Lista de sugestões de filmes interessantes. Dicas de DVDs e Blu-rays novos e antigos encontrados nas locadoras brasileiras. Cada postagem traz foto da capa, breve sinopse, censura, diretor, distribuidora, elenco, responsáveis pelo roteiro, musica e fotografia. Com o eterno deslumbramento de fã apaixonada, By Star Filmes acredita que o cinema emociona, ensina e é a melhor diversão.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O Passado

Le Passé *
(2013) 130 min (12 anos)

França - O iraniano Ahmad chega a Paris, depois de 4 anos, para encontrar sua ex-esposa Marie e oficializar o divórcio. Por insistência dela, ele fica na mesma casa em que ambos moraram com as duas filhas do primeiro casamento de Marie: Lucie e Lea gostam muito de Ahmad. A nervosa Marie tem esperanças de que o iraniano possa conversar com Lucie, sua filha adolescente, que não aceita o novo relacionamento da mãe com Samir. O árabe dono de uma lavanderia é um homem ainda casado, cuja mulher tentou suicídio e encontra-se em estado de coma numa clínica. O casal tem um menino que também está morando com Marie.

Assistir "O Passado" é mergulhar profundamente nos meandros dos sentimentos que envolvem os três adultos e as três crianças. Temos diante de nós um quebra-cabeças, cujas peças são entregues uma a uma. As ideias que vamos formando sobre a situação dos personagens principais vão sendo alteradas a cada nova revelação da trama. Uma história tão humana e bem contada, o trabalho magnífico de todos os atores, e a simpatia que desenvolvemos por cada um deles, não me impediram de ficar um tanto impaciente ao final, ansiosa por um desenlace que me pareceu custar a chegar. "O Passado" recebeu indicações para diversas premiações internacionais e ganhou o Prêmio Ecumênico do Festival de Cannes.

Curiosidade:
* Asghar Farhadi escreveu o script em persa e passou dois anos na França para perceber o ritmo da língua francesa e julgar melhor a tradução do roteiro e a performance dos atores. Ele precisou de um intérprete para dirigir o filme.

* O ator Ali Mosaffa (Ahmad) aprendeu francês dois meses antes das filmagens começarem.

Diretor: Asghar Farhadi (A Separação, Procurando Elly)
Roteiro: Asghar Farhadi
Musica: Youli Galperine,Evgueni Galperine
Fotografia: Mahmoud Kalari
Designer de Produção: Claude Lenoir
Elenco: Bérénice Bejo, Ali Mosaffa, Tahar Rahim, Pauline Burlet, Elyes Aguis, Jeanne Jestin, Sabrina Ouazani, Babak Karimi, Valeria Cavalli, Aleksandra Keblanska
Distribuidora: California Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A Grande Ilusão

The Truth about Emanuel
(2013) 95 min (14 anos)

EUA - Emanuel tem 17 anos e uma silhueta esbelta; é arredia, dona de longos cabelos escuros e olhos indecisos entre o azul e o verde. A jovem sente-se como uma usurpadora, "uma assassina sem intenção de matar", pois sua mãe morreu ao dar-lhe a luz. Poderia ser feliz ao lado do pai Dennis e de Janice, uma madrasta que anseia pela chance de exercer sua maternidade - mas a adolescente prefere isolar-se. Após terminar o ensino médio, desistiu de estudar e empregou-se na farmácia local, onde trabalha ao lado do tímido Arthur.

Emanuel olhava pela janela do quarto, quando chegou o caminhão de mudança na casa ao lado - foi assim que observou a nova moradora com um bebê ao colo. Logo que surgiu a oportunidade, a curiosa jovem ofereceu-se como baby-sitter. Talvez porque a vizinha Linda tivesse o mesmo biotipo da mãe de Emanuel. Aos poucos, forma-se um vínculo de afeto entre as duas. Passados alguns dias, a adolescente descobre que a bebê Chloë não passa de uma boneca articulada. Após o choque inicial, ela mantem a farsa, procurando proteger a frágil fantasia de Linda de outros olhos curiosos.

