascido Carlo Maria Michelangelo Nicola Broschi, de uma família de músicos italianos, Farinelli foi castrado no início da adolescência para preservar sua bela voz de soprano. Contemporâneo do compositor Handel, Farinelli foi o cantor de ópera mais famoso e bem pago de seu tempo. Sua voz cobria três oitavas e o desenvolvimento torácico permitia que sustentasse uma nota durante um minuto sem respirar. O filme do diretor Gérard Corbiau toma algumas liberdades com os fatos reais mas revela a importância do cantor para plateias cultas e populares da Europa. Farinelli foi uma unanimidade. 

O hábito de castrar meninos cantores começou no século XVI e durou até 1870 na Itália. Geralmente eram escolhidos os órfãos e abandonados, mas algumas famílias pobres, incapazes de sustentar os filhos, ofereciam um deles para ser castrado. Em Nápoles, algumas barbearias traziam um aviso na porta: "Qui si castrano ragazzi" ("Aqui castram-se rapazes"). A castração consistia no corte dos canais provenientes dos testículos para evitar a mudança de voz na adolescência. A que extremos se chegava pelo amor à arte! Foi publicado no "Journal of Anatomy" um breve estudo sobre os restos mortais de Carlo Broschi. Nas conclusões, os autores lembram que Farinelli era um homem bem-humorado que conservou a lucidez, além da voz bela e poderosa, até o fim de seus 78 anos. Um caso bastante interessante.

"Farinelli, il Castrato" foi indicado ao Oscar, representando a Bélgica, e ganhou o Globo de Ouro em 1995, como Melhor Filme Estrangeiro. Olga Berluti recebeu o David di Donatello pelo vestuário. O DVD pode ser alugado no Guimarães Video Clube, em Laranjeiras, Rio de Janeiro. 

Curiosidades:

* Foi preciso combinar eletronicamente vozes masculina e feminina para recriar o som da voz de Farinelli cantando. A voz masculina pertence ao contratenor Derek Lee Ragin e a feminina à mezzo-soprano polonesa Ewa Mallas-Godlewska, dois especialistas em música barroca.

* A extensão vocal de Farinelli abrangia do Lá2 até Ré6, como escreveu Johann Joachim Quantz:
“ Farinelli tem uma voz de soprano ligeiro, completa, rica, luminosa e bem trabalhada, com uma extensão que abrange desde o Lá debaixo do Dó central a Ré três oitavas acima do Dó médio… Sua entonação era pura, seus vibratos maravilhosos, seu controle sobre sua respiração era extraordinário e sua garganta muito ágil, porque cantou os intervalos mais amplos rapidamente e com a maior facilidade e firmeza. As passagens das obras e todo tipo de melismas não representaram dificuldades para ele. Na invenção das ornamentações livres nos adágios foi muito fértil."
Carlo Broschi, o Farinelli

Diretor: Gérard Corbiau
Roteiro: Andrée Corbiau & Gérard Corbiau
Musica:  Riccardo Broschi, Johann Adolf Hasse, Georg Friedrich Händel, Giovanni Battista Pergolesi, Nicola Porpora
Fotografia: Walther van den Ende
Diretor de Produção: Gianni Quaranta
Vestuario: Olga Berluti, Anne de Lagaurdière
Elenco: Stephano Dionisi, Enrico Lo Verso, Elsa Zylberstein, Jeroen Krabbé, Caroline Cellier, Renaud du Peloux de Saint Romain, Marianne Basler, Jacques Boudet
Distribuidora: Top Tape

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

terça-feira, 1 de julho de 2014

Pais e Filhos

Soshite chichi ni naru * * *
Like Father, Like Son
(2013) 121 min (Livre)

pais e filhos
Japão - Obcecado pelo trabalho, o esforçado arquiteto Ryota Nonomiya vive confortavelmente num elegante apartamento de Tóquio, com a mulher Midori e o filho de 6 anos, Keita. Desejando para o menino um futuro de sucesso, Ryota exige que aprenda piano e coloca-o num cursinho que prepara para os melhores colégios particulares da cidade. Dócil, o menino faz de tudo para agradar o pai, inclusive inventar que os dois acampam e empinam pipa juntos, porque os instrutores do cursinho disseram que isso contava pontos na entrevista da escola. 

