Lista de sugestões de filmes interessantes. Dicas de DVDs e Blu-rays novos e antigos encontrados nas locadoras brasileiras. Cada postagem traz foto da capa, breve sinopse, censura, diretor, distribuidora, elenco, responsáveis pelo roteiro, musica e fotografia. Com o eterno deslumbramento de fã apaixonada, By Star Filmes acredita que o cinema emociona, ensina e é a melhor diversão.

sábado, 20 de setembro de 2014

A Vida de Pessoas Reais

The Road to Coronation Street * *
(2010) 75 min (12 anos) feito para TV


Inglaterra - Só uma corajosa locadora de bairro, sobrevivente do bombardeio de Netflix e Now, é capaz de nos oferecer um filme tão delicioso e desconhecido como "A Vida de Pessoas Reais". E nada tão oportuno como um filme britânico para festejar a vitória do NÃO na Escócia. Não haverá deserção no Reino Unido! Isso dito, voltemos à história real. "The Road to Coronation Street" conta como surgiu a mais longa novela da TV britânica, desde a concepção até sua transmissão pela BBC Four em 9 de dezembro de 1960.

Uma jovem de coque, vestida de preto e sapatos altos, avança pelos corredores, gritando por Tony, que está trancado no banheiro e se recusa a sair. O show vai começar, agora tudo depende dos atores. O tempo recua e vemos um jovem magro em seu quarto, escolhendo cuidadosamente o que deve usar numa entrevista de trabalho. Na sequência, já é visto na recepção de um prédio, sendo interrogado pelo idoso segurança. Tony Warren busca uma oportunidade como ator na TV Granada, em Manchester. Suas esperanças afundam rapidamente no escritório de Margaret Morris, a responsável pelo elenco. Mas Margaret gostou do rapaz, ela lembra que Harry Elton, o produtor canadense responsável pelo programa "Shadow Squad", deseja formar roteiristas locais. 

Tony se anima, ele escreve desde os 12 anos, quando fazia gazeta e se escondia na biblioteca central para escrever piadas sobre a vida na escola. Ele volta para casa e começa um roteiro para o programa de Harry Elton. No dia seguinte apresenta-se novamente ao atônito segurança, desta vez como roteirista. A carreira deste intrépido jovem apenas começa e os personagens de sua criação roubam-lhe a cena. Tony quer escrever sobre a vida que ele conhece, um drama com "sujeira sob as unhas". Assim nasceu a rua de casas geminadas (terraced street) Coronation Street, onde os moradores colocavam garrafas vazias na porta à noite e recebiam o leite pela manhã. A busca por atores do Norte da Inglaterra, que costumavam fazer apenas papéis secundários no cinema, e o desenvolvimento de todo projeto - da escolha do título ao vestuário - tomam a tela, num ritmo agradável, em ambiente acolhedor. Gostei tanto, que, com 32 minutos de filme, senti aquela deliciosa urgência de compartilhar a descoberta e pulei no teclado para escrever essa postagem. Isso é raro...

Em se tratando de um filme britânico, é até supérfluo mencionar a excelência do elenco, mas foi um prazer reencontrar rostos entrevistos em produções do passado, mas cujo nome desconhecia. Destaques para Celia Imrie (Doris Speed) e Jane Horrocks (Margaret Morris), que criou a talentosa e tímida LV em "Laura: A Voz de uma Estrela" (Little Voice). "A Vida de Pessoas Reais" foi premiado com o BAFTA TV como Melhor Single Drama em 2011. Imperdível.

Diretor: Charles Sturridge
Roteiro: Daran Little
Musica: Adrian Johnston
Fotografia: Tim Palmer
Designer de Produção: Chris Truelove
Diretor de Arte: Richard Downes
Elenco: David Dawson, Jane Horrocks, Lynda Baron, Steven Berkoff, Sophia Di Martino, Celia Imrie, Christian McKay, Shaun Dooley, Henry Goodman, James Roache
Distribuidora: Focus Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A Alegria de Emma

Emmas Glück * *
Emma's Bliss
(2006) 99 min (16 anos)
O medo da morte é pior do que a própria morte

Alemanha - Emma Struwe corre no jardim, entre as galinhas e porcos da fazenda. Ela chama um deles, dando um agrado, coça-lhe as costas, abraça, abaixa-se e alcança uma faca, escondida sob a palha dourada esparramada sobre a grama. Então, ainda conversando passa a lâmina no pescoço do suíno, enquanto conta lentamente. "Um, dois, três... Viu, não doeu. Como prometi." Depois, carrega o corpo inerte para o galpão, depila e corta em pedaços. Tudo está terminado quando ela recebe a visita inesperada do desajeitado policial Henner, acompanhado da mãe. Emma deve dinheiro ao banco, luz e telefone já foram cortados. Henner e progenitora desejam que ela venda a propriedade e se case com o apaixonado policial. Mas não é essa a vontade da jovem fazendeira e ela expulsa-os com a ajuda de sua espingarda.