"A Grande Ilusão" é um filme sobre a dor. A dor de perder um filho, a dor de não poder ter filhos, a preocupação inevitável de quem tem filhos, assim como a tristeza de ser filho sem ter conhecido os pais. Mas é também uma historia sobre a doçura de poder amar alguém sem vínculos biológicos, como se fosse o pai ou o filho mais próximo e querido. Um filme sensível, interpretado por um ótimo elenco, que vale uma conferida. Há apenas um breve diálogo sobre o comportamento de Emanuel, entre a madrasta Janice e a vizinha Linda, que destoa um pouco do contexto da história. Pensei que poderia referir-se à própria opção sexual da diretora do filme, que é homossexual.

Diretora: Francesca Gregorini
Roteiro: Francesca Gregorini, baseado em história de Sarah Thorp e Francesca Gregorini
Musica: Nathan Larson
Fotografia: Polly Morgan
Designer de Produção: Anne Costa
Diretor de Arte: Brittany Bradford
Elenco: Kaya Scodelario, Jessica Biel, Alfred Molina, Frances O'Connor, Jimmi Simpson, Aneurin Barnard
Distribuidora: California Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Domingos de Oliveira

Um pensamento de Domingos de Oliveira que dá o que pensar...


“Tem que banir a expressão ‘filme de arte’. Tem o filme útil, que ajuda você a viver. 
Se o filme não te ajuda a enfrentar o mundo ou a fazer um mundo melhor, não é arte”. 

Li recentemente essa declaração do diretor e dramaturgo Domingos de Oliveira e não parei mais de pensar nela. Fez sentido para mim. Assim como muitos livros, há os filmes que me ajudaram a compreender melhor a vida e me fizeram amadurecer. Estão entre os favoritos, aqueles que ainda me emocionam e não canso de rever. Embora pareça ter dito o contrário - "Toda arte é completamente inutil" (prefácio de O Retrato de Dorian Gray) - até Oscar Wilde haveria de concordar que, através da arte, nos tornamos mais humanos.

No dia de 26 de agosto de 2014, Domingos de Oliveira será homenageado pelos seus pares da Academia Brasileira de Cinema, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Uma homenagem merecida.

Uma Fazenda do Barulho

Funny Farm * *
(1988) 98 min (Livre)

EUA - Andy Farmer é o enturmado jornalista novaiorquino que sonha mudar-se para o campo e escrever um grande romance. Junto com a esposa Elizabeth, o cronista esportivo compra uma fazenda na Nova Inglaterra, no arborizado estado de Vermont. Para lá se dirigem de carro, cheios de expectativas sobre uma vida rural tranquila, cercada de vizinhos tão acolhedores como os personagens das pinturas de Norman Rockwell. A experiência não começa tão bem, pois o motorista do caminhão de mudanças se perde, confundido pela ausência de placas e as informações insatisfatórias dos habitantes locais. O casal passa seu primeiro dia faminto, na casa vazia, em Redbud.

Já instalados, Andy organiza seu escritório cuidadosamente no segundo andar. Busca uma boa iluminação, colocando a mesa com a máquina de escrever próxima à janela. Mas a inspiração não vem, os passarinhos cantam alto demais, os vizinhos são arredios, o carteiro é um motorista alucinado que arremessa a correspondência à toda velocidade, há cobras no lago e um cadáver no terreno, o cachorro companheiro não para quieto e corre até se perder de vista. Para piorar, o pretenso escritor começa a se ressentir das críticas de Elizabeth ao livro e a relação do casal só vai se deteriorando. Logo eles estão considerando o divórcio - mas antes precisam passar a fazenda. 