No exame físico necessário para a admissão no colégio particular, Ryota e Midori descobrem que não são os pais biológicos de Keita, pois seu sangue é incompatível com o do menino. Seu filho biológico foi trocado no berçário do Hospital de Maebashi e está sendo criado junto com as outras crianças da família Saiki, modestos comerciantes da pequena cidade. 

A primeira reação de Ryota ao ficar a sós com a esposa foi: "Agora está tudo explicado" - afinal o arquiteto não valorizava a mansidão de Keita, desejava que fosse mais competitivo. Midori sofre por antecipação diante da perspectiva de se afastar do menino que ela ama profundamente. Para Midori não existe a "força do sangue", mas a dos laços construídos. As duas famílias começam a conviver e considerar a difícil decisão de trocar as crianças, como foi sugerido pelo Hospital.

Como cada um de nós resolveria esse dilema, criar seu filho biológico ou seu filho do coração? Meu marido não teve dúvida, criaria aquele que o destino colocou sob seus cuidados. "Pais e Filhos" focaliza especialmente a situação do casal Nonomiya e a transformação por que passa o estressado Ryota, ao ser confrontado com Yudai Saiki, um pai que dedica tempo aos filhos e acredita ser essa sua missão mais importante. É uma belíssima obra do diretor Hirokazu Kore-eda, para ser vista e revista, premiada pelo Juri Ecumênico em Cannes, além ser escolhida como Melhor Filme pelas audiências dos Festivais Internacionais de San Sebastián e de São Paulo, em 2013. 

Curiosidade:
* Dreamworks Studios adquiriu os direitos de refilmagem de "Pais e Filhos" depois que o filme chamou a atenção de Steven Spielberg, em Cannes.

Diretor: Hirokazu Kore-eda (O Que Eu Mais Desejo, Ninguem Pode Saber, Depois da Vida)
Roteiro: Hirokazu Kore-eda
Musica: Shin Yasui, Takeshi Matsubara, Junichi Matsumoto, Takashi Mori
Fotografia: Mikiya Takimoto
Diretor de Produção: Keiko Mitsumatsu
Elenco: Masaharu Fukuyama (Ryota), Machiko Ono (Midori), Keita Ninommiya (Keita), Rirî Furankî (Yudai), Yôko Maki (Yukari), Shôgen Hwang (Ryusei)
Distribuidora: Imovision

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

segunda-feira, 30 de junho de 2014

12 Anos de Escravidão

12 Years a Slave * *
(2013) 134 min (14 anos)

EUA - Até 1841, Solomon Northrup foi um homem feliz. Morador de Saratoga Springs, no estado de Nova Iorque, casado com uma chef de cozinha e pai de um casal de filhos, tinha bastante trabalho como violinista. Toda essa felicidade chega ao fim no dia em que o músico aceita a oferta de dois homens para se apresentar num show circense em Washington D.C. Solomon dorme um homem livre e acorda como escravo, privado de todos os seus direitos e até do seu nome.

Enviado para Nova Orleans e apelidado de Platts, passa de um dono a outro, sendo submetido às vontades de seus proprietários, o que incluía a obrigação de tocar e dançar para distraí-los, depois de uma exaustiva jornada de trabalho no campo. Durante doze anos, Solomon sentiu na pele e na alma as crueldades de que o ser humano é capaz quando não enxerga o outro como seu igual em direitos e dignidade.

"12 Anos de Escravidão" ganhou o Oscar de Melhor Filme em 2014. É uma obra emocionante do princípio ao fim, e por isso inesquecível, trazendo belas interpretações. A estreante Lupita Nyong'o recebeu Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e o roteiro de John Ridley foi considerado a melhor adaptação de um livro para a tela em 2014.

Curiosidade:
* Para melhor retratar um alcoólatra, Michael Fassbender pediu à maquiadora que pintasse com álcool seu bigode para que os outros atores reagissem mais naturalmente ao personagem embriagado.

