Lista de sugestões de filmes interessantes. Cada postagem traz foto, breve sinopse, censura, diretor, distribuidora, elenco, responsáveis pelo roteiro, musica e fotografia. Com o eterno deslumbramento de fã apaixonada, By Star Filmes acredita que o cinema emociona, ensina e é a melhor diversão.

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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Tres Anuncios para um Crime

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri * * *
(2017) 115 min (16 anos)

Diretor: Martin McDonagh
Roteiro: Martin MCDonagh
Musica: Carter Burwell
Fotografia: Ben Davis 
Designer de Produção: Inbal Weinberg
Diretor de Arte: Jesse Rosenthal
Figurino: Melissa Toth
Elenco: Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell, Peter Dinklage, John Hawkes, Abbie Cornish, Lucas Hedges, Clarke Peters, Sandy Martin, Amanda Warren

Não gostei do trailer de ”Três Anúncios para um Crime” e decidi não ver o filme no cinema, coisa arriscada em tempos de poucas locadoras. Mesmo apreciando a atriz Frances McDormand (“Fargo”), me pareceu mais uma daquelas produções americanas de vendetta e violência policial. Mas, de Dublin, meu irmão Carlos avisou: é do mesmo escritor e diretor de “In Bruges” (“Na Mira do Chefe”). Mudei de ideia rapidamente e fui assistir na primeira semana do lançamento. Adoro “In Bruges” e confio no Carlos. Como valeu a pena! 

Na pequena cidade de Ebbing, Mildred Hayes esperava há meses que a polícia descobrisse o assassino que estuprou e matou sua filha Angela. Para agitar as coisas, Mildred aluga 3 outdoors na estrada onde ocorreu o crime, questionando o xerife local. E coisas começam a acontecer...

”Três Anúncios para um Crime” surpreende e prende a atenção, porque nasce de um roteiro inteligente, escrito com sensibilidade. O resultado são personagens muito humanos nos seus erros e grandezas, misturando suspense, humor e emoção. Não me perdoaria ter deixado de ver na tela grande o filme do inglês Martin McDonagh. Vou guardar esse nome para o futuro. Ele é jovem (26/03/1970) e pode escrever/dirigir outras jóias como “In Bruges” e “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”.

Destaque para os desempenhos de Frances McDormand, Woody Harrelson e Sam Rockwell, perfeito como o policial impulsivo e preconceituoso que ainda desconhece o bem de que é capaz. Filme indicado em 7 categorias do Oscar; já ganhou o BAFTA e o Golden Globe. (IMDB).



*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

terça-feira, 12 de abril de 2016

Morangos Silvestres

Smultronstället * * *
Wild Strawberries
(1957) 95 min (Livre)



Suécia - Sentado em frente à escrivaninha em seu escritório, o professor Eberhard Isak Borg se apresenta como um médico solitário de 78 anos e informa que receberá uma homenagem na cidade de Lund. Depois de uma noite inquieta, durante a qual tem um sonho atribulado, Isak avisa à Agda, sua empregada há 40 anos, que deseja viajar de carro, e