Para garantir uma venda rápida, os Farmer não se contentam em arrumar a casa, mas reúnem os habitantes de Redbud e distribuem revistas com as ilustrações de Norman Rockwell para o Saturday Evening Post, para que os locais aprendam a se comportar de forma amigável. Um bônus de US$50 dólares é oferecido a cada um dos moradores que se empenharem na tarefa de seduzir compradores. Redbud prepara-se para um Natal como nunca antes se viu por aquelas bandas. A cidade é toda decorada, vizinhos cumprimentam-se amavelmente, o carteiro aparece pela primeira vez, e ainda traz um agrado de presente, um grupo circula pela cidade cantando músicas de Natal. O plano funciona maravilhosamente e os primeiros compradores se apaixonam pela casa e pela cidade. Mas Andy terá coragem de se despedir desse sonho?

O casal protagonista de "Uma Fazenda do Barulho" não é muito melhor do que os excêntricos moradores de Rosebud. Andy fica enciumado quando um projeto de Elizabeth é bem sucedido e a faminta esposa esconde as únicas frutas disponíveis no dia da mudança, para não ter que dividir com o marido. Suas mesquinharias não nos impedem de torcer por eles até o fim! O filme será difícil de encontrar para venda ou locação. Não desista, quem sabe consegue baixar da internet. Linda a fotografia de Miroslav Ondrícek! Se quiser ver várias outras fotos do filme, basta clicar a página do blog "hookedonhouses". "Uma Fazenda do Barulho" é uma de minhas comédias favoritas e a que escolhi para festejar o dia do meu aniversário no By Star.

Curiosidade:
* O filme foi gravado em três cidades de Vermont: Windsor, Vermont e Townshend, usando extras locais. O parque de Townshend traz uma lembrança inusitada da produção de "Funny Farm". Para que as árvores sugerissem meados de outono, a equipe pintou suas folhas, o que matou todas as árvores, exceto uma! Hoje, as árvores recém-plantadas são significativamente mais baixas do que a única sobrevivente à filmagem de "Uma Fazenda do Barulho".

Diretor: George Roy Hill
Roteiro: Jeffrey Boam, baseado no livro de Jay Cronley
Musica: Elmer Bernstein
Fotografia: Miroslav Ondricek (Amadeus, O Baile dos Bombeiros, Na Época do Ragtime, Valmont)
Designer de Produção: Henry Bumstead
Elenco: Chevy Chase, Madolyn Smith, Kevin O'Morrison, Mike Starr, Glen Plummer, Kevin Conway (o carteiro invisível), Alice Drummond, Nesbitt Blaisdell, Bill Fagerbakke, Raynor Scheine
Distribuidora: Warner

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

ilustrações de Norman Rockwell

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Tudo por Justiça

Out of the Furnace
(2013) 116 min (16 anos)

EUA - Russell Baze é operário numa usina de aço da Pensilvania e leva uma vida pacata ao lado da bela professora primária Lena. Sempre que pode, arranja um tempo para visitar o pai idoso e acamado. Diferente do irmão mais velho, o inquieto Rodney Baze gasta suas energias em brigas de rua, arranjadas para ganhar algum dinheiro e saldar velhas dívidas. Depois de algumas temporadas como soldado no Iraque, o explosivo Rodney acha difícil adaptar-se a um emprego e se recusa a trabalhar na siderúrgica. 

Surpreendentemente, é o sossegado Russell quem vai parar na cadeia, depois de envolver-se num acidente de carro seguido de morte. Quando sai da prisão, cinco anos mais tarde, o metalúrgico recupera o emprego mas já perdeu a mulher e seu pai faleceu. Russell tudo suporta, até que Rodney desaparece e a polícia é ineficaz para fazer justiça. Sem mais nada a perder, o operário parte em busca do responsável pelo assassinato do irmão.

Com um elenco admirável, "Tudo por Justiça" prende a atenção e nos faz solidários com as desventuras de Russell Baze, embora o desenlace não nos dê completa satisfação. O filme fica nos devendo algo, mas isso não é culpa de Woody Harrelson, que está perfeito como o impiedoso e detestável Harlan DeGroat, o parrudo arranjador de lutas do nordeste da Pensilvânia. Sam Shepard tem um pequeno papel como tio dos rapazes Baze. Quem gosta do gênero, ou admira o trabalho de grandes atores, deveria conferir "Tudo por Justiça".

