Lista de sugestões de filmes interessantes. Dicas de DVDs e Blu-rays novos e antigos encontrados nas locadoras brasileiras. Cada postagem traz foto da capa, breve sinopse, censura, diretor, distribuidora, elenco, responsáveis pelo roteiro, musica e fotografia. Com o eterno deslumbramento de fã apaixonada, By Star Filmes acredita que o cinema emociona, ensina e é a melhor diversão.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Uma Juíza sem Juízo

9 Mois Ferme *
9 Month Stretch
(2013) 82 min (14 anos)

França - Ariane Felder é uma esbelta juíza de quarenta anos, de hábitos severos, solteira convicta, totalmente dedicada aos processos do tribunal. Durante a festa de Reveillon no Palácio da Justiça, um grupo de animados colegas de trabalho quer sua participação e vai buscá-la no escritório. Para misturar-se ao clima de bagunça, Ariane bebe algumas taças de champanhe, ao lado do risonho De Bernard. Quando consegue sair do prédio, no início da madrugada, está trôpega, ainda levando na cabeça uma longa peruca branca, usada nas cortes francesas. Seis meses depois, a juíza descobre-se grávida, sem ter qualquer ideia sobre como isso aconteceu. 

Ariane começa uma investigação particular para descobrir o pai da criança. De Bernard é o primeiro suspeito e uma pesquisa sobre seus ascendentes não ajuda a tranquilizar a mãe relutante. Depois de um teste de DNA, surge o nome do verdadeiro pai do bebê. Mais assustada ainda fica a juíza. O resultado indica Bob Nolan, um ladrão contumaz, perseguido como suposto autor de um crime bárbaro. Nolan teria sido surpreendido durante o roubo ao apartamento de um senhor de 83 anos. Fugiu depois de serrar braços e pernas do idoso, além de ter comido seus olhos. 

Através das câmeras de vigilância do bairro, Ariane descobre que passou os primeiros minutos do novo ano discursando para um grupo de prostitutas. Desagradadas de suas palavras, elas protestaram vivamente. Foi resgatada por Bob Nolan da confusão armada. Continuou conversando com Bob na rua, até o momento em que se atirou sobre ele e liberou toda sua própria fúria sexual.

Conhecendo sua fama de juíza séria, e ignorando a gravidez, Bob pede ajuda a Ariane para descobrir falhas no processo que o incriminam injustamente. Ele pode ser um ladrão, pessoa de pouca instrução, um arrombador experiente, mas seria incapaz de agredir um idoso, e muito menos de comer-lhe os olhos. Bob dá valor à vida humana.

br.cinema.yahoo.com
"Uma Juíza sem Juízo" foi indicado para seis categorias do César. Venceu como Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz (Sandrine Kiberlain). É uma comédia inteligente, interpretada por um elenco admirável. Surpreendeu-me descobrir que o ator Albert Dupontel (Um Lugar na Plateia, No Mundo do Poder) é também um diretor competente. Aliás, como tantos outros atores-diretores. O divertido filme orienta o olhar para além dos preconceitos, da mania de rotular as pessoas, e nos poupa de soluções holywoodianas. Mais importante ainda, sugere que uma criança é sempre um dom, ainda que seja concebida em circunstâncias desfavoráveis. E que as almas simples podem superar em sabedoria os muito instruídos.

Curiosidades:
* Para escrever o roteiro, Albert Dupontel inspirou-se no documentário "10e chambre, instants d'audience", de Raymond Depardon. A juíza Michèle Bernard-Requin aparece no documentário e interpreta a presidente do tribunal em "Uma Juíza sem Juízo".

