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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Rastros de Justiça

Five Minutes of Heaven *
(2009) 90 min (14 anos) feito para TV



"No momento em que você se junta ao terror e se filia à organização, ao grupo, sua cabeça se fecha. Nada mais importa. Apenas sua história conta, nunca a história de seus opositores (...) O que a sociedade precisa fazer é evitar que as pessoas cheguem ao ponto de entrar para o grupo. A partir daí é tarde demais. Você fará qualquer coisa. Matará qualquer pessoa do outro lado, porque parece certo. A sociedade perdeu."

Irlanda do Norte, Lurgan, outubro de 1975 - Joe Griffin, católico, tem 12 anos e quer bater seu recorde. Ele chuta a bola contra a parede externa da casa, repetidas vezes. Alistair Little, protestante, entrou para a força paramilitar aos 15. Está com 17 anos quando encontra três companheiros da UVF (Ulster Volunteer Force) num carro roubado.

De posse de uma arma, com máscaras de lã escondendo o rosto, dirigem-se até à casa de número 37, onde Joe ainda joga. Allistair sai do carro, olha para Joe com a bola na mão e, através da janela da sala, atira 5 vezes contra Jim Griffin, 19 anos. Uma das balas acerta o retrato de um gato branco, pendurado na parede. Aprisionado por 12 anos em Maze, Alistair terá tempo para avaliar as consequências de seu ato para a vida de todos. Décadas depois, ele deve reencontrar Joe, por iniciativa de um programa de televisão.

O assassinato de Jim por Alistair faz parte da história da Irlanda do Norte. Quanto ao reencontro de Little com Joe Griffin foi uma interessante criação do roteirista Guy Hibbert. Guy entrevistou os dois separadamente, durante 3 anos. Joe Griffin e Alistair nunca se encontraram na vida real.

"Rastros de Justiça" me pareceu durar 5 minutos, quando na verdade foram 90 minutos de suspense total . O título em português não é nada feliz, pois confunde-se com muitos outros semelhantes. O título original, "Five Minutes of Heaven" (5 minutos no céu), ressalta a curta duração do entusiasmo provocado pela vingança.

Fazem valer o aluguel desta produção britânica uma direção segura, o emocionante desempenho de Liam Neeson e James Nesbitt, como Alistair e Joe adultos, e a reflexão sobre as causas da violência como opção de jovens desorientados. O desejo de pertencer a um grupo, partilhar um objetivo comum e a desconfiança do outro, alimentada por líderes políticos, são algumas das razões apontadas por Alistair Little.

Parece que o circuito completo do aparecimento de uma idéia na mente, até sua expressão no corpo como sentimento, leva 90 segundos. Se não realimentarmos pensamentos de medo, rancor ou melancolia, logo ficamos livres de suas consequências: coração acelerado, suor, palidez, prostração, pernas bambas ou maxilar e punhos contraídos. Contar até 10, respirar fundo, técnicas de controle da raiva, exercícios físicos, oração, entre outras atividades, ajudam a orientar os pensamentos de maneira mais inteligente. Mas, se persistimos nas idéias destrutivas, sofreremos todas as consequências do sequestro emocional. Ódio, culpa e tristeza constantes consomem energia e paralisam. Em primeiro lugar, perdoar liberta a nós mesmos.


Diretor: Oliver Hirschbiegel
Roteiro: Guy Hibbert
Música: David Holmes
Fotografia: Ruairi O'Brien
Elenco: Liam Neeson, James Nesbitt, Mark Davison, Kevin O'Neill, Anamaria Marinca, Richard Dormer, Paula McFetridge

O verdadeiro Allistair Little




"Infelizmente reconciliação e perdão têm sido politizados, então perderam o valor para mim. A única coisa a me dar esperança é trabalhar com pessoas que conhecem o custo humano. Quando alguém que sofreu estende a mão de amizade e perdão para alguém como eu, é difícil não ficar emocionado e inspirado." 


(depoimento de Allistair Little para o Forgiveness Project)


Vale a pena ler a entrevista com Alistair Little na página do Edinburgh Festival
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