Enquanto isso, na cidade, Max Bienen, um vendedor de carros usados, entra na máquina de ressonância magnética. Ao descobrir o verdadeiro motivo de suas dores no abdômen, Max constata: "-Estou morrendo..." Ele tem um tumor no pâncreas. O médico sugere que continue com sua rotina de sempre, mas Max tem outras ideias, prefere ir para o México, deitar numa rede e observar os pelicanos. Arruma a mala em casa, rouba o caixa dois da revendedora em que trabalha e foge num belo Jaguar. Perseguido pelo chefe Hans, Max acelera, perde o controle do carro e sai da estrada, rompendo a cerca e caindo no terreno de Emma. 

Logo a fazendeira o encontra, assim como ao dinheiro, que ela trata de esconder, antes de queimar o Jaguar. Emma limpa o fugitivo, cobre com curativo um ferimento lateral e coloca-o, ainda inconsciente, para repousar em sua cama. A jovem sente-se atraída por esse homem diferente de todas as pessoas que ela conhece e convida-o a ficar na fazenda. "- Você mora sozinha?" "- Não, responde Emma sorrindo, tenho 21 porcos, 3 porcas, 17 leitões." Além das galinhas e dos gansos, é claro. Haverá um futuro para Max na companhia de Emma?

Assisti à "Alegria de Emma" já faz um tempo e salvei-o para comemorar os 7 anos de aniversário do By Star, por ser um filme diferente, bonito, vibrante, forte e cheio de humor, que não se esquece facilmente. A personagem Emma é puro instinto e alegria de viver - uma força da natureza. Mas, criada exclusivamente pelo avô, já falecido, algumas qualidades básicas ficaram faltando na sua educação. Como diriam minhas avós, sua casa é um pardieiro. O organizado Max exercerá uma função civilizadora na bela selvagem e ela aprenderá até a valorizar uma mesa posta e os legumes como acompanhamento necessário numa refeição. "A Alegria de Emma" recebeu vários prêmios em 2007, inclusive Fotografia, Melhor Filme e Melhor Atriz.

Diretor: Sven Taddicken
Roteiro: Ruth Toma & & Claudia Schreiber
Musica: Christoph Blaser, Steffen Kahles
Fotografia: Daniela Knapp
Designer de Produção: Peter Menne
Diretora de Arte: Christiane Krumwiede
Elenco: Jördis Triebel, Jürgen Vogel, Maik Solbach, Martin Feifel, Hinnerk Schönemann, Nina Petri
Distribuidora: Europa Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Refém da Paixão

Labor Day
(2013) 111 min (12 anos)

EUA, 1987, Dia do Trabalho - Adele Wheeler é a solitária mãe de Henry, um garoto de 13 anos que começa a se interessar por garotas, especialmente a precoce Eleanor. O pai de Henry casou-se novamente e gostaria que o filho viesse morar com ele e a nova mulher. Mas Henry sabe o quanto a frágil Adele precisa dele. Desde que o marido a abandonou, sente-se insegura e tem medo de sair de casa. 

Num dia em que mãe e filho estão fazendo compras, um homem ferido aproxima-se do menino, pede sua ajuda, e volta para a casa com eles. O homem é Frank Chambers, um prisioneiro procurado pela polícia. Tensos, Adele e Henry não vêem outra saída do que colaborar com o fugitivo, mas, durante os cinco dias que passa na casa dos Wheeler, Frank vai se revelando uma pessoa prestativa e dotada de princípios. 

"- Mãe, esse homem não existe!" Esse comentário de minha filha do meio enquanto assistíamos o filme me divertiu, e foi se repetindo, cada vez que o fugitivo exibia mais uma de suas inúmeras habilidades e virtudes. Ora víamos Frank consertando a casa ou ensinando Henry a jogar baseball, ora dançando com Adele, limpando o chão ou preparando uma torta de pêssego - em todos os momentos sempre educado, solícito, atencioso, preocupado em não prejudicá-los. 