* Nos noticiários da TV aparecem Terry Gillian e o ator Jean Dujardin, como tradutor na linguagem de sinais. (Rubens Ewald Filho)

Diretor: Albert Dupontel 
RoteiroAlbert Dupontel, Héctor Cabello Reyes, Olivier Demangel
Musica: Christophe Julien
Fotografia: Vincent Mathias
Elenco: Sandrine Kiberlain, Albert Dupontel, Nicolas Marié, Philippe Uchan, Christian Hecq, Philippe Duquesne, Bouli Lanners, Michèle Bernard-Requin
Distribuidora: Europa Filmes


*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Viva a Liberdade

Viva la Libertà * *
(2013) 96 min (12 anos)
"É primavera, sutis véus de neblina 
circundam a montanha sem nome.
É minha essa figura de costas que caminha na chuva?"

Italia - Enrico Oliveri é senador de esquerda e secretário do principal partido de oposição ao governo da Italia. Como se não bastasse estar em baixa nas pesquisas eleitorais, Enrico é violentamente confrontado por uma professora de ensino médio durante um congresso do partido. Sem avisar seu braço direito, Andrea Bottini, o político parte durante a noite para se refugiar na casa de Danielle, uma amiga de infância, casada agora com o famoso cineasta Mung. O casal mora em Paris. Bottini telefona para a esposa de Oliveri, mas ela estava viajando e desconhece seu paradeiro. A última cartada do fiel assessor é ir no encalço de Giovanni Ernani, o irmão gêmeo de Enrico, um brilhante professor de filosofia, que acabou de sair de uma clínica psiquiátrica. O imprevisível gêmeo adora dançar e escreveu "A Ilusão de Viver".

Giovanni não sabe do irmão, mas aceita o desafio de substituí-lo em suas obrigações partidárias. Com as roupas e os óculos de Enrico, o professor toma o carro com motorista e vai ao encontro do público. Depois de jogar fora o rascunho de um discurso preparado de antemão para ele, Ernani é a cópia perfeita de Enrico, mas traz no rosto um sorriso maroto e surpreende a todos com citações poéticas, perguntas diretas e corajosas confissões de erro. Entre outras de suas contribuições valiosas está a rejeição de alianças partidárias banais, em prol de uma aliança com a consciência das pessoas. A esperança renasce nos eleitores italianos e ele dispara nas intenções de voto.

Enquanto isso, na França, Enrico deixou para trás os cabelos pintados, a burocracia e o distanciamento de toda gente. Dono de si, de volta à vida real, ele prepara um omelete, é capaz de conversar com uma criança e servir de ajudante de contra-regra num set de filmagem. Político e professor convergem numa mesma direção.

"Viva a Liberdade" traz o fantástico Toni Servillo ("A Grande Beleza") no duplo papel de Enrico-Ernani. Toni tem novamente a chance de colocar em uso sua simpatia e contagiante habilidade de dançarino. O filme é leve e empolgante, sobretudo quando nos traz a imagem do que gostaríamos de ver em nossos políticos: a sinceridade e o espírito publico. "Para derrotar esse governo, o pior da nossa história, é lícito aliar-se até com o diabo?" (...) "O consenso é coisa séria. Não tem nada a ver com alianças. A única aliança possível hoje é com a consciência das pessoas." Que maravilha seria resolvermos todos os nossos problemas com um haikai*, humor, musica e generosidade!  "Viva a Liberdade" ganhou o David de Donatello pelo Melhor Roteiro e o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante foi para Valerio Mastrandrea, no papel de Andrea Bottini. Os sites Eye for Film (em inglês) e My Movies (em italiano) trazem belas crítica ao filme.

Curiosidades
* O personagem do cineasta Mung, marido de Danielle, mostra para Enrico um filme de arquivo com um depoimento de Federico Fellini, no qual o diretor italiano protesta contra a velhacaria bárbara da censura que devorava o cinema. (Ver capítulo 6, aos 76 minutos). 
"Felinni foi o artista que mais lutou para que a indecência não se tornasse um hábito." - conclui Mung.