Curiosidade:
* A produção do filme foi processada por uma comunidade indígena, moradora das Montanhas Ramapo, que se julgou retratada de forma preconceituosa, como "sem lei, empobrecida, violenta e drogada". Em 16 de maio de 2014, o juiz William Walls julgou improcedente a ação.

Diretor: Scott Cooper
Roteiro: Brad Ingelsby e Scott Cooper
Musica: Dickon Hinchliffe
Fotografia: Masanobu Takayanagi
Designer de Produção: Thérèse DePrez
Diretor de Arte: Gary Kosko
Elenco: Christian Bale, Casey Affleck, Woody Harrelson, Sam Shepard, Zoë Saldana, Willem Dafoe, Forest Whitaker, Bingo O'Malley
Distribuidora: Imagem Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

domingo, 3 de agosto de 2014

A Seleção

Admission
(2013) 107 min

EUA - Portia Nathan é funcionária do Departamento de Admissão da Universidade de Princeton. Sem ter conhecido o pai, criada apenas pela feminista Susanah, que sempre estimulou sua independência, Portia não cultivou amizades no ambiente de trabalho e só tem algum vínculo afetivo com o namorado Mark. Isso começa a mudar quando ela faz uma visita à escola alternativa "Quest", dirigida por um ex-colega de turma que deseja lhe apresentar Jeremiah, um dos alunos mais talentosos do colégio. O diretor John Pressman acredita que Portia seja a mãe do estudante, que ela teria entregado secretamente para adoção na adolescência. 

Em pouco tempo, a antes imparcial funcionária do Departamento de Admissão de Princeton estará movendo céus e terras para que a equipe de seleção da universidade aceite a inscrição de Jeremiah. John Pressman também é pai solteiro, pois adotou o nigeriano Nelson. O garoto absolutamente não aprova as constantes mudanças e as viagens pelo mundo que é obrigado a fazer para acompanhar o pai. O jovem sente enorme admiração pela estabilidade e rotina da vida de Portia. Mas o mundo de Portia está virando de cabeça para baixo, pois ela acaba de descobrir que o pomposo Mark não tem sido um companheiro fiel.

Mesmo não sendo perfeitas, como são bem-vindas essas comédias românticas de Hollywood! Ainda mais quando contam com a presença de Tina Fey e Paul Rudd. Vejo qualquer coisa que tenha um dos dois no elenco. Em "A Seleção", estão muito bem acompanhados por Lily Tomlin e Martin Sheen, que reforçam o tom cômico do filme. A personagem Portia tem atitudes reprováveis e quase ultrapassa os limites do que estamos acostumados a relevar num protagonista. Mas a competência do elenco e os momentos de humor ainda suprem qualquer desconforto provocado pelo roteiro de "A Seleção".

Curiosidade:
* O filme foi rodado na Universidade de Princeton e no Manhattanville College, Nova Iorque.

Diretor: Paul Weitz (Um Grande Garoto)
Roteiro: Karen Croner, baseado no romance "Admission" de Jean Hanff Korelitz
Musica: Stephen Task
Fotografia: Declan Quinn
Designer de Produção: Sarah Knowles
Diretor de Arte: Doug Huszti
Elenco: Tina Fey, Paul Rudd, Michael Sheen, Lily Tomlin, Wallace Shawn, Sonya Walger, Nat Wolff, Travaris Spears, Gloria Reuben
Distribuidora: Focus Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

domingo, 27 de julho de 2014

Sem Escalas

Non-Stop *
(2014) 106 min (14 anos)

EUA - Um "Federal Air Marshal" é treinado para detectar, deter e derrotar atos hostis que ameacem a segurança dos Estados Unidos. Bill Marks era um policial eficiente, mas perdeu a filha de oito anos para a leucemia, sua mulher o abandonou e ele tornou-se alcoólatra. Foi transferido da força policial para a Administração de Segurança nos Transportes, onde trabalha como agente. Mas Bill bebe antes de embarcar, tem medo na hora da decolagem e fuma escondido no banheiro, depois de vedar as saídas de ventilação com fita prateada. 