* A princípio Chiwetel Ejiofor recusou o papel de Solomon Northrup, mas depois percebeu que deveria superar seu temor inicial e aceitar o que poderia ser o papel de sua vida. Então o ator inglês mergulhou no estudo da cultura do algodão na Louisiana, além de aprender a tocar violino.

Diretor: Steve McQueen
Roteiro: John Ridley, baseado no livro de Solomon Northup
Musica: Hans Zimmer
Fotografia: Sean Bobbitt
Designer de Produção: Adam Stockhausen
Diretor de Arte: David Stein
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Benedict Cumberbatch, Paul Dano, Paul Giamatti, Brad Pitt, Lupita Nyong'o, Sarah Paulson, Alfre Woodard, Quvenzhané Wallis
Distribuidora: Disney/Buenavista

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

domingo, 29 de junho de 2014

Hobbit: A Desolação de Smaug

The Hobbit: The Desolation of Smaug * *
(2013) 161 min (12 anos)

Terra Media - Chove em Bree, nas fronteiras do condado. Um viajante entra na taberna "O Ponei Saltitante". Dentro do bar, figuras ameaçadoras observam o homem de longos cabelos escuros, sentado na mesa próxima à lareira. Percebendo seus olhares, Thorin Escudo de Carvalho procura alcançar sua espada, quando um ancião aproxima-se da mesa. "-Posso sentar com você?" - pergunta Gandalf, o Cinzento. 

As criaturas estranhas recuam e o mago aconselha Thorin a recuperar o trono de Durin. A primeira etapa a vencer será encontrar a Pedra Arken entre as moedas de ouro, cálices, ânforas, jóias e cristais em poder do dragão Smaug, que dorme sob a Montanha Solitária. Doze meses depois, Gandalf, Thorin, Bilbo Bolseiro e um grupo de anões correm de abomináveis orcs, entre montanhas cobertas de névoa. Refugiando-se na cabana de Beorn, o homem-urso, eles se preparam para começar mais uma aventura cheia de emoções e perigos horripilantes, na qual precisarão da ajuda de elfos e humanos.

Depois de ir ao cinema na semana de estreia, revi em casa duas vezes "A Desolação de Smaug". Passando pela sala, enquanto as filhas acompanhavam a jornada de Bilbo e dos anões, não conseguia resistir às imagens belas e emocionantes do filme de Peter Jackson e me sentava, assistindo até a última cena. Por que não dei nota máxima? Talvez por detestar ter que esperar um ano para assistir o final. "O Hobbit: A Desolação de Smaug" não perde o ritmo jamais e tem um de seus melhores momentos quando Benedict Cumberbatch dá voz ao perigoso Smaug, que supera em impacto qualquer outro vilão da história.

Lendo no jornal sobre o perigo que ameaça a remota terra dos ianomâmis, rica em ouro, me dei conta de que os rios ainda cristalinos e as matas virgens são mais preciosos do que qualquer metal dourado. O fotógrafo Sebastião Salgado é o nosso Gandalf, mas ele e os 1500 yanomâmis de Roraima precisam de ajuda contra os garimpeiros, mineradoras e outros Smaugs, que se organizam para dominar as riquezas sob o Pico da Neblina. Leia a reportagem no Globo.

Curiosidades
* Enquanto se preparava para dublar Smaug, Benedict Cumberbatch estudou iguanas e dragões de Komodo no Jardim Zoológico de Londres. O ator buscava um tom entre o animal e o humano, uma voz profunda, gutural, seca e rouca.

* Benedict Cumberbatch, que também faz a voz do Necromancer, sugeriu ler seu discurso de trás para diante para soar diabólico e profano.

Diretor: Peter Jackson
foto de Sebastiao Salgado
Roteiro: Fran Walsh & Philippa Boyens & Peter Jackson & Guillermo del Toro, inspirado no livro de J. R. R. Tolkien, "O Hobbit".
Musica: Howard Shore
Fotografia: Andrew Lesnie
Designer de Produção: Dan Hennah
Diretor de Arte: Simon Bright, Andy McLaren
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Orlando Bloom, Evangeline Lilly, Lee Pace, Cate Blanchett, Benedict Cumberbatch, Mikael Persbrandt, Stephen Fry, Sylvester McCoy, Manu Bennett, Lawrence Makoare
Distribuidora: Warner