Mas "Refém da Paixão" convence, especialmente pelo ótimo desempenho de Kate Winslet e Josh Brolin. E o final agrada, é bastante razoável. Até conheço um homem que se aproxima dessa descrição positiva de Frank, mas esse marido real não sabe fazer torta de pêssego. Afinal, como disse minha filha casada, ninguém é tão perfeito.


Ah, essa torta de pêssego!


Diretor: Jason Reitman
Roteiro: Jason Reitman, baseado no romance de Joyce Maynard
Musica: Rolfe Kent
Fotografia: Eric Steelberg
Designer de Produção: Steve Saklad
Diretor de Arte: Mark Robert Taylor
Elenco: Kate Winslet, Josh Brolin, Gattlin Griffith, Brighid Fleming, Clark Gregg, James Van Der Beek, Tobey Maguire, Maika Monroe, Brooke Smith, JK Simmons
Distribuidora: Paramount

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante




quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A Culpa é das Estrelas

The Fault in Our Stars *
(2014) 125 min (12 anos)

EUA - Deitada sobre a grama, Hazel Grace Lancaster contempla as estrelas.  A adolescente tem uma historia triste a contar. Portadora de um câncer na tireoide em estágio 4, a adolescente teve seus pulmões afetados e só consegue respirar com a ajuda de um tanque de oxigênio, que ela precisa carregar para todo lado. Julgando-a deprimida, sua mãe insiste para que frequente o grupo de apoio na igreja do bairro, para fazer amigos. A estratégia dá certo e Hazel conhece Augustus Waters. Gus teve oesteosarcoma e perdeu a perna direita, mas não perdeu o humor. Os dois se tornam inseparáveis.

Numa de suas longas conversas, Gus dá uma cópia de seu livro favorito a Hazel e ela lhe recomenda aquele com o qual mais se identifica: "Uma Aflição Imperial", de Peter van Houten. Gus fica frustrado porque o romance termina abruptamente, no meio de uma frase da personagem principal. Hazel explica que o autor retirou-se para viver em Amsterdam e que já lhe escrevera várias cartas, perguntando sobre o destino dos personagens. Gus consegue comunicar-se com a assistente do escritor, o que culmina com um convite para uma visita a Amsterdam. Hazel fica eufórica, está vivendo os melhores de seus dias, mas a família não tem meios de pagar a viagem. Então Gus tem outra ideia, seus trunfos ainda não terminaram...

É interessante o desabrochar de Hazel a partir do relacionamento com Gus, mas em "A Culpa é das Estrelas" o que mais me impressionou mesmo foi a atuação do casal de atores adolescentes. Assisti há poucas semanas o filme de ficção científica "Divergente", no qual ambos mostraram um desempenho razoável, mas nada que deixasse antever a natural sensibilidade exibida nesse drama de autoria do escritor John Green. "A Culpa é das Estrelas" serve bem para um debate sobre sofrimento, medo da morte e sentido da vida. E, no final das contas, só o amor e a dedicação às pessoas amadas dão sabor à existência, seja ela curta ou longa.

Curiosidade:
* O título do livro no qual se baseia o filme deriva de uma citação da peça "Julio Cesar", de William Shakespeare (Ato 1, cena 2): "The fault, dear Brutus, is not in our stars, but in ourselves". ("A culpa, caro Brutus, não está em nossas estrelas, mas em nós mesmos")

* O escritor John Green esteve presente durante a maior parte das filmagens para dar dicas e conselhos ao elenco.

* Para a personagem de Hazel, Green inspirou-se em Esther Earl, uma jovem de 15 anos que foi diagnosticada com câncer da tireoide. John Green conheceu-a numa convenção de Harry Potter em 2009. Esther chamou-lhe a atenção por estar carregando um tanque de oxigênio. Ele encantou-se com sua franqueza, humor e os vídeos que Esther colocou no Youtube.

* A réplica do interior da casa de Anne Frank foi construída em estúdio porque a produção não obteve permissão para filmar dentro da verdadeira residência.