Durante um voo de Nova Iorque a Londres da British Aquatlantic, Bill recebe mensagens de texto exigindo a transferência de 150 milhões de dólares da companhia aérea para uma conta numerada. Enquanto o dinheiro não for transferido, morrerá um passageiro a cada 20 minutos. Rastreando a conta numerada, descobre-se que está em nome de Bill. Gradualmente desacreditado frente a seus superiores, aos passageiros, ao público que assiste os telejornais e nós espectadores (ele fuma escondido no avião!), Bill precisa provar que há um terrorista a bordo e que o criminoso não é ele mesmo.

Há algumas críticas severas ao filme em sites especializados, e concordo que a rápida explicação sobre a motivação do culpado não me convenceu, mas o que sei é que não pisquei olho enquanto a situação não chegou ao fim. Haja adrenalina! Não consultei o relógio sequer uma vez, ficando com a impressão de que se passaram menos de 15 minutos entre o início e a última cena. Isso é mais do que posso dizer da maioria dos filmes que assisto. Além da presença de Liam Neeson, "Sem Escalas" traz Julianne Moore como passageira e duas comissárias de bordo de respeito: Lupita Nyong'o (12 Anos de Escravidão) e Michele Dockery, a Lady Mary de "Downton Abbey"

Curiosidades:
* Liam Neeson é frequentemente escalado como agente americano ou soldado, mas esse é um dos raros filmes em que seu sotaque irlandês, que ele usa sempre, é mencionado e explicado.

* De acordo com o site IMDB, durante a gravação da cena final, Neeson sofreu um derrame, contudo ele não saiu do personagem. O diretor Jaume Collet-Seurra teria revelado isto numa entrevista a um programa Catalão sobre cinema. (não encontrei confirmação desta notícia em outros sites)

Diretor: Jaume Collet-Serra
Roteiro: John W. Richardson, Christopher Roach, Ryan Engle
Musica: John Ottman
Fotografia: Flavio Martinez Labiano
Designer de Produção: Alec Hammond
Diretor de Arte: David Swayze
Elenco: Liam Neeson, Julianne Moore, Lupita Nyong'o, Michelle Dockery, Scoot McNairy, Nate Parker, Corey Stoll, Omar Metwally
Distribuidora: Paris Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

sábado, 26 de julho de 2014

A Musica Nunca Parou

The Music Never Stopped *
(2011) 105 min (10 anos)

EUA - Henry e Helen Sawyer tiveram um único filho a quem criaram com todo amor. Desde pequeno, Gabriel era estimulado a reconhecer as músicas favoritas do pai e ouvir histórias sobre o momento em que Henry as escutara pela primeira vez. Quando tocava uma canção no rádio, o menino devia adivinhar o nome, data de lançamento e quem era compositor. Era uma das brincadeiras favoritas dos dois. Na adolescência, Gabriel desenvolveu seu próprio gosto musical e criou uma banda. Mas Henry não gostava de rock. O bom relacionamento entre eles ficou abalado quando seus objetivos começaram a divergir. Henry queria ver o filho na apresentação da universidade, enquanto Gabriel preferia assistir com os amigos um show do "Grateful Dead". Seguiu-se uma briga e o adolescente saiu de casa.

Uns vinte anos depois, Helen e Henry vão encontrar o filho num hospital. Gabriel está com barbas longas e parece um morador de rua. O médico explica que ele está com um extenso tumor no cérebro que precisa ser operado. Mesmo sendo benigno, não se podem prever as consequências do procedimento. Depois da cirurgia, pouco sobrou de sua memoria recente, mas a musica ainda mexe com ele e desperta recordações. Henry encontra uma pesquisadora que teve resultados promissores com casos semelhantes, em sessões de musicoterapia. A Dra. Dianne Dally torna-se a última esperança da família Sawyer. Para se conectar com Gabriel, Henry mergulha no repertório das bandas dos anos 60. Sua missão primordial é reconstruir o relacionamento com o filho através da música.