*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

domingo, 22 de junho de 2014

O Moinho e a Cruz

The Mill and the Cross *
(2011) 92 min (16 anos)

Enquanto foram figurativos, os quadros costumavam contar uma história. O filme "O Moinho e a Cruz" dá vida aos personagens da pintura de Pieter Bruegel, o Velho: "The Procession to Calvary" (1564). Rutger Hauer interpreta o pintor em processo de construção de uma encomenda para o colecionador Nicholas Jonghelinck. O tema do quadro é a Paixão de Cristo, ambientada em Flandres, durante a ocupação espanhola dos Países Baixos. Em vez de romanos dominando judeus, são soldados católicos buscando suprimir a reforma protestante.

Jesus é apenas uma das inúmeras figuras no centro do quadro, enquanto sua mãe Maria aparece em primeiro plano, à direita, acompanhada por São João e duas mulheres. Os outros personagens vestem-se como camponeses flamengos do século XVI. Jonghelinck desejava que a pintura expressasse o modo pelo qual as forças espanholas estavam violando corpos e almas do povo. Pieter Bruegel, como artista, é aquele que tem o poder de congelar o tempo num instante. Depois, como antes, a vida continua, entre perseguições, danças e trabalho.

As roupas, o cenário, o uso adequado da computação gráfica, e a cuidadosa seleção de tipos físicos para composição do elenco tornam o filme uma joia a ser apreciada em seu ritmo lento e detalhada riqueza de imagens. O quadro "The Procession to Calvary" está em exibição no Kunsthistorisches Museum, em Viena, ao lado da "Torre de Babel", do mesmo pintor. "O Moinho e a Cruz" é imperdível para quem ama a arte dos grandes mestres da pintura. Para uma análise aprofundada, visite a página  da revista virtual Interartive.

Curiosidade:
* Atualmente, Flandres é a parte norte da Bélgica, onde se fala holandês.

* O filme foi gravado na Polônia, numa região chamada Jura, onde as pedras de cálcio se assemelham à paisagem pintada por Bruegel. Na Nova Zelândia, o diretor Lech Majewski filmou as nuvens, na ilha chamada pelos maoris de "Ilha da nuvem longa".

Diretor: Lech Majewski
Roteiro: Michael Francis Gibson & Lech Majewski, baseado no livro de Gibson
Musica: Józef Skrzek, Lech Majewski
Fotografia: Lech Majewski, Adam Sikora
Designer de Produção: Marcel Slawinski, Katarzyna Sobanska
Diretor de Arte: Stanislaw Porczyk
Elenco: Rutger Hauer, Charlotte Rampling, Michael York, Joanna Litwin, Dorota Lis, Bartosz Capowicz
Distribuidora: Lume Filmes


*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

sábado, 14 de junho de 2014

Trapaça

American Hustle * *
(2013) 138 min (14 anos)

EUA - O sr. Rosenfeld era dono de uma vidraçaria modesta em Nova Iorque. Para ajudar o pai nos negócios, seu filho Irving começa a quebrar as vitrines de várias lojas do bairro. Já adulto, Irving Rosenfeld perseverou nos meios ilícitos de fazer dinheiro e tornou-se proprietário de uma rede de lavanderias, ao mesmo tempo em que empreendia um ou outro negócio escuso. Experiente no ramo de passar a perna em pessoas desesperadas pelo vil metal, Irving se esmerava nos mínimos detalhes antes de atuar em seus esquemas mirabolantes. Tudo começava com uma elaborada operação de colagem de apliques para esconder a calvície no alto da cabeça.

Durante uma festa, o empresário nova-iorquino se apaixona à primeira vista pela atraente Sidney Prosser. Os dois têm muito em comum, além da paixão pelo músico Duke Ellington, e juntos começam a ganhar dinheiro ilicitamente. Seria uma bela história de amor e parceria se Irving não fosse casado com a bela e instável Rosalyn, que não hesita em chantageá-lo com a perda da guarda de Danny, seu filho único, que Irving adotou.