* Haikai é uma forma poética de origem japonesa que valoriza a concisão e a objetividade.  Os poemas têm três linhas e são populares desde o século XVI.(wikipedia)

Diretor: Roberto Andò
Roteiro: Roberto Andò e Angelo Pasquini, baseado no livro "Il Trono Vuoto", de Andò.
Musica: Marco Betta
Fotografia: Maurizio Calvese
Designer de Produção: Giovanni Carluccio
Elenco: Toni Servillo, Valerio Mastrandrea, Valeria Bruni Tedeschi, Michela Cescon, Anna Bonaiuto, Eric Nguyen, Judith Davis, Andrea Renzi, Gianrico Tedeschi, Massimo De Francovich, Renato Scarpa, Lucia Mascino, Giulia Ando, Stella Kent.
Distribuidora: Paramount

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

sábado, 27 de setembro de 2014

Malévola

Maleficent * *
(2014) 96 min (10 anos)

Era uma vez dois reinos vizinhos. O Reino das Pessoas, onde reinava um soberano ganancioso sobre um povo descontente e invejoso das riquezas do país vizinho. No Reino da Floresta viviam diversos tipos de criaturas estranhas e maravilhosas. Neste reino não havia reis, rainhas, ou soldados, bastava a confiança mútua. Em uma árvore imponente morava uma jovem fada com grandes asas, um par de chifres torneados e um inocente sorriso, que se chamava Malévola. 

Malévola era um espírito livre, solitário e poderoso que gostava de voar, brincar e consertar os ramos das árvores. Traída por um humano, e tendo perdido sua estonteante liberdade e alegria, a protetora da floresta endureceu o coração e lançou um feitiço contra a recém-nascida Aurora, filha de seu malfeitor. Essa é a história de como, apesar de tudo, Malévola foi tocada pela inocência, confiança e amor da jovem princesa. Escondida dentro da mata, a fada que um dia foi boa só tem como companhia o corvo Diaval, que ela transforma nos animais que lhe convém em cada momento.

Deixei de assistir "Malévola" no cinema por conta de sessões dubladas e em 3D. Teria gostado muito de ver o Reino das Fadas na tela grande. Paciência. Para quem não viu, ou quer rever, vale alugar o blu-ray pelos poucos extras, especialmente para ver Vivienne Jolie-Pitt sair dos braços da mãe para os do pai, que a esperava escondido, junto dos outros filhos. Muito bonitinho. Depois de assustar algumas crianças com sua fantasia sinistra, Angelina avaliou que certamente sua filha não teria medo dela.

No By Star "Malévola" ganhou o direito a uma Nota DEZ por ser um produto Disney em toda sua glória. As roupas e cenários são divinos! Angelina está esplêndida, assim como as fadinhas tolas, Diaval e a atriz que interpreta Malévola criança. Mas roubei uma estrelinha do filme para mostrar meu descontentamento pelos personagens masculinos desprezíveis. O melhor homem na tela é na realidade um corvo! Não espere ver uma versão fiel ao desenho animado da Disney se quiser divertir-se com essa visão de Linda Woolverton e Robert Stromberg.
Angelina com Vivienne Jolie-Pitt

Curiosidades:
* Todo o elenco foi parcialmente escolhido pela sua semelhança com os personagens do desenho animado "A Bela Adormecida" (1959), da Disney.

* As próteses e maquiagem de Malévola foram inspiradas na cantora Lady Gaga, especialmente na capa do álbum "Born This Way".

* Angelina Jolie baseou sua entonação na fala de Eleanor Audley, que dublou Malévola no desenho animado da Disney. Sua risada no filme também foi baseada na melhor variação que ela apresentou e seus filhos ajudaram a escolher.

* A própria Angelina escolheu Lana Del Rey para cantar a versão de "Once Upon a Dream", tema musical de "A Bela Adormecida" (1959).

