Lista de sugestões de filmes interessantes. Cada postagem traz foto, breve sinopse, censura, diretor, distribuidora, elenco, responsáveis pelo roteiro, musica e fotografia. Com o eterno deslumbramento de fã apaixonada, By Star Filmes acredita que o cinema emociona, ensina e é a melhor diversão.

terça-feira, 26 de março de 2013

Amor

Amour * *
(2012) 127 min (14 anos)

França - Os bombeiros de Paris forçam a entrada no amplo apartamento dos músicos aposentados, Georges e Anne Laurent. No quarto do casal, encontram o corpo sem vida da mulher repousando sobre a cama, cercado de flores já murchas. Não há sinal do marido. 

A história retrocede ao momento em que os idosos assistem ao concerto de piano de um antigo aluno de Anne. Os Laurent estão sentados no meio da quarta fileira, mais à esquerda da tela. No dia seguinte, enquanto conversam no café da manhã, a ex-professora de música sofre um acidente vascular cerebral. Com seu lado direito paralisado, passa a depender da ajuda do marido para tudo. Um segundo derrame inviabiliza suas chances de recuperação. Tendo prometido não internar a esposa, e evitando a interferência de Eva, sua única filha, Georges fica sobrecarregado pelos cuidados com a mulher, cujas condições se deterioram mais e mais.

"Amor" é um filme magistralmente conduzido por Michael Haneke e interpretado com brilho por Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva. Impressiona, é inesquecível, mas me deixou aquela sensação árida dos romances não policiais de G. Simenon, "les romans durs". À medida em que a doença progredia, o marido ia se isolando do resto do mundo, a comunicação escasseava e a música, que antes enchia o ambiente, foi sendo substituída pelo lamento de Anne: "dói! dói!". A ação se limita ao que acontece no apartamento.  Às vezes queria ter seguido Georges quando saía para fazer compras, dar uma olhada na praça, mas o diretor não deixa, nos confina ao perímetro do imóvel, já com um ar gasto, as paredes envelhecidas. E Georges não puxa conversa com ninguém, mostra sentir-se pouco à vontade no convívio com as poucas pessoas que ainda vê. Prefere a companhia do pombo que um dia entra pela janela.

O casal não vive essa fase dificílima cercado pelo amor de uma família que compartilhe os bons e maus momentos, pois eles mantem a filha adulta à distância, evitando que testemunhe a decadência da mãe. Georges nega as próprias limitações e apega-se ao desejo da mulher de não ser levada a um hospital ou clínica. Não poderia procurar outra enfermeira, ou mesmo internar a esposa e fazer visitas diárias, permitindo que filha, genro e netos se juntassem a eles? Mas aí não seria a história de Georges e Anne Laurent. Um final triste para uma vida de companheirismo - o verdadeiro amor deveria gerar bons frutos. A obra de Michael Haneke ganhou a Palma de Ouro em Cannes, o BAFTA, o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira em 2013, entre muitos outros prêmios.

Curiosidade:
Michael, Emmanuelle e Trintignant
* O papel de Georges foi escrito especialmente para Jean-Louis Trintignant. (wikipedia)

* O roteiro baseou-se numa situação semelhante acontecida na família do diretor: uma tia que sofreu uma doença degenerativa. Michael Haneke se interessou pela dificuldade de lidar com o sofrimento de alguém que se ama. O blog do "Village Voice" traz uma entrevista com o diretor austríaco.

Diretor: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Musicas de Franz Schubert, Beethoven e Johann Sebastian Bach, interpretadas por Alexandre Tharaud
Fotografia: Darius Khondji
Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud, William Shimell, Rita Blanco, Ramón Agirre
Distribuidora: Imovision

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante
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