A vida da dupla de estelionatários se complica quando o agente do FBI Richard DiMaso ameaça processar Sidney, se o casal não colaborar na prisão de quatro criminosos de colarinho branco. Um dos primeiros candidatos a ser investigado é o popular prefeito Carmine Polito. Irving reluta, mas não tem como evitar o ambicioso esquema do agente DiMaso. Haverá um futuro feliz para o casal de apaixonados trambiqueiros?

Como é possível torcer por um sujeito tão mentiroso, além de careca e barrigudo? Talvez porque Irving fosse inteligente e capaz de nutrir bons sentimentos em relação a, pelo menos, um seleto grupo de pessoas. Quanto aos outros seres humanos, eram apenas vítimas a serem enganadas. "Trapaça" é uma história bem contada, admiravelmente encenada e interpretada. Indicado a vários prêmios, o filme levou alguns: O BAFTA de Melhor Roteiro Original, Melhor Atriz Coadjuvante (Jennifer Lawrence), Melhor Maquiagem e Penteado. E o Globo de Ouro de Melhor Comédia, Melhor Atriz Principal (Amy Adams) e melhor Atriz Coadjuvante (Jennifer Lawrence). O conjunto do elenco venceu o Screen Actors Guild Award de 2014.

Curiosidades:
* Muito do que acontece no filme "Trapaça" foi improvisado. Durante a gravação, Christian Bale comentou com David Russell: - "Isso vai alterar completamente o enredo". Ao que o diretor respondeu: - "Christian, eu detesto enredos, sou todo pelos personagens."

* Robert DeNiro não reconheceu o ator Christian Bale no set, quando este estava caracterizado como Irving Rosenfeld. Disfarçadamente perguntou ao diretor: - "Quem é esse?" Mais um ponto para a equipe de Penteado e Maquiagem.

* Christian Bale engordou mais de 18 kg para interpretar o personagem Irving Rosenfeld e adquiriu duas hérnias de disco.

* Jennifer Lawrence é apaixonda por Doritos e manchou várias roupas da produção. O departamento de figurinos fez vestidos em duplicata para que ela tivesse sempre um limpo para usar.

* O filme é levemente baseado no escândalo Abscam (abreviação de golpe Árabe), uma investigação do FBI entre as décadas de 70 e 80, que começou como tráfico de propriedade roubada e expandiu-se para incluir corrupção política. O personagem Irving Rosenfeld é vagamente inspirado na vida do vigarista condenado Melvin Weinberg, cuja história foi contada no livro "The Sting Man", de Bob Greene.

Diretor: David O. Russell
Roteiro: Eric Warren Singer, David O. Russell
Musica: Danny Elfman
Fotografia: Linus Sandgren
Designer de Produção: Judy Becker
Diretor de Arte: Jesse Rosenthal
Elenco: Christian Bale, Amy Adams, Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Jeremy Renner, Elisabeth Röhm, Paul Herman, Robert De Niro
Distribuidora: Sony Pictures

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Clube de Compras Dallas

Dallas Buyers  Club *
(2013) 117 min (16 anos)

EUA, Texas - Em 1985, o eletricista e caubói Ron Woodroof leva uma vida desregrada, pois é viciado em sexo, álcool e outras drogas menos lícitas. Perseguido por apostadores de rodeio que tinham sido enganados por ele, Ron prefere ser preso para fugir dos compromissos. No dia em que desmaia ao levar um choque elétrico, durante uma emergência no trabalho, o caubói recebe uma notícia bomba no hospital: seu sangue deu resultado soropositivo para HIV. De acordo com o médico, Ron tem mais uns 30 dias para viver. Seu estilo de vida, regado a álcool e drogas, diminui sua imunidade e piora o prognóstico. Irado com a notícia, indignado com a ideia de ter uma doença de homossexuais, Ron sufoca seus sentimentos em mais uma farra monumental.

A seguir, o caubói do Texas decide lutar por sua vida e procura se informar sobre as novidades no tratamento da doença. No hospital local há uma pesquisa incipiente com o antiviral AZT, que seria fornecido pelo laboratório para metade dos pacientes, enquanto os outros receberiam apenas um placebo - o que talvez fosse até melhor - já que o AZT provoca fortes efeitos colaterais. Primeiro Ron suborna um enfermeiro para receber o antiviral, depois, quando fica impossível conseguir a droga, ele resolve ir ao México, atrás de terapias alternativas, pois há histórias de sucesso fora dos EUA. O mais difícil é trazer os remédios para dentro do país. 