Diretor: Robert Stromberg
Roteiro: Linda Woolverton & Charles Perrault, baseado na historia da "Bela Adormecida"("La Belle au bois dormant")
Isabelle Moloy como Malevola criança
Musica: James Newton Howard
Fotografia: Dean Semler
Designer de Produção: Dylan Cole, Gary Freeman
Diretores de Arte: David Allday, Frank Walsh, Paul Laugier
Elenco: Angelina Jolie, Sharlto Copley, Elle Fanning, Sam Riley, Imelda Staunton, Lesley Manville, Juno Temple, Isobelle Molloy (Malévola criança), Ella Purnell (Malévola adolescente), Jackson Bews, Vivienne Jolie-Pitt (Aurora 5 anos), Eleanor Worthington-Cox (Aurora 8 anos), Janet McTeer (Narradora), Kenneth Cranham, Hannah New
Distribuidora: Disney

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante


A Grande Volta

La Grande Boucle *
(2013) 97 min (12 anos)

França - Apaixonado por ciclismo, François Nouel não perde um Tour de France. Para seu azar, justamente quando estava para sair de férias com a mulher e o filho, seu chefe exige que substitua um colega na caravana do Tour. Sem coragem de contar a verdade a Sylvie, os dois vão juntos para o coquetel de apresentação da equipe de corrida de seu empregador. Nesta mesma noite, o ciclista amador estraga o talismã da sorte de Toni Agnelo, o vaidoso líder da equipe Sport 2000, além de perder o emprego e a esposa, que parte de férias com o filho Thomas.

Sozinho na festa, François conhece Rémi Plétinckx, antigo vencedor do Tour, que hoje está vencido pelo álcool. Os dois bebem juntos e François decide realizar seu antigo sonho de correr o Tour de France, saindo um dia antes dos profissionais. Nesse caminho ele conhece a família Bojean, que o acompanha no percurso em seu trailer. Plétinckx e os Bojean serão a equipe de apoio que ajuda François a cumprir seu projeto da juventude. Além de exaustão, corrente quebrada, pneu furado, bloqueios da polícia, no caminho de François haverá deserções e alianças insuspeitadas. 

"A Grande Volta" é um filme que pode agradar não só os ciclistas mas qualquer um que deseje passar momentos despreocupados, embalado pelas belas paisagens da França.

Curiosidade:
* O Tour de France, ou "La Grande Boucle", é uma competição de ciclismo por etapas, que acontece todos os anos no mês de julho. Os competidores percorrem mais de 3.000 km. A corrida é organizada por ASO (Groupe Amaury)

* A fim de tornar o filme mais realista, os produtores pediram à Amaury Sport Organization para utilizar as instalações e imagens do Tour de France. Graças a essa parceria, "A Grande Volta" pôde ser filmado nos meses de junho e julho de 2012. Assim eles foram capazes de utilizar os lugares reais de chegada e partida, incluindo o Champs Élysées, os quais puderam percorrer durante duas horas, pouco antes da chegada dos ciclistas profissionais.

Diretor: Laurent Tuel
Roteiro: Layes Belaïdouni & Yohan Lévy & Roman Protat
Musica: André Manoukian
Fotografia: Gilles Porte
Designer de Produção: Arnaud de Moleron
Elenco: Clovis Cornillac, Ary Abittan, Bouli Lanners, Bruno Lochet, Élodie Bouchez, Annick Christiaens, Paul Granier, Rose Caprais
Distribuidora: Paramount

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

sábado, 20 de setembro de 2014

A Vida de Pessoas Reais

The Road to Coronation Street * *
(2010) 75 min (12 anos) feito para TV


Inglaterra - Só uma corajosa locadora de bairro, sobrevivente do bombardeio de Netflix e Now, é capaz de nos oferecer um filme tão delicioso e desconhecido como "A Vida de Pessoas Reais". E nada tão oportuno como um filme britânico para festejar a vitória do NÃO na Escócia. Não haverá deserção no Reino Unido! Isso dito, voltemos à história real. "The Road to Coronation Street" conta como surgiu a mais longa novela da TV britânica, desde a concepção até sua transmissão pela BBC Four em 9 de dezembro de 1960.

