Dicas de filmes novos e antigos encontrados em DVD no Brasil. Cada postagem traz foto da capa, breve sinopse, censura, diretor, distribuidora, elenco, responsaveis pelo roteiro, musica e fotografia.
Com o olhar ingenuo de fã apaixonada, By Star Filmes acredita que cinema ensina, emociona e é a melhor diversão.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Caça aos Gângsteres

Gangster Squad * *
(2013) 112 min (16 anos)

EUA, 1949 - No alto de uma colina, um homem é amarrado a dois carros por fortes correntes. Ali perto, alguns cachorros selvagens mostram os dentes, antevendo a refeição que os aguarda. Apesar das súplicas, o prisioneiro tem seu corpo destroçado e é devorado pelos cães. Depois de dominar Detroit, Chicago e Nova Iorque, a máfia voou para a costa oeste. Mickey Cohen foi enviado a Los Angeles para fazer dinheiro com todo tipo de negócios escusos. 

Caçula de seis irmãos, Mickey era recém-nascido quando o pai morreu, o mafioso judeu começou a vida como pugilista. Não fumava ou bebia, tinha o hábito de lavar as mãos compulsivamente, sobretudo depois de cumprimentar pessoas. Cohen era proprietário de uma loja de roupas e não repetia terno, cuidava da imagem, gostava de dar entrevistas e era assunto frequente dos jornais, para os quais mostrava uma face simpática. Com mão de ferro, na surdina, Mickey dirigia casas de prostituição, controlava o jogo, mantendo juízes e policiais na sua folha de pagamento. 

Para libertar a cidade, o chefe de polícia Bill Parker criou uma Divisão de Inteligência, formada por um grupo de policiais cumpridores dos deveres. O primeiro escolhido foi o sargento John O'Mara, ex-herói de guerra que fizera treinamento no Campo X. O'Mara teve carta branca para escolher os membros do esquadrão especial que arriscaria tudo para expulsar a máfia da Cidade dos Anjos. John contou com a  intuição da esposa Connie para identificar companheiros não só habilidosos, mas determinados e fiéis.

Inspirado em fatos reais, o roteiro de Will Beall, aliado à direção ágil de Ruben Fleischer, prende a atenção desde a primeira cena, misturando drama, romance, ação e suspense. A escolha do elenco já evidencia o cuidado com que os produtores levaram adiante "Caça aos Gângsteres". Sean Penn interpreta um Mickey Cohen mais feroz do que revelam as gravações da época, acessíveis nos bônus do filme, que apresentam o mafioso como um  homem sorridente. Aliás, os extras de "Caça aos Gângsteres" justificam alugar o blu-ray porque trazem informações sobre a produção do filme e sobre os personagens reais desta guerra pelo controle de L.A.

Curiosidade:
* No filme "Caça aos Gângsteres", o chefe Bill Parker organiza o grupo de policiais para caçar Mickey Cohen. Na vida real, o esquadrão se reuniu para impedir que outros mafiosos tomassem o lugar de Mickey, que foi preso por não pagar impostos.

Diretor: Ruben Fleischer (Zumbilândia)
Roteiro: Will Beall, baseado no livro de Paul Lieberman "Gangster Squad"
Musica: Steve Jablonsky
Fotografia: Dion Beebe (O Suspeito, Memorias de Uma Gueixa)
Elenco: Sean Penn, Ryan Gosling, Josh Brolin, Emma Stone, Nick Nolte, Robert Patrick, Giovanni Ribisi, Michael Peña, Anthony Mackie, Mireille Enos
Distribuidora: Warner

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

domingo, 16 de junho de 2013

Os Miseráveis

Les Misérables * *
(2012) 158 min (14 anos)

França, 1815 - Jean Valjean, o prisioneiro de número 24601, é colocado em liberdade condicional depois de passar 19 anos na cadeia. Seu crime foi ter roubado um pão para saciar a fome do sobrinho pequeno, agravado por diversas tentativas de fuga. Jean Valjean deverá carregar para sempre um documento amarelo onde estará registrado que é um ex-condenado perigoso.