Diretor: Josh Boone
Roteiro: Scott Neustadter & Michael H. Weber, baseado em romance de John Green
Musica: Mike Mogis, Nate Walcott
Fotografia: Ben Richardson
Designer de Produção: Molly Hughes
Diretores de Arte: Gregory A. Weimerskirch, Edwin Kemper
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Nat Wolff, Laura Dern, Willem Dafoe, Lotte Verbeek, Sam Trammell
Distribuidora: Fox Film do Brasil

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Trailer de Downton Abbey - 5ª temporada




Os britânicos começam a assistir a 5ª temporada de Downton Abbey no dia 21 de setembro. 
No Brasil, a série só recomeça em 2015, pelo canal GNT. 
Parece que o escritor Julian Fellowes caprichou naquela que deve ser a última temporada da série inglesa. 
Mas eu quero um final feliz, chega de mortes traumáticas!






domingo, 7 de setembro de 2014

Toque de Mestre

Grand Piano
(2013) 90 min (12 anos)

EUA - O jovem pianista Tom Selznick deixou de se apresentar em público depois de ter congelado durante um concerto no qual deveria tocar "La Cinquette". A peça do compositor Patrick Godureaux era considerada muito difícil, praticamente intocável. Cinco anos depois, Tom é convidado para um concerto em Chicago, em homenagem a Godureaux, que havia sido seu mentor. O próprio piano do compositor, já falecido, seria levado para o show. Incentivado pela esposa Emma, famosa atriz de cinema, Selznick foi encorajado a vencer o pânico e participar da apresentação.

Alguns minutos antes de subir ao palco, um funcionário do teatro entrega a Tom o caderno de partituras que ele havia esquecido no camarim. O pianista abre a pasta e vê o manuscrito de "La Cinquette". Desgostoso, amassa a partitura, deixa-a cair no chão e dirige-se para o palco. Selznick toca brilhantemente a primeira música e é muito aplaudido. Ao continuar virando as folhas, vê um aviso escrito em letras vermelhas: "Erre uma nota e você morre". 

Outras frases ameaçadoras se seguem em outras páginas e um ponto de luz vermelha é posicionado na mão do pianista. Alguém está apontando uma arma para a orquestra! Durante um intervalo, Tom corre para o camarim onde recebe uma mensagem no celular, ordenando que olhe em sua mochila. Num dos compartimentos ele encontra um fone de ouvido. A partir do momento em que coloca o fone, Selznick está sob o comando de um atirador desconhecido, que lhe ordena que toque "La Cinquette" sem cometer qualquer erro, ou Tom e Emma serão mortos dentro do teatro.

"Toque de Mestre" provoca algum suspense, mas a maior curiosidade sobre o filme fica por conta de dois atores oriundos de séries muito queridas. Podemos dizer que "Downton Abbey encontra Hobbit". Elijah Wood dá vida a Tom Selznick e Allen Leech, que interpreta o genro de Lord Crawley na série inglesa, faz um pequeno papel como amigo de Emma, a esposa de Tom. Com boa vontade e um pote de pipoca, "Toque de Mestre" dá para distrair. Torço para que surjam outros desafios ainda mais interessantes para os dois artistas.

Curiosidade:
* Elijah Wood treinou durante 3 semanas com um professor de piano antes das gravações começarem. Para ele foi estressante tocar e conversar ao mesmo tempo.

Diretor: Eugenio Mira
Roteiro: Damien Chazelle
Musica: Victor Reyes
Fotografia: Unax Mendia
Designer de Produção: Javier Alvariño
Diretor de Arte: Jaime Anduzia
Elenco: Elijah Wood, Kerry Bishé, Allen Leech, Tamsin Egerton, Dee Wallace, Jim Arnold, John Cusack
Distribuidora: PlayArte Home Video

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O Passado

Le Passé *
(2013) 130 min (12 anos)

França - O iraniano Ahmad chega a Paris, depois de 4 anos, para encontrar sua ex-esposa Marie e oficializar o divórcio. Por insistência dela, ele fica na mesma casa em que ambos moraram com as duas filhas do primeiro casamento de Marie: Lucie e Lea gostam muito de Ahmad. A nervosa Marie tem esperanças de que o iraniano possa conversar com Lucie, sua filha adolescente, que não aceita o novo relacionamento da mãe com Samir. O árabe dono de uma lavanderia é um homem ainda casado, cuja mulher tentou suicídio e encontra-se em estado de coma numa clínica. O casal tem um menino que também está morando com Marie.