Uma jovem de coque, vestida de preto e sapatos altos, avança pelos corredores, gritando por Tony, que está trancado no banheiro e se recusa a sair. O show vai começar, agora tudo depende dos atores. O tempo recua e vemos um jovem magro em seu quarto, escolhendo cuidadosamente o que deve usar numa entrevista de trabalho. Na sequência, já é visto na recepção de um prédio, sendo interrogado pelo idoso segurança. Tony Warren busca uma oportunidade como ator na TV Granada, em Manchester. Suas esperanças afundam rapidamente no escritório de Margaret Morris, a responsável pelo elenco. Mas Margaret gostou do rapaz, ela lembra que Harry Elton, o produtor canadense responsável pelo programa "Shadow Squad", deseja formar roteiristas locais. 

Tony se anima, ele escreve desde os 12 anos, quando fazia gazeta e se escondia na biblioteca central para escrever piadas sobre a vida na escola. Ele volta para casa e começa um roteiro para o programa de Harry Elton. No dia seguinte apresenta-se novamente ao atônito segurança, desta vez como roteirista. A carreira deste intrépido jovem apenas começa e os personagens de sua criação roubam-lhe a cena. Tony quer escrever sobre a vida que ele conhece, um drama com "sujeira sob as unhas". Assim nasceu a rua de casas geminadas (terraced street) Coronation Street, onde os moradores colocavam garrafas vazias na porta à noite e recebiam o leite pela manhã. A busca por atores do Norte da Inglaterra, que costumavam fazer apenas papéis secundários no cinema, e o desenvolvimento de todo projeto - da escolha do título ao vestuário - tomam a tela, num ritmo agradável, em ambiente acolhedor. Gostei tanto, que, com 32 minutos de filme, senti aquela deliciosa urgência de compartilhar a descoberta e pulei no teclado para escrever essa postagem. Isso é raro...

Em se tratando de um filme britânico, é até supérfluo mencionar a excelência do elenco, mas foi um prazer reencontrar rostos entrevistos em produções do passado, mas cujo nome desconhecia. Destaques para Celia Imrie (Doris Speed) e Jane Horrocks (Margaret Morris), que criou a talentosa e tímida LV em "Laura: A Voz de uma Estrela" (Little Voice). "A Vida de Pessoas Reais" foi premiado com o BAFTA TV como Melhor Single Drama em 2011. Imperdível.

Diretor: Charles Sturridge
Roteiro: Daran Little
Musica: Adrian Johnston
Fotografia: Tim Palmer
Designer de Produção: Chris Truelove
Diretor de Arte: Richard Downes
Elenco: David Dawson, Jane Horrocks, Lynda Baron, Steven Berkoff, Sophia Di Martino, Celia Imrie, Christian McKay, Shaun Dooley, Henry Goodman, James Roache
Distribuidora: Focus Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A Alegria de Emma

Emmas Glück * *
Emma's Bliss
(2006) 99 min (16 anos)
O medo da morte é pior do que a própria morte

Alemanha - Emma Struwe corre no jardim, entre as galinhas e porcos da fazenda. Ela chama um deles, dando um agrado, coça-lhe as costas, abraça, abaixa-se e alcança uma faca, escondida sob a palha dourada esparramada sobre a grama. Então, ainda conversando passa a lâmina no pescoço do suíno, enquanto conta lentamente. "Um, dois, três... Viu, não doeu. Como prometi." Depois, carrega o corpo inerte para o galpão, depila e corta em pedaços. Tudo está terminado quando ela recebe a visita inesperada do desajeitado policial Henner, acompanhado da mãe. Emma deve dinheiro ao banco, luz e telefone já foram cortados. Henner e progenitora desejam que ela venda a propriedade e se case com o apaixonado policial. Mas não é essa a vontade da jovem fazendeira e ela expulsa-os com a ajuda de sua espingarda.