Ameaçado pelo severo guarda Javert e rejeitado por todos que examinam sua carta de identificação, Jean Valjean só recebe ajuda do bispo da cidade de Digne. O sacerdote oferece comida e abrigo ao faminto ex-prisioneiro. Mas durante a noite Jean Valjean foge com objetos de prata da casa episcopal e é capturado pela polícia. Para sua surpresa, o bispo não o denuncia, afirmando que a prataria foi um presente e que ele esqueceu o mais importante, dois valiosos candelabros.

Valjean fez bom uso desta generosidade, deixou de lado a mágoa pelo tratamento cruel e abraçou o projeto de tornar-se um homem bom. Adotou o nome de Monsieur Madeleine, começando um empreendimento que deu certo.  Na sua empresa trabalha Fantine, uma jovem esforçada que entrega todo o salário ao casal que cuida de sua filha Cosette. Desgraçadamente, o encarregado da fábrica despede Fantine e o destino coloca a pequena Cosette sob a proteção do regenerado empresário.

Jean Valjean e o bispo de Digne
Baseado no romance de Victor Hugo, a história de "Os Miseráveis" abrange tanto os que carecem do pão de cada dia, quanto os encarcerados, ou o casal Thenardier, dois espertalhões que não perdem a oportunidade de enganar o próximo, e até o policial Javert, vítima da dureza do próprio coração. Contudo, mesmo a criatura mais pecadora tem salvação, por isso o bispo preferiu confiar em Jean Valjean e acreditar em sua capacidade de mudança.

Se você assistiu ao musical na Broadway ou em Londres, não procure comparações ou vai deixar de aproveitar o que o filme de Tom Hooper tem de positivo. A escolha de ótimos atores como protagonistas - Hugh Jackman e Anne Hathaway - enfatizou a carga dramática do enredo. Entre meus intérpretes favoritos estão as crianças, Gavroche e a Cosette pequena, além do casal romântico Amanda Seyfried (Cosette adulta) e Eddie Redmayne (Marius), que brilham no quesito voz e afinação. A atual versão de "Os Miseráveis" acrescenta um belo cenário e uma eficiente reconstituição de época ao romance de Victor Hugo. O DVD já está à venda por R$ 39,90. O blu-ray traz extras interessantes. Para pesquisar o preço, clique aqui.

a cidade de Digne
Curiosidade:
* O Bispo de Digne é interpretado por Colm Wilkinson, que foi o primeiro Jean Valjean nas apresentações de "Os Miseráveis" em Londres e Nova Iorque.

* Muitos artistas do competente elenco de apoio são cantores que trabalharam nas produções do musical em Londres e Nova Iorque.

Diretor: Tom Hooper
Roteiro: William Nicholson & Alain Boublil e Claude-Michel Schönberg & Herbert Kretzmer, baseado no romance "Les Misérables" (1862), de Victor Hugo
Musica: Claude-Michel Schönberg
Fotografia: Danny Cohen (O Discurso do Rei)
Elenco: Hugh Jackman, Anne Hathaway, Russell Crowe, Amanda Seyfried, Eddie Redmayne, Colm Wilkinson, Samantha Barks, Helena Bonham Carter, Sacha Baron Cohen, Aaron Tveit, Daniel Huttlestone, Isabelle Allen
Distribuidora: Universal

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Priscilla, A Rainha do Deserto

The Adventures of Priscilla, Queen of The Desert * *
(1994) 103 min (16 anos)
(Agressão física, conflitos psicológicos, insinuação de sexo e temática com impropriedade)

Australia - Fabulosas, elas chegaram e conquistaram a todos. Este filme australiano incrivelmente criativo, visualmente maravilhoso e incomparavelmente divertido conta a história de três drag queens, desbravando a vastidão do deserto australiano. (capa do DVD)

Na verdade, "Priscilla, a Rainha do Deserto" conta a história de duas drag queens e uma transsexual. Bernadette Bassenger passou pela cirurgia radical e detesta ser chamada por seu nome de batismo (Ralph). Junto às amigas Mitzi Del Bra (Anthony) e Felicia Jollygoodfellow (Adam), atua num show transformista em Sidney. 