Assistir "O Passado" é mergulhar profundamente nos meandros dos sentimentos que envolvem os três adultos e as três crianças. Temos diante de nós um quebra-cabeças, cujas peças são entregues uma a uma. As ideias que vamos formando sobre a situação dos personagens principais vão sendo alteradas a cada nova revelação da trama. Uma história tão humana e bem contada, o trabalho magnífico de todos os atores, e a simpatia que desenvolvemos por cada um deles, não me impediram de ficar um tanto impaciente ao final, ansiosa por um desenlace que me pareceu custar a chegar. "O Passado" recebeu indicações para diversas premiações internacionais e ganhou o Prêmio Ecumênico do Festival de Cannes.

Curiosidade:
* Asghar Farhadi escreveu o script em persa e passou dois anos na França para perceber o ritmo da língua francesa e julgar melhor a tradução do roteiro e a performance dos atores. Ele precisou de um intérprete para dirigir o filme.

* O ator Ali Mosaffa (Ahmad) aprendeu francês dois meses antes das filmagens começarem.

Diretor: Asghar Farhadi (A Separação, Procurando Elly)
Roteiro: Asghar Farhadi
Musica: Youli Galperine,Evgueni Galperine
Fotografia: Mahmoud Kalari
Designer de Produção: Claude Lenoir
Elenco: Bérénice Bejo, Ali Mosaffa, Tahar Rahim, Pauline Burlet, Elyes Aguis, Jeanne Jestin, Sabrina Ouazani, Babak Karimi, Valeria Cavalli, Aleksandra Keblanska
Distribuidora: California Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A Grande Ilusão

The Truth about Emanuel
(2013) 95 min (14 anos)

EUA - Emanuel tem 17 anos e uma silhueta esbelta; é arredia, dona de longos cabelos escuros e olhos indecisos entre o azul e o verde. A jovem sente-se como uma usurpadora, "uma assassina sem intenção de matar", pois sua mãe morreu ao dar-lhe a luz. Poderia ser feliz ao lado do pai Dennis e de Janice, uma madrasta que anseia pela chance de exercer sua maternidade - mas a adolescente prefere isolar-se. Após terminar o ensino médio, desistiu de estudar e empregou-se na farmácia local, onde trabalha ao lado do tímido Arthur.

Emanuel olhava pela janela do quarto, quando chegou o caminhão de mudança na casa ao lado - foi assim que observou a nova moradora com um bebê ao colo. Logo que surgiu a oportunidade, a curiosa jovem ofereceu-se como baby-sitter. Talvez porque a vizinha Linda tivesse o mesmo biotipo da mãe de Emanuel. Aos poucos, forma-se um vínculo de afeto entre as duas. Passados alguns dias, a adolescente descobre que a bebê Chloë não passa de uma boneca articulada. Após o choque inicial, ela mantem a farsa, procurando proteger a frágil fantasia de Linda de outros olhos curiosos.

"A Grande Ilusão" é um filme sobre a dor. A dor de perder um filho, a dor de não poder ter filhos, a preocupação inevitável de quem tem filhos, assim como a tristeza de ser filho sem ter conhecido os pais. Mas é também uma historia sobre a doçura de poder amar alguém sem vínculos biológicos, como se fosse o pai ou o filho mais próximo e querido. Um filme sensível, interpretado por um ótimo elenco, que vale uma conferida. Há apenas um breve diálogo sobre o comportamento de Emanuel, entre a madrasta Janice e a vizinha Linda, que destoa um pouco do contexto da história. Pensei que poderia referir-se à própria opção sexual da diretora do filme, que é homossexual.

Diretora: Francesca Gregorini
Roteiro: Francesca Gregorini, baseado em história de Sarah Thorp e Francesca Gregorini
Musica: Nathan Larson
Fotografia: Polly Morgan
Designer de Produção: Anne Costa
Diretor de Arte: Brittany Bradford
Elenco: Kaya Scodelario, Jessica Biel, Alfred Molina, Frances O'Connor, Jimmi Simpson, Aneurin Barnard
Distribuidora: California Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Domingos de Oliveira

Um pensamento de Domingos de Oliveira que faz refletir...


“Tem que banir a expressão ‘filme de arte’. Tem o filme útil, que ajuda você a viver. 
Se o filme não te ajuda a enfrentar o mundo ou a fazer um mundo melhor, não é arte”. 

Li recentemente essa declaração do diretor e dramaturgo Domingos de Oliveira e não parei mais de pensar nela. Fez sentido para mim. Assim como muitos livros, há os filmes que me ajudaram a compreender melhor a vida e me fizeram amadurecer. Estão entre os favoritos, aqueles que ainda me emocionam e não canso de rever. Embora pareça ter dito o contrário - "Toda arte é completamente inutil" (prefácio de O Retrato de Dorian Gray) - até Oscar Wilde haveria de concordar que, através da arte, nos tornamos mais humanos.