Rejeitado por seus antigos companheiros, é na comunidade gay que o caubói encontra apoio. Junto com o travesti Rayon, eles fundam o Clube de Compras Dallas, que contrabandeia proteínas, medicamentos e vitaminas para aumentar a imunidade dos soropositivos, mediante o pagamento de 400 dólares mensais. Perseguido pelo governo, comunidade médica e laboratórios, Ron resiste e luta como um leão pelos direitos dos clientes do Clube de Compras Dallas.

Ron Woodroof foi um exemplo de resiliência. Estar debilitado pela doença e ainda encontrar forças para lutar contra todos os obstáculos que o FDA (Food and Drug Administration), laboratórios e médicos colocaram no seu caminho, é coisa para poucos. Matthew McConaughey e Jared Leto também deram duro na composição dos personagens Ron e Rayon, e não foi só na dieta: Matthew perdeu 21 quilos e Jared perdeu 13. Os dois são os principais responsáveis pela força e credibilidade de "Clube de Compras Dallas". Os dois ganharam Oscars e outros prêmios pelo brilhante desempenho.

Curiosidades:
* O orçamento deste filme era tão baixo que foram designados apenas US$ 250 para o departamento de maquiagem. Surpreendentemente, os artistas conseguiram se virar com essa quantia e o "Clube de Compras Dallas" ganhou o Oscar por Maquiagem (Robin Mathews) e Penteado (Adruitha Lee).

* Jared Leto permaneceu a caráter durante toda filmagem. Chegou a sair para fazer compras vestido como travesti num "Whole Foods" local, onde recebeu os costumeiros olhares de curiosidade e desaprovação. Seu simpático personagem Rayon não existiu na vida real, ele é uma mistura de pessoas que influenciaram Ron.

* Ron Woodroof sobreviveu quase 7 anos ao sombrio diagnóstico inicial. Ele atravessou a fronteira do México mais de 300 vezes, trazendo cerca de 500.000 pílulas em seu Lincoln Continental. Ele importou peptídeo T da Dinamarca e alfa interferon do Japão.
O verdadeiro Ron em 16-5-1989

* A irmã de Ron, Sharon Braden, aprovou a escolha de Matthew McConaughey para viver Woodroof: - "Sim, ele tem esse jeito arrogante de Ron!" (Mirror)

Diretor: Jean-Marc Vallée
Roteiro: Craig Borte, Melisa Wallack
Fotografia: Yves Bélanger
Designer de Produção: John Paino
Diretor de Arte: Javiera Varas
Elenco: Matthew McConaughey, Jared Leto, Jennifer Garner, Steve Zahn, Denis O'Hare, Dallas Roberts, Griffin Dunne, Joji Hioshida, Bradford Cox
Distribuidora: Universal

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

terça-feira, 3 de junho de 2014

Philomena

Philomena * *
(2013) 98 min (10 anos)

Irlanda - A ingênua Philomena Lee perdeu a virgindade e engravidou ainda adolescente. Foi deixada pelo pai aos cuidados das freiras de Sean Ross Abbey, em Roscrea, no coração da Irlanda. Junto com outras mães solteiras, Philomena trabalhava durante longas horas na lavanderia do convento, dirigido pela severa irmã Hildegard, e só podia visitar o filho Anthony uma vez ao dia. Quando ele estava com três anos de idade, foi entregue para adoção, sem que a mãe sequer fosse consultada.

Philomena casou, teve uma filha, envelheceu, e jamais deixou de pensar em Anthony, embora tenham sido frustradas cada uma das tentativas para encontrá-lo. As coisas começam a mudar quando sua filha Jane pede ajuda a um jornalista para descobrir o paradeiro do irmão. Recentemente desempregado, o escritor Martin Sixsmith deixa de lado suas pesquisas sobre a história russa para se engajar na busca pelo filho perdido de Philomena Lee, elaborando um artigo de "interesse humano", gênero que ele considerava inferior. Mas a convivência com Philomena toca o coração do cético jornalista.