Anthony recebe um convite para fazer o show num hotel cassino na longínqua cidade de Alice Springs. Bernadette aceita participar para se distrair e esquecer a morte de seu jovem namorado Trumpet. Adam sempre quis se apresentar no King's Canyon, no centro da Austrália, maquiado, usando um vestido longo Gaultier, de paetês, salto e tiara. É dele a iniciativa de comprar um velho ônibus e batizá-lo de Priscilla. Assim começa a aventura dos três numa viagem de 30 horas e 2780 km de muitas peripécias.

Quem viu Terence Stamp como General Zod, em "Superman II" ou Sargento Troy, em "Longe Deste Insensato Mundo", talvez não pudesse imaginar a versatilidade do ator inglês. Numa entrevista ao BFI, Terence conta que "Beau Geste" (1939) foi o primeiro filme que assistiu. A imagem de Gary Cooper como um soldado da legião estrangeira causou forte impressão no menino de 4 anos. Depois de ter interpretado vários machões, Terence Stamp transforma Bernie numa senhora que se veste discretamente durante o dia, despreza fofocas e futilidades, bebe sem perder a classe e tem um soco poderoso. À noite a história muda. Com saltos altos, roupas coloridas e engraçadas, muito brilho, perucas e maquiagem, ela dança e dubla sucessos musicais junto aos colegas travestis. O dinâmico Adam é seu oposto, totalmente escandaloso, adora chamar a atenção. Anthony surpreende os amigos quando revela ser casado. O segundo segredo ele deixa para contar quando chegam na cidade de Alice Springs. O filme trata superficialmente a questão de identidade e orientação sexual dos protagonistas.

Assim como Terence Stamp, a dupla Guy Pearce e Hugo Weaving convence, tornando reais os transformistas australianos. O roteiro do filme mistura equilibradamente humor e drama. Guarda-roupa e maquiagem são divertidos e exuberantes, contrastando com a paisagem árida do outback australiano.  A fotografia é gloriosa, mas, para mim, coisa rara, o que tornou "Priscilla, a Rainha do Deserto" realmente inesquecível foi sua trilha sonora contagiante.

Curiosidades
* O personagem de Hugo Weaving baseou-se na drag queen australiana Cindy Pastel, que tem companheira e filho.

* Bill Hunter (que interpreta Bob) estava filmando "Priscilla" e "O Casamento de Muriel" ao mesmo tempo. Em cada um dos filmes ele precisava ter tamanhos de cabelo e barba diferentes. Além de precisar se deslocar de uma cidade para outra.

* Para marcar o local onde o ônibus estava enguiçado, Adam solta uma boneca inflável vestida de vermelho no meio do deserto. Depois dos créditos finais há uma cena rápida mostrando onde a boneca finalmente aterriza.

* O diretor Stephan Elliott faz uma pequena aparição como o porteiro do hotel.

Diretor: Stephan Elliott
Roteiro: Stephan Elliott
Musica: Guy Gross
Fotografia: Brian J Breheny
Elenco: Terence Stamp, Hugo Weaving, Guy Pierce, Bill Hunter, Julia Cortez, Sarah Chadwick, Mark Holmes, Rebel Penfold-Russell
Distribuidora: MGM

Trilha Sonora
1. "I've Never Been to Me" – Charlene
2. "Go West" – Village People
3. "Billy Don't Be a Hero" – Paper Lace
4. "My Baby Loves Lovin'" – White Plains
5. "I Love the Nightlife" – Alicia Bridges
6. "Can't Help Lovin' That Man" – Trudy Richards
7. "I Will Survive" – Gloria Gaynor
8. "A Fine Romance" – Lena Horne
9. "Shake Your Groove Thing" – Peaches & Herb
10. "I Don't Care if the Sun Don't Shine" – Patti Page
11. "Finally" – CeCe Peniston
12. "Take a Letter Maria" – R. B. Greaves
13. "Mamma Mia" – ABBA
14. "Save the Best for Last" – Vanessa Williams
15. "I Love the Nightlife" – Alicia Bridges
16. "Go West"  – Village People
17. "I Will Survive" – Gloria Gaynor
18. "Shake Your Groove Thing" – Peaches & Herb
19. "I Love the Nightlife" – Alicia Bridges

