(1950) 99 min (14 anos) Preto e Branco
'Falo de uma felicidade tão grande, tão especial, que está além da dor e do desespero ilimitado. É uma felicidade além de toda a compreensão.'
Suécia - Stig Eriksson é violinista na orquestra sueca dirigida pelo maestro Sönderby. Durante um ensaio Stig é informado de que sua esposa Martha morreu num acidente com o fogão de querosene. A filha do casal queimou-se na explosão mas está fora de perigo. A memória do músico volta dez anos, quando ele e Martha se conheceram, como os mais novos violinistas da companhia.
Martha era linda, suave e gentil, queria casar e formar família. Para ela, os momentos de calma rotina doméstica eram os mais felizes. Stig tinha uma personalidade torturada, ambiciosa, queria ser o solista da orquestra, não se conformava em ser um músico mediano. A doce convivência familiar não lhe bastava, queria mais.
Dificilmente filmes escandinavos que tenham no título as palavras "felicidade" e "festa" oferecem ao espectador uma calorosa sensação de bem estar. Costumam lidar com a solidão e os conflitos familiares. Parecem criados para nos provar que as alegrias neste mundo são inatingíveis; mais certa é a tristeza, pois somos vítimas e artífices de nossas escolhas cegas. 'Rumo à Felicidade' não é diferente; a angústia de Stig o conduz à infidelidade e provoca a separação do casal. É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um egoísta espalhar felicidade nessa terra. Bergman exorcizava em seus filmes a educação excessivamente severa e os conflitos entre seus pais.
Dos 5 filmes antigos de diretores clássicos que assisti essa semana, 'Rumo à Felicidade' foi meu favorito. Gostei imensamente da história, da beleza das imagens, da economia de palavras, da música, dos sentimentos intensos e tão humanos. Imagino que, no final da vida, depois de vários relacionamentos e 9 filhos, Bergman tenha descoberto as doçuras da tolerância e do convívio familiar. Só assim seria possível ter concebido o ambiente aconchegante e as cenas felizes da festa de Natal na casa da avó Helena Ekdahl, em 'Fanny and Alexander'. Mas a mansidão de Martha, esposa de Stig, já é o prenúncio de uma possível felicidade doméstica. Só é capaz de sentir-se feliz, mesmo na adversidade, o coração generoso que se abre aos outros e ao mundo.
Diretor: Ingmar Bergman
Roteiro: Ingmar Bergman
Musica: Sam Samsom, além de sinfonias de Mozart, Mendelssohn, Beethoven
Fotografia: Gunnar Fischer
Elenco: Maj-Britt Nilsson, Stig Olin, Victor Sjömström, Birger Malmsten, John Ekman, Margit Carlqvist
Distribuidora: Versátil Home Video
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