Enquanto isso, na cidade, Max Bienen, um vendedor de carros usados, entra na máquina de ressonância magnética. Ao descobrir o verdadeiro motivo de suas dores no abdômen, Max constata: "-Estou morrendo..." Ele tem um tumor no pâncreas. O médico sugere que continue com sua rotina de sempre, mas Max tem outras ideias, prefere ir para o México, deitar numa rede e observar os pelicanos. Arruma a mala em casa, rouba o caixa dois da revendedora em que trabalha e foge num belo Jaguar. Perseguido pelo chefe Hans, Max acelera, perde o controle do carro e sai da estrada, rompendo a cerca e caindo no terreno de Emma. 

Logo a fazendeira o encontra, assim como ao dinheiro, que ela trata de esconder, antes de queimar o Jaguar. Emma limpa o fugitivo, cobre com curativo um ferimento lateral e coloca-o, ainda inconsciente, para repousar em sua cama. A jovem sente-se atraída por esse homem diferente de todas as pessoas que ela conhece e convida-o a ficar na fazenda. "- Você mora sozinha?" "- Não, responde Emma sorrindo, tenho 21 porcos, 3 porcas, 17 leitões." Além das galinhas e dos gansos, é claro. Haverá um futuro para Max na companhia de Emma?

Assisti à "Alegria de Emma" já faz um tempo e salvei-o para comemorar os 7 anos de aniversário do By Star, por ser um filme diferente, bonito, vibrante, forte e cheio de humor, que não se esquece facilmente. A personagem Emma é puro instinto e alegria de viver - uma força da natureza. Mas, criada exclusivamente pelo avô, já falecido, algumas qualidades básicas ficaram faltando na sua educação. Como diriam minhas avós, sua casa é um pardieiro. O organizado Max exercerá uma função civilizadora na bela selvagem e ela aprenderá até a valorizar uma mesa posta e os legumes como acompanhamento necessário numa refeição. "A Alegria de Emma" recebeu vários prêmios em 2007, inclusive Fotografia, Melhor Filme e Melhor Atriz.

Diretor: Sven Taddicken
Roteiro: Ruth Toma & & Claudia Schreiber
Musica: Christoph Blaser, Steffen Kahles
Fotografia: Daniela Knapp
Designer de Produção: Peter Menne
Diretora de Arte: Christiane Krumwiede
Elenco: Jördis Triebel, Jürgen Vogel, Maik Solbach, Martin Feifel, Hinnerk Schönemann, Nina Petri
Distribuidora: Europa Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Refém da Paixão

Labor Day
(2013) 111 min (12 anos)

EUA, 1987, Dia do Trabalho - Adele Wheeler é a solitária mãe de Henry, um garoto de 13 anos que começa a se interessar por garotas, especialmente a precoce Eleanor. O pai de Henry casou-se novamente e gostaria que o filho viesse morar com ele e a nova mulher. Mas Henry sabe o quanto a frágil Adele precisa dele. Desde que o marido a abandonou, sente-se insegura e tem medo de sair de casa. 

Num dia em que mãe e filho estão fazendo compras, um homem ferido aproxima-se do menino, pede sua ajuda, e volta para a casa com eles. O homem é Frank Chambers, um prisioneiro procurado pela polícia. Tensos, Adele e Henry não vêem outra saída do que colaborar com o fugitivo, mas, durante os cinco dias que passa na casa dos Wheeler, Frank vai se revelando uma pessoa prestativa e dotada de princípios. 

"- Mãe, esse homem não existe!" Esse comentário de minha filha do meio enquanto assistíamos o filme me divertiu, e foi se repetindo, cada vez que o fugitivo exibia mais uma de suas inúmeras habilidades e virtudes. Ora víamos Frank consertando a casa ou ensinando Henry a jogar baseball, ora dançando com Adele, limpando o chão ou preparando uma torta de pêssego - em todos os momentos sempre educado, solícito, atencioso, preocupado em não prejudicá-los. 