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

terça-feira, 4 de junho de 2013

As Vantagens de Ser Invisível

The Perks of Being a Wallflower * *
(2012) 102 min (14 anos)

EUA - Chegar ao primeiro ano do ensino médio pode ser causa de alegria para muitos, mas para o tímido Charlie é motivo de grande ansiedade. A escola é nova e ele nunca foi popular. Educado, estudioso, bonito e inteligente, tem medo de se expor e responder às perguntas dos professores. Charlie preferia passar despercebido, não ser notado nem pelas respostas corretas, para não incentivar sentimentos negativos em colegas pouco gentis. Contudo o professor de inglês percebe que ali mora uma alma sensível e passa a lhe sugerir livros extras para melhorar sua forma de expressão. 

Charlie não desperta o interesse em ninguém da turma, mas chama a atenção dos veteranos Patrick e sua meio-irmã Sam. Os dois convidam o adolescente para festas e o introduzem no grupo de amigos. O calouro fica maravilhado com a participação dos novos colegas na apresentação de "The Rocky Horror Picture Show." Mesmo atraído por Sam, Charlie acha que não tem chance alguma com ela. Com medo de perder sua amizade, deixa-se seduzir por uma outra garota do grupo. 

Em casa, Charlie assiste sua irmã Candance ser agredida pelo namorado e, a pedido dela, não conta nada para os pais. O adolescente não é mesmo de se abrir com ninguém, desde que sua querida tia Helen morreu. Charlie prefere escrever cartas para um interlocutor anônimo. Depois de usar LSD numa festa, o adolescente passa mal e é encontrado pela polícia caído na neve. Só então os pais percebem que Charlie está com sérios problemas e precisa muito de ajuda.

"As Vantagens de Ser Invisível" é um filme que desperta emoções visíveis. O ator Logan Lerman já foi Percy Jackson, no filme de Chris Columbus (2010), e o filho de Christian Bale, em "Os Indomáveis" (2007). Logan tem aquele rosto atraente, simpático, e o olhar confiável que conquista fãs na hora. No minuto seguinte já se está torcendo por ele, sofrendo com suas tristezas. O mesmo fenômeno acontece na presença de Paul Rudd que, em "As Vantagens de Ser Invisível", interpreta seu professor de inglês. Reparem na maravilhosa fotografia de Andrew Dunn.

Curiosidades: (imdb)
* Tanto Logan Lerman quanto Emma Watson estrearam num filme de Chris Columbus.

* Emma Watson contou não ter querido assistir suas cenas de beijo e a cena do "Rocky Horror Show"

* O diretor Stephen Chbosky foi influenciado por dois de seus filmes favoritos: "Sociedade dos Poetas Mortos" (Dead Poets Society) e "Clube dos Cinco" (The Breakfast Club).

* O escritor e diretor Stephen Chbosky nasceu em Pittsburgh, onde o filme foi gravado. Quando ele era jovem, assistiu "The Rocky Horror Picture Show" no mesmo teatro em que foi filmado "As Vantagens de Ser Invisível".

Diretor: Stephen Chbosky
Roteiro: Stephen Chbosky, baseado em seu livro do mesmo nome, publicado em 1999
Musica: Michael Brook
Fotografia: Andrew Dunn (Assassinato em Gosford Park, Um Homem Bom)
Elenco: Logan Lerman, Emma Watson, Ezra Miller, Paul Rudd, Joan Cusack, Melanie Lynskey, Mae Whitman
Distribuidora: Paris Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

segunda-feira, 3 de junho de 2013

E Se Vivêssemos Todos Juntos?