Refeitório em Sean Ross Abbey na década de 50
"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus" - Jesus podia estar pensando em Philomena Lee quando pronunciou essas palavras no Sermão da Montanha. Poucas pessoas parecem tão desprendidas, simples, donas de uma fé tão viva, quanto a gentil irlandesa. Judi Dench está magnífica vivendo essa mulher amorosa, sem fel ou malícia no coração, assim como esteve soberba interpretando aristocratas autoritárias. "Philomena" tem a qualidade costumeira das obras de Stephen Frears; o diretor sabe prender a atenção e contar uma historia. Talvez tenha exagerado um pouco na pintura da irmã Hildegard, interpretada como uma vilã empedernida e antipática até o último instante. Parece que o filme tomou algumas liberdades com os fatos, e o encontro da religiosa com o jornalista foi uma delas.

Curiosidades:
* A irmã Hildegard McNulty morreu em 1995 e o jornalista só começou a investigação em 2004.

* Martin Sixmith, na vida real, considera-se agnóstico e não ateu, como é mostrado no filme.

Diretor: Stephen Frears (Ligações Perigosas, O Retorno de Tamara, A Rainha)
Anthony, sua amiga Mary, e a verdadeira Philomena Lee
Roteiro: Steve Coogan e Jeff Pope, baseado no livro "The Lost Child of Philomena Lee", de Martin Sixsmith
Musica: Alexandre Desplat
Fotografia: Robbie Ryan
Designer de Produção: Alan MacDonald
Diretores de Arte: Rod McLean, Sarah Stuart
Elenco: Judi Dench, Steve Coogan, Sophie Kennedy Clark, Mare Winningham, Barbara Jefford, Anna Maxwell Martin, Michelle Fairley, Sean Mahon, Peter Hermann
Distribuidora: Paris Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Álbum de Família

August: Osage County *
(2013) 120 min (12 anos)

EUA - O verão em Oklahoma pode ser sufocante. E ainda mais sufocante é a convivência com Violet Weston, mãe de três filhas e esposa de Beverly, um professor e poeta que recorre à bebida para suavizar a árdua existência ao lado de sua cara metade. "A vida é muito longa", repete Bev, citando T. S. Eliot. 

Violetas são flores de fácil cultivo e costumam ser associadas à delicadeza e humildade. Nada pode ser mais diferente do que o temperamento da sra. Weston, uma mulher enfurecida com a vida, crítica com as pessoas e um tanto indulgente consigo mesma. Nem o tratamento para um câncer na boca dobrou a ácida senhora, uma sobrevivente convicta. Beverly contrata a suave indígena Johnna Monevata para cuidar da esposa e desaparece. Passados cinco dias, o xerife do condado vem avisar que o barco de Bev foi encontrado no lago e que ele se afogou.

Barbara, Karen e Ivy, as três filhas do casal, se reencontram depois de uma longa separação. Mattie Fae Aiken, irmã de Violet, também chega para o enterro, junto com o marido. Seu filho Charles só aparece quando a família já voltou para casa, depois do funeral. Cobranças e revelações tornam o ambiente cada vez mais tenso. Violet não deixa pedra sobre pedra quando se trata de provocar o próximo.

"Álbum de Família" ganha muitos pontos no quesito elenco. Onde Meryl Streep foi buscar inspiração para criar megera tão virulenta? Poderia ser na desagradável Martha de "Quem tem medo de Virginia Wolf". Já Benedict Cumberbatch surpreende num papel tão diverso de seus imponentes personagens anteriores, vivendo o desajeitado Little Charles Aiken, constantemente humilhado pela mãe Mattie Fae. Julia Roberts interpreta Barbara, a única filha capaz de enfrentar a violenta matriarca, e que, por seu próprio temperamento agressivo, também está prestes a perder o marido e a filha adolescente. Os pecados dos pais se repetem nos filhos. Eis uma família que só ficaria bem num retrato voltado para a parede, embora experimente alguns raros momentos aprazíveis. Um filme para se conferir e que pode nos ajudar a identificar e polir as asperezas de nossa personalidade. Afinal, quem quer ser uma Violet Weston?