No dia de 26 de agosto de 2014, Domingos de Oliveira será homenageado pelos seus pares da Academia Brasileira de Cinema, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Uma homenagem merecida.

Uma Fazenda do Barulho

Funny Farm * *
(1988) 98 min (Livre)

EUA - Andy Farmer é o enturmado jornalista novaiorquino que sonha mudar-se para o campo e escrever um grande romance. Junto com a esposa Elizabeth, o cronista esportivo compra uma fazenda na Nova Inglaterra, no arborizado estado de Vermont. Para lá se dirigem de carro, cheios de expectativas sobre uma vida rural tranquila, cercada de vizinhos tão acolhedores como os personagens das pinturas de Norman Rockwell. A experiência não começa tão bem, pois o motorista do caminhão de mudanças se perde, confundido pela ausência de placas e as informações insatisfatórias dos habitantes locais. O casal passa seu primeiro dia faminto, na casa vazia, em Redbud.

Já instalados, Andy organiza seu escritório cuidadosamente no segundo andar. Busca uma boa iluminação, colocando a mesa com a máquina de escrever próxima à janela. Mas a inspiração não vem, os passarinhos cantam alto demais, os vizinhos são arredios, o carteiro é um motorista alucinado que arremessa a correspondência à toda velocidade, há cobras no lago e um cadáver no terreno, o cachorro companheiro não para quieto e corre até se perder de vista. Para piorar, o pretenso escritor começa a se ressentir das críticas de Elizabeth ao livro e a relação do casal só vai se deteriorando. Logo eles estão considerando o divórcio - mas antes precisam passar a fazenda. 

Para garantir uma venda rápida, os Farmer não se contentam em arrumar a casa, mas reúnem os habitantes de Redbud e distribuem revistas com as ilustrações de Norman Rockwell para o Saturday Evening Post, para que os locais aprendam a se comportar de forma amigável. Um bônus de US$50 dólares é oferecido a cada um dos moradores que se empenharem na tarefa de seduzir compradores. Redbud prepara-se para um Natal como nunca antes se viu por aquelas bandas. A cidade é toda decorada, vizinhos cumprimentam-se amavelmente, o carteiro aparece pela primeira vez, e ainda traz um agrado de presente, um grupo circula pela cidade cantando músicas de Natal. O plano funciona maravilhosamente e os primeiros compradores se apaixonam pela casa e pela cidade. Mas Andy terá coragem de se despedir desse sonho?

O casal protagonista de "Uma Fazenda do Barulho" não é muito melhor do que os excêntricos moradores de Rosebud. Andy fica enciumado quando um projeto de Elizabeth é bem sucedido e a faminta esposa esconde as únicas frutas disponíveis no dia da mudança, para não ter que dividir com o marido. Suas mesquinharias não nos impedem de torcer por eles até o fim! O filme será difícil de encontrar para venda ou locação. Não desista, quem sabe consegue baixar da internet. Linda a fotografia de Miroslav Ondrícek! Se quiser ver várias outras fotos do filme, basta clicar a página do blog "hookedonhouses". "Uma Fazenda do Barulho" é uma de minhas comédias favoritas e a que escolhi para festejar o dia do meu aniversário no By Star.

Curiosidade:
* O filme foi gravado em três cidades de Vermont: Windsor, Vermont e Townshend, usando extras locais. O parque de Townshend traz uma lembrança inusitada da produção de "Funny Farm". Para que as árvores sugerissem meados de outono, a equipe pintou suas folhas, o que matou todas as árvores, exceto uma! Hoje, as árvores recém-plantadas são significativamente mais baixas do que a única sobrevivente à filmagem de "Uma Fazenda do Barulho".

Diretor: George Roy Hill
Roteiro: Jeffrey Boam, baseado no livro de Jay Cronley
Musica: Elmer Bernstein
Fotografia: Miroslav Ondricek (Amadeus, O Baile dos Bombeiros, Na Época do Ragtime, Valmont)
Designer de Produção: Henry Bumstead
Elenco: Chevy Chase, Madolyn Smith, Kevin O'Morrison, Mike Starr, Glen Plummer, Kevin Conway (o carteiro invisível), Alice Drummond, Nesbitt Blaisdell, Bill Fagerbakke, Raynor Scheine
Distribuidora: Warner

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

ilustrações de Norman Rockwell

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