O desempenho de J. K Simmons como Henry e a trilha sonora maravilhosa - Bing Crosby, Paul Simon, Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan - são os grandes trunfos de "A Música Nunca Parou".

Diretor: Jim Kohlberg
Roteiro: Gwyn Lurie, Gary Marks, baseado no ensaio "The Last Hippie", do livro "An Anthropologist on Mars", de autoria do psiquiatra e neurologista Oliver Sacks.
Musica: Paul Cantelon
Fotografia: Stephen Kazmierski
Designer de Produção: Jennifer Dehghan
Diretor de Arte: Michael Ahern
Elenco: J. K. Simmons, Lou Taylor Pucci, Cara Seymour, Julia Ormond, Mía Maestro, Tammy Blanchard, Max Antisell
Distribuidora: Europa Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

Lunchbox

Dabba * *
The Lunchbox 
(2013) 104 min (12 anos)

India - Saajan é um solitário contador viúvo, prestes a se aposentar. A bela Ila é mãe de uma menina e uma esposa negligenciada, que tenta chamar a atenção do marido caprichando no preparo das refeições. No apartamento de cima habita uma senhora que Ila chama de tia. A boa mulher nunca sai de casa, pois cuida do marido inválido, que passa os dias olhando para o ventilador de teto. Pela janela da cozinha, a experiente senhora grita conselhos para a jovem esposa e desce especiarias numa cestinha. 

Ila vai experimentando, mudando os temperos, tentando novas receitas, sem nenhum reconhecimento por parte do marido. Até que um dia, o eficiente serviço de entregas troca as marmitas e a comida cheirosa e bem temperada chega à mesa de Saajan. Pela primeira vez, as tigelinhas de alumínio da quentinha voltam vazias, para alegria de Ila e sua tia. No segundo dia, o contador acrescenta um bilhete, o que dá início a uma correspondência diária que ilumina a vida dos dois. Às vezes o trem errado nos conduz à parada certa.

Que história delicada e bem contada! "Lunchbox" é um filme para ser degustado com atenção, sem pressa. Assim como evolui a comida de Ila, assistimos Saajan abrir-se para as pessoas. O homem seco, que jamais cometeu um erro no trabalho, mas não sabia viver, começa a interagir com o colega de escritorio, as crianças da vizinhança, reconhecendo aqueles que fazem parte de seu cotidiano, mas ele antes rejeitava. Uma comida saborosa tem o poder de transformar as pessoas, já nos havia ensinado "A Festa de Babette"! Preferia uma cena final mais explícita, mas nada que não possa completar com uma pitada de imaginação. O ótimo elenco atua com naturalidade e tem como protagonista Irrfan Khan, que já encontramos em "As Aventuras de Pi" e "Quem quer Ser um Milionário?".

Curiosidades:
* O Mumbai Dabbawallahs é um serviço que recolhe comida quente nas casas dos trabalhadores no final da manhã e entrega no local de trabalho, utilizando vários meios de transporte, especialmente bicicleta e trem. À tarde devolvem as embalagens nas residências.

* Em 2007, o roteirista e diretor Ritesh Batra começou uma pesquisa para um documentário sobre o Dabbawallahs. Depois de passar uma semana com os entregadores, Batra soube de muitas historias pessoais interessantes, que eles ouviam enquanto esperavam do lado de fora dos apartamentos. Daí lhe veio a ideia para fazer um filme de ficção, em vez de um documentário.

* Alguns dos "dabbawallas" que o diretor conheceu fazem ponta no filme como entregadores. Eles receberam marmitas reais para entregar, enquanto eram filmados por uma pequena equipe, que registrou o processo num estilo de documentário.