Et Si On Vivait Tous Ensemble? * *
(2011) 96 min (14 anos - cenas de nudez, insinuação de relação sexual e diálogos sobre sexualidade)

França - Amigos há mais de 40 anos, Annie, Jean, Claude, Albert e Jeanne começam a sentir o peso da idade. O filho do fotógrafo mulherengo Claude quer colocá-lo numa casa de repouso, desde que os médicos descobriram problemas em seu coração. Jean sempre foi um ativista político e agora sente-se ainda mais revoltado pois a polícia não parece levá-lo a sério. Albert  cola os rótulos dos vinhos que bebe e registra os acontecimentos importantes num caderno, temendo esquecê-los no momento seguinte. Sua memória recente está bastante prejudicada. 

As duas mulheres parecem em melhor forma, mas também têm seus problemas. A americana Jeanne está com câncer e a psicóloga Annie sente muito a falta dos netos. Contudo, quando estão juntos, os cinco esquecem as tristezas e passam momentos alegres. Por que não prolongar essa felicidade?

Os problemas do grupo de amigos são por demais familiares a todos os que envelhecemos e vemos envelhecer nossos pais. Os esquecimentos de Albert representam o grande temor da geração dos baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964). Quem não tem medo da doença descoberta pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer? Albert não gosta de alemães, já que seu pai foi morto pelos nazistas. Pois, no filme "E Se Vivêssemos Todos Juntos?", quem se apresenta para auxiliar os idosos é o alemão Dirk, um estudante de antropologia. O projeto inicial era apenas levar a passear o cachorro de Albert, mas Dirk logo se envolve, ou é envolvido por Jeanne, no dia-a-dia dos cinco amigos. Numa consequência natural, eles viram sua tese de mestrado. Não há nada melhor do que a mistura de gerações e as trocas de experiências que daí decorrem.

Diretor: Stéphane Robelin
Roteiro: Stéphane Robelin
Musica: Jean-Philippe Verdin
Fotografia: Dominique Colin
Elenco: Guy Bedos (Jean), Geraldine Chaplin (Annie), Jane Fonda (Jeanne), Pierre Richard (Albert), Claude Rich (Claude), Daniel Brühl (Dirk), Bernard Malaka (Bernard), Camino Texeira (Maria), Gwendoline Hamon (Sabine), Shemss Audat (Soraya)
Distribuidora: Imovision

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante


domingo, 2 de junho de 2013

A Filha do Pai

La Fille du Puisatier *
(2011) 109 min (12 anos)

França - Uma jovem caminha pelo campo coberto de flores vermelhas, carregando uma cesta de palha. Dentro da cesta está a polenta que Patrícia Amoretti preparou para o almoço do pai Pascal. Chegando à beira de um riacho, a bela Patrícia vai tirar os sapatos quando é impedida por um desconhecido. O jovem de roupas claras é Jacques Mazel, piloto da força aérea e filho de um comerciante rico da cidade. Jacques levanta a moça no colo e carrega até a outra margem. Dali Patrícia segue ao encontro do pai e de Felipe, que o ajuda a explodir minas para cavar poços e encontrar água. 

Viúvo, pai de seis meninas, Pascal Amoretti enviou Patrícia para a cidade ainda pequena para que tivesse uma educação melhor, na companhia de uma senhora de posses. Quando sua protetora faleceu, Patrícia voltou para junto da família e passou a cuidar da casa e das irmãs menores. Orgulhoso da primogênita, Amoretti considera-a sua princesa e quer casá-la com alguém das redondezas, para que permaneça por perto. Felipe se candidata ao posto de genro de Pascal e é aceito, depois que revela possuir carro, uma casa e uma poupança. Só falta o consentimento de Patrícia, mas parece que seu coração não está mais disponível.

Na abertura de "A Filha do Pai" ouve-se a romântica "Core 'ngrato", cantada por Enrico Caruso (1873-1921). Mesmo quem não gosta do gênero há de se impressionar com a qualidade da voz do tenor napolitano, considerado por Pavarotti o maior intérprete de música erudita de todos os tempos. Ouvindo a canção queixosa, imaginei que assistiria a uma tragédia sem remédio e preparei o coração. Mas o escritor Marcel Pagnol costuma ser gentil com seus personagens. Ao conhecer as meninas Amoretti e o engraçado Felipe, interpretado por Kad Merad, senti segurança e esperei pelo melhor. Promissora a estreia do ator Daniel Auteuil na direção.