Mas "Refém da Paixão" convence, especialmente pelo ótimo desempenho de Kate Winslet e Josh Brolin. E o final agrada, é bastante razoável. Até conheço um homem que se aproxima dessa descrição positiva de Frank, mas esse marido real não sabe fazer torta de pêssego. Afinal, como disse minha filha casada, ninguém é tão perfeito.


Ah, essa torta de pêssego!


Diretor: Jason Reitman
Roteiro: Jason Reitman, baseado no romance de Joyce Maynard
Musica: Rolfe Kent
Fotografia: Eric Steelberg
Designer de Produção: Steve Saklad
Diretor de Arte: Mark Robert Taylor
Elenco: Kate Winslet, Josh Brolin, Gattlin Griffith, Brighid Fleming, Clark Gregg, James Van Der Beek, Tobey Maguire, Maika Monroe, Brooke Smith, JK Simmons
Distribuidora: Paramount

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante




quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A Culpa é das Estrelas

The Fault in Our Stars *
(2014) 125 min (12 anos)

EUA - Deitada sobre a grama, Hazel Grace Lancaster contempla as estrelas.  A adolescente tem uma historia triste a contar. Portadora de um câncer na tireoide em estágio 4, a adolescente teve seus pulmões afetados e só consegue respirar com a ajuda de um tanque de oxigênio, que ela precisa carregar para todo lado. Julgando-a deprimida, sua mãe insiste para que frequente o grupo de apoio na igreja do bairro, para fazer amigos. A estratégia dá certo e Hazel conhece Augustus Waters. Gus teve oesteosarcoma e perdeu a perna direita, mas não perdeu o humor. Os dois se tornam inseparáveis.

Numa de suas longas conversas, Gus dá uma cópia de seu livro favorito a Hazel e ela lhe recomenda aquele com o qual mais se identifica: "Uma Aflição Imperial", de Peter van Houten. Gus fica frustrado porque o romance termina abruptamente, no meio de uma frase da personagem principal. Hazel explica que o autor retirou-se para viver em Amsterdam e que já lhe escrevera várias cartas, perguntando sobre o destino dos personagens. Gus consegue comunicar-se com a assistente do escritor, o que culmina com um convite para uma visita a Amsterdam. Hazel fica eufórica, está vivendo os melhores de seus dias, mas a família não tem meios de pagar a viagem. Então Gus tem outra ideia, seus trunfos ainda não terminaram...

É interessante o desabrochar de Hazel a partir do relacionamento com Gus, mas em "A Culpa é das Estrelas" o que mais me impressionou mesmo foi a atuação do casal de atores adolescentes. Assisti há poucas semanas o filme de ficção científica "Divergente", no qual ambos mostraram um desempenho razoável, mas nada que deixasse antever a natural sensibilidade exibida nesse drama de autoria do escritor John Green. "A Culpa é das Estrelas" serve bem para um debate sobre sofrimento, medo da morte e sentido da vida. E, no final das contas, só o amor e a dedicação às pessoas amadas dão sabor à existência, seja ela curta ou longa.

Curiosidade:
* O título do livro no qual se baseia o filme deriva de uma citação da peça "Julio Cesar", de William Shakespeare (Ato 1, cena 2): "The fault, dear Brutus, is not in our stars, but in ourselves". ("A culpa, caro Brutus, não está em nossas estrelas, mas em nós mesmos")

* O escritor John Green esteve presente durante a maior parte das filmagens para dar dicas e conselhos ao elenco.

* Para a personagem de Hazel, Green inspirou-se em Esther Earl, uma jovem de 15 anos que foi diagnosticada com câncer da tireoide. John Green conheceu-a numa convenção de Harry Potter em 2009. Esther chamou-lhe a atenção por estar carregando um tanque de oxigênio. Ele encantou-se com sua franqueza, humor e os vídeos que Esther colocou no Youtube.