Curiosidade:
* "Life is very long" (A vida é muito longa) - a citação da abertura falada por Beverly Weston - pertence ao poema "Hollow Men", de T. S. Eliot, mas é emprestada do romance de Joseph Conrad "An Outcast of the Islands" (um pária das ilhas) (1896).

Diretor: John Wells
Roteiro: Tracy Letts
Musica: Gustavo Santaolalla
Fotografia: Adriano Goldman
Designer de Produção: David Gropman
Diretora de Arte: Karen Gropman
Elenco: Meryl Streep, Julia Roberts, Sam Shepard, Margo Martindale, Juliette Lewis, Julianne Nicholson, Chris Cooper, Benedict Cumberbatch, Ewan McGregor, Dermot Mulroney, Abigail Breslin, Misty Upham
Distribuidora: Imagem Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

domingo, 25 de maio de 2014

A Vida Secreta de Walter Mitty

The Secret Life of Walter Mitty * *
(2013) 114 min (10 anos)

EUA - Há dezesseis anos, Walter Mitty trabalha no subsolo de um moderno edifício em Manhattan, Nova Iorque. Ele é o diretor do departamento de negativos da revista "Life". Sua especialidade é encontrar o melhor aproveitamento para as imagens enviadas de todo mundo. Entre seus fotógrafos favoritos está o experiente Sean O'Connell. O genial artista não tem celular ou endereço e ainda utiliza maquinas analógicas para capturar os momentos mágicos de suas viagens.

Walter é um homem metódico, que controla as despesas numa planilha e, desde que o pai morreu, divide com a irmã Odessa os cuidados com a mãe Edna. Mal completara 17 anos, Mitty deixou de lado o skate, os cabelos cortados no estilo moicano, e empregou-se numa lanchonete. Jamais correu o mundo, como era seu sonho. Talvez por isso, Walter costume desligar-se da realidade com frequência, sobretudo nos momentos de maior estresse, e saia viajando na fantasia. Esse hábito de sonhar acordado causa-lhe constrangimentos diante do insensível executivo encarregado de fechar a revista e de demitir boa parte dos funcionários da publicação novaiorquina.

Mas, no momento, Mitty tem maiores preocupações do que agradar o temível executivo barbado: ele precisa encontrar Sean O'Connell para descobrir o paradeiro do negativo 25, que se extraviou na última remessa, e foi indicado para ser a última capa da "Life". Sua outra meta é conquistar o interesse de Cheryl Melhoff, a nova funcionária do banco de imagens que frequenta o site de relacionamentos eHarmony. Pelo site, Walter descobre que, além de simpática e bem-humorada, Cheryl tem um cachorro de 3 pernas e um filho pequeno. Pode ser sua maior incentivadora na busca pelo fotógrafo Sean O'Connell.

"A Vida Secreta de Walter Mitty" emociona pela história e sincero desempenho do elenco de atores americanos e de diversas outras nacionalidades. A fotografia de Stuart Dryburgh está deslumbrante. Monocromática na vida rotineira de Walt, é saturada, iluminada, em seus devaneios e viagens reais. As aventuras de Walter cativam e dão uma vontade danada de ir conferir pessoalmente as paisagens da gelada Islândia.

Curiosidades:
* O motorista bêbado do helicóptero diz brincando que "só há 8 pessoas na Groenlândia". Enquanto Walter está na Groenlândia, ironicamente só aparecem 8 pessoas ali.

* "Life" foi uma revista de fotojornalismo publicada entre 1936 e 2007.

* Dada a variedade de paisagens da Islândia, todas as cenas fora dos EUA foram gravadas ali. O diretor queria a maior realidade possível e o mínimo de cenas geradas em computador. 

Diretor: Ben Stiller
Roteiro: Steve Conrad, baseado no conto de James Thurber
Musica: Theodore Shapiro
Fotografia: Stuart Dryburgh
Designer de Produção: Jeff Mann
Diretor de Arte: David Swayze
Elenco: Ben Stiller, Kristen Wiig, Shirley MacLaine, Kathryn Hahn, Sean Penn, Adam Scott, Adrian Martinez, Marcus Antturi, Kai Lennox
Distribuidora: Fox Films

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante
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