Diretor: Daniel Auteuil
Roteiro: Daniel Auteuil, baseado no romance de Marcel Pagnol
Musica: Alexandre Desplat
Fotografia: Jean-François Robin
Elenco: Daniel Auteuil,  Astrid Bergès-Frisbey, Kad Merad, Sabine Azéma, Jean-Pierre Darroussin, Nicolas Duvauchelle, Emilie Cazenave
Distribuidora: Europa Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante




Curvas da Vida

Trouble with The Curve *
(2012) 111 min (12 anos)
"Talvez você queira algo que ele não possa te dar"

EUA - Durante décadas Gus Lobel descobriu fantásticos jogadores de baseball, como olheiro do Atlanta Braves. A informática chega ao esporte e jovens que dominam computadores e programas sofisticados ameaçam a renovação do contrato do idoso profissional. Para piorar a situação, Gus está enxergando mal mesmo de óculos. Sua garagem parece ter encolhido e ele vive tropeçando nos móveis. Preocupado com o amigo, o chefe dos olheiros do Atlanta Braves pede à filha de Gus que acompanhe o pai numa última viagem para avaliação de um atleta promissor que todos os clubes querem contratar. 

Mickey Lobel é uma jovem advogada que sonha tornar-se sócia no escritório onde trabalha como associada. Seus problemas de relacionamento com o pai só tornam mais difícil a missão da qual foi incumbida. Arriscando a desejada posição na empresa, Mickey pega o avião e vai atuar como os olhos de Gus. Nessa viagem, ela conhece um ex-jogador de baseball descoberto pelo pai. O simpático Johnny "A Chama" Flanagan pode ajudar a advogada a aproximar-se de Gus.

"Curvas da Vida" tem no elenco protagonista uma de suas forças. Amy Adams deixa de lado a alegre fragilidade de antigas personagens e encarna a esforçada advogada, ressentida pela aparente frieza paterna. Clint vive um Walt Kowalski ("Gran Torino") menos amargo e solitário. A bela fotografia de Tom Stern é outra das virtudes do filme. O diretor Robert Lorenz se saiu muito bem em sua estreia solo.


Curiosidades:
* Depois de atuar em "Gran Torino" (2008), Clint Eastwood afirmou que aquela seria sua última experiência como ator, embora pretendesse continuar dirigindo filmes. Essa mudança de ideia talvez tenha sido causada pela antiga cooperação entre Clint e o diretor de "Curvas da Vida", Robert Lorenz. Robert foi assistente de Clint Eastwood desde "As Pontes de Madison" (1995).

* É a quarta vez que Scott Eastwood trabalha em um filme com o pai. Em "Curvas da Vida", Scott aparece logo no princípio - aos 8 minutos de projeção - como o jogador Billy Clark, que não está jogando bem e é ajudado por Gus Lobel.

* Amy Adams nasceu em 1974. Embora não aparente, ela é 7 anos mais velha do que Justin Timberlake.

Diretor: Robert Lorenz
Roteiro: Randy Brown
Musica: Marco Beltrami
Fotografia: Tom Stern (Jogos Vorazes, Gran Torino)
Elenco: Clint Eastwood, Amy Adams, Justin Timberlake, John Goodman, Ed Lauter, Robert Patrick, Matthew Lillard, Scott Eastwood
Distribuidora: Warner

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante


terça-feira, 28 de maio de 2013

O Impossível

The Impossible * *
(2012) 114 min (12 anos)

Tailândia - Em 2004, Maria e Henry Bennet levaram os três filhos para passar as férias de Natal em Khao Lak. Hospedados num hotel à beira-mar, Lucas, Simon e Thomaz viveram com os pais momentos de completa felicidade sob as palmeiras e um sol generoso. A tragédia chegaria na manhã de 26 de dezembro na forma de uma avassaladora tsunami. A onda colossal formou-se às 00:58:53 UTC - quando um choque das placas subterrâneas convulsionou o fundo do Oceano Índico - viajou quilômetros, até alcançar as terras de 14 países, matando mais de 230 mil pessoas.