* A réplica do interior da casa de Anne Frank foi construída em estúdio porque a produção não obteve permissão para filmar dentro da verdadeira residência.

Diretor: Josh Boone
Roteiro: Scott Neustadter & Michael H. Weber, baseado em romance de John Green
Musica: Mike Mogis, Nate Walcott
Fotografia: Ben Richardson
Designer de Produção: Molly Hughes
Diretores de Arte: Gregory A. Weimerskirch, Edwin Kemper
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Nat Wolff, Laura Dern, Willem Dafoe, Lotte Verbeek, Sam Trammell
Distribuidora: Fox Film do Brasil

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Trailer de Downton Abbey - 5ª temporada




Os britânicos começam a assistir a 5ª temporada de Downton Abbey no dia 21 de setembro. 
No Brasil, a série só recomeça em 2015, pelo canal GNT. 
Parece que o escritor Julian Fellowes caprichou naquela que deve ser a última temporada da série inglesa. 
Mas eu quero um final feliz, chega de mortes traumáticas!






domingo, 7 de setembro de 2014

Toque de Mestre

Grand Piano
(2013) 90 min (12 anos)

EUA - O jovem pianista Tom Selznick deixou de se apresentar em público depois de ter congelado durante um concerto no qual deveria tocar "La Cinquette". A peça do compositor Patrick Godureaux era considerada muito difícil, praticamente intocável. Cinco anos depois, Tom é convidado para um concerto em Chicago, em homenagem a Godureaux, que havia sido seu mentor. O próprio piano do compositor, já falecido, seria levado para o show. Incentivado pela esposa Emma, famosa atriz de cinema, Selznick foi encorajado a vencer o pânico e participar da apresentação.

Alguns minutos antes de subir ao palco, um funcionário do teatro entrega a Tom o caderno de partituras que ele havia esquecido no camarim. O pianista abre a pasta e vê o manuscrito de "La Cinquette". Desgostoso, amassa a partitura, deixa-a cair no chão e dirige-se para o palco. Selznick toca brilhantemente a primeira música e é muito aplaudido. Ao continuar virando as folhas, vê um aviso escrito em letras vermelhas: "Erre uma nota e você morre". 

Outras frases ameaçadoras se seguem em outras páginas e um ponto de luz vermelha é posicionado na mão do pianista. Alguém está apontando uma arma para a orquestra! Durante um intervalo, Tom corre para o camarim onde recebe uma mensagem no celular, ordenando que olhe em sua mochila. Num dos compartimentos ele encontra um fone de ouvido. A partir do momento em que coloca o fone, Selznick está sob o comando de um atirador desconhecido, que lhe ordena que toque "La Cinquette" sem cometer qualquer erro, ou Tom e Emma serão mortos dentro do teatro.

"Toque de Mestre" provoca algum suspense, mas a maior curiosidade sobre o filme fica por conta de dois atores oriundos de séries muito queridas. Podemos dizer que "Downton Abbey encontra Hobbit". Elijah Wood dá vida a Tom Selznick e Allen Leech, que interpreta o genro de Lord Crawley na série inglesa, faz um pequeno papel como amigo de Emma, a esposa de Tom. Com boa vontade e um pote de pipoca, "Toque de Mestre" dá para distrair. Torço para que surjam outros desafios ainda mais interessantes para os dois artistas.

Curiosidade:
* Elijah Wood treinou durante 3 semanas com um professor de piano antes das gravações começarem. Para ele foi estressante tocar e conversar ao mesmo tempo.

Diretor: Eugenio Mira
Roteiro: Damien Chazelle
Musica: Victor Reyes
Fotografia: Unax Mendia
Designer de Produção: Javier Alvariño
Diretor de Arte: Jaime Anduzia
Elenco: Elijah Wood, Kerry Bishé, Allen Leech, Tamsin Egerton, Dee Wallace, Jim Arnold, John Cusack
Distribuidora: PlayArte Home Video

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante
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