Diretor: Ritesh Batra
Roteiro: Ritesh Batra
Musica: Max Richter
Fotografia: Michael Simmonds
Designer de Produção: Shruti Gupte
Elenco: Irrfan Khan, Nimrat Kaur, Nawazuddin Siddiqui, Lillete Dubey, Bharati Achrekar (a voz da tia)
Distribuidora: Imovision

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Farinelli - Il Castrato

Farinelli, Il Castrato
(1994) 105 min (18 anos)

Italia - Nascido Carlo Maria Michelangelo Nicola Broschi, de uma família de músicos italianos, Farinelli foi castrado no início da adolescência para preservar sua bela voz de soprano. Contemporâneo do compositor Handel, Farinelli foi o cantor de ópera mais famoso e bem pago de seu tempo. Sua voz cobria três oitavas e o desenvolvimento torácico permitia que sustentasse uma nota durante um minuto sem respirar. O filme do diretor Gérard Corbiau toma algumas liberdades com os fatos reais mas revela a importância do cantor para plateias cultas e populares da Europa. Farinelli foi uma unanimidade. 

O hábito de castrar meninos cantores começou no século XVI e durou até 1870 na Itália. Geralmente eram escolhidos os órfãos e abandonados, mas algumas famílias pobres, incapazes de sustentar os filhos, ofereciam um deles para ser castrado. Em Nápoles, algumas barbearias traziam um aviso na porta: "Qui si castrano ragazzi" ("Aqui castram-se rapazes"). A castração consistia no corte dos canais provenientes dos testículos para evitar a mudança de voz na adolescência. A que extremos se chegava pelo amor à arte! Foi publicado no "Journal of Anatomy" um breve estudo sobre os restos mortais de Carlo Broschi. Nas conclusões, os autores lembram que Farinelli era um homem bem-humorado que conservou a lucidez, além da voz bela e poderosa, até o fim de seus 78 anos. Um caso bastante interessante.

"Farinelli, il Castrato" foi indicado ao Oscar, representando a Bélgica, e ganhou o Globo de Ouro em 1995, como Melhor Filme Estrangeiro. Olga Berluti recebeu o David di Donatello pelo vestuário. O DVD pode ser alugado no Guimarães Video Clube, em Laranjeiras, Rio de Janeiro. 

Curiosidades:

* Foi preciso combinar eletronicamente vozes masculina e feminina para recriar o som da voz de Farinelli cantando. A voz masculina pertence ao contratenor Derek Lee Ragin e a feminina à mezzo-soprano polonesa Ewa Mallas-Godlewska, dois especialistas em música barroca.

* A extensão vocal de Farinelli abrangia do Lá2 até Ré6, como escreveu Johann Joachim Quantz:
“ Farinelli tem uma voz de soprano ligeiro, completa, rica, luminosa e bem trabalhada, com uma extensão que abrange desde o Lá debaixo do Dó central a Ré três oitavas acima do Dó médio… Sua entonação era pura, seus vibratos maravilhosos, seu controle sobre sua respiração era extraordinário e sua garganta muito ágil, porque cantou os intervalos mais amplos rapidamente e com a maior facilidade e firmeza. As passagens das obras e todo tipo de melismas não representaram dificuldades para ele. Na invenção das ornamentações livres nos adágios foi muito fértil."
Carlo Broschi, o Farinelli

Diretor: Gérard Corbiau
Roteiro: Andrée Corbiau & Gérard Corbiau
Musica:  Riccardo Broschi, Johann Adolf Hasse, Georg Friedrich Händel, Giovanni Battista Pergolesi, Nicola Porpora
Fotografia: Walther van den Ende
Designer de Produção: Gianni Quaranta
Vestuario: Olga Berluti, Anne de Lagaurdière
Elenco: Stephano Dionisi, Enrico Lo Verso, Elsa Zylberstein, Jeroen Krabbé, Caroline Cellier, Renaud du Peloux de Saint Romain, Marianne Basler, Jacques Boudet
Distribuidora: Top Tape

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante
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