A tsunami que chegou à costa oeste da Tailândia encontrou a família Bennet relaxando na piscina do hotel. A enchente que se seguiu ao choque inicial separou o casal para diferentes áreas da região. Mesmo bastante ferida, Maria conseguiu agarrar-se a Lucas e Henry alcançou Simon e Thomaz. O resto da história relata tentativas desesperadas de sobrevivência, a busca de uns pelos outros e os gestos de solidariedade que iluminaram esses momentos.

Quando Maria e Lucas chegam ao hospital, a situação é dramática, pois não há estrutura suficiente para atender a tantos feridos. Os pacientes permanecem deitados sobre as macas, ainda enlameados, à espera de cuidados e cirurgias. Lucas fica sentado perto da mãe até que Maria pede que ele vá ajudar outras pessoas, pois ele é bom nisso. Nesse momento ele esquece seu sofrimento e começa a procurar os parentes dos outros internados.

"O Impossível" foi filmado na Espanha e na Tailândia, no já reconstruído Orchid Resort Hotel. Muitos dos extras que trabalham no filme são reais sobreviventes da tsunami. Em 2012, no Festival de Cinema de Toronto, Naomi Watts, Ewan McGregor e os jovens que interpretaram seus filhos tiveram a oportunidade de conhecer a verdadeira família Belon, na qual se baseou essa história. A família na realidade é espanhola mas na época vivia no Japão. (imdb) Naomi Watts e Tom Holland, que interpretou Lucas, o filho mais velho do casal, foram indicados para vários prêmios e ganharam alguns pelo desempenho notável. Graças ao trabalho dos dois, meu filho biólogo e eu vertemos lágrimas abundantes assistindo "O Impossível", sob o olhar divertido da filha do meio que, nesse dia, estava um tanto insensível.

Curiosidade:
* Tomas Alvarez-Belon tinha 8 anos quando a família se separou por dois dias, depois da chegada da tsunami. Agora com 17, Tomas escolheu estudar no Atlantic College, no País de Gales, por causa do seu reconhecido programa de treinamento de salva-vidas. (BBC)
familia Belon

Diretor: Juan Antonio Bayona
Roteiro: Sergio G. Sanchez
Musica: Fernando Velázquez
Fotografia: Óscar Faura
Elenco: Naomi Watts, Ewan McGregor, Tom Holland, Samuel Joslin, Oaklee Pendergast, Geraldine Chaplin, Sönke Möhring
Distribuidora: Paris Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

No

No *
(2012) 118 min (14 anos)

"A Fé. É isso que vai mudar o Chile. Esse país precisa de um ato divino."

Chile, 1988 - Pressionado pela comunidade internacional, o ditador Augusto Pinochet aceita realizar um plebiscito nacional para definir sua continuidade ou não no poder. Acreditando que esta seja uma oportunidade única de pôr fim à ditadura, os líderes da oposição resolvem contratar René Saavedra (Gael García Bernal) para coordenar a campanha contra a manutenção de Pinochet. Com poucos recursos e sob a constante observação dos agentes do governo, Saavedra consegue criar uma campanha consistente que ajuda o país a se ver livre da opressão governamental. (AdoroCinema)

Nem a oposição acreditava que pudesse ganhar o plebiscito, queria apenas ocupar espaço. Mas o publicitário René Saavedra tem esperança e percebe que, se o povo sente medo, é importante evitar cenas que retratem a violência do regime na campanha e, em vez disso, apresentar uma mensagem de alegria, que valorize a possibilidade de mudança.

Semana passada, o jornalista William Wack entrevistou o presidente da Alemanha para o programa Milênio, no canal Globonews. O presidente Joachim Gauck é um ex-pastor luterano nascido na Alemanha Oriental durante a Segunda Guerra. Wack perguntou qual a grande alegria de sua vida e Joachim respondeu que a grande experiência de sua vida foi quando as pessoas da Alemanha Oriental perderam o medo e se voltaram contra a ditadura comunista. Não há maior alegria do que vivenciar a libertação. 

Também foi imensa a emoção que senti vendo pela televisão os alemães demolirem o muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989. A experiência da liberdade é embriagadora. Como é importante que os jovens, 
hitfix
que não viveram sob uma ditadura, saibam que precisamos vigiar para impedir que, sob qualquer pretexto, queiram tolher-nos os direitos individuais ou nossa busca da verdade. O filme "No" me fez reviver as lembranças da época em que nós brasileiros também vivemos oprimidos. Hoje, mães brasileiras sentem outros tipos de medo - "será que meus filhos chegarão em casa em segurança?" - mas, ditadura, nunca mais!

Diretor: Pablo Larraín
Roteiro: Pedro Peirano, baseado na peça inédita El Plebiscito, de Antonio Skarmeta
Musica: Carlos Cabezas
Fotografia: Sergio Armstrong
Diretora de Arte: Estefania Larraín
Elenco: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Antonia Zegers, Luis Gnecco,Marcial Tagle, Néstor Cantillana, Jaime Vadell, Pascal Montero
Distribuidora: Imovision

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Django Livre

Django Unchained * *
(2012) 166 min (16 anos)

EUA, 1858 - Dois anos antes do início da Guerra Civil, o dentista alemão King Schultz conduz seu cavalo Fritz à frente de uma carroça fechada, adornada com um enorme dente branco no teto. Essa visão baloiçante costuma intrigar os passantes e dá uma vantagem ao engraçado doutor. No momento, Schultz busca o escravo Django, única pessoa que pode ajudá-lo a identificar os criminosos irmãos Brittle, já que o precioso dentista mudou de profissão e tornou-se um caçador de recompensa. Em troca da ajuda, o alemão oferece a Django sua liberdade, além de uma participação no prêmio. O escravo aceita porque tem como principal objetivo encontrar e comprar a alforria de sua esposa Broomhilda von Shaft, de quem foi violentamente separado. O dr. King fica encantado pela história da escrava com nome de princesa alemã e conta a Django sobre a lenda de Brünnhilde, como foi envolvida por um círculo de fogo e resgatada pelo herói Siegfried. Juntos, europeu e americano, partem na sua própria jornada heroica.

Se os filmes do Tarantino não pingassem tantas cenas sangrentas, ainda gostaríamos deles? De minha parte acho que sim, talvez gostasse ainda mais. Chega um momento em que tanto sangue espalhado repugna, mas tudo o mais é tão espetacularmente bom, que compensa com sobra. Como já é tradição nos filmes de QT, "Django Livre" traz uma história emocionante, cenografia e fotografia perfeitas, músicas deliciosas, direção precisa, excelentes desempenhos de artistas bem selecionados e toques de humor, além do charme da presença do diretor numa cena secundária. Em meio ao marasmo de semanas de filmes medíocres, chegou com a força explosiva de uma bofetada. "Django Livre" levou dois Oscars e o BAFTA de Melhor Roteiro Original e Melhor Ator Coadjuvante para Christoph Waltz, como o impagável e cômico dr. King Schultz. Franco Nero, marido de Vanessa Redgrave e ator de tantos western spaghetti, faz uma ponta como Amerigo Vessepi. Para quem tiver fôlego, vale a pena ler a crítica de Roger Ebert sobre o filme.
Broomhilda von Shaft

Diretor: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Fotografia: Robert Richardson (Kill Bill, Bastardos Inglórios, Ilha do Medo, O Encantador de Cavalos, Platoon)
Elenco: Christoph Waltz, Jamie Foxx, Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson, Kerry Washington, Walton Goggins, Don Johnson, Dennis Christopher, Franco Nero, James Remar, Dana Gourrier, Nichole Galicia, Laura Cayouette, Bruce Dern, Quentin Tarantino
Distribuidora: Sony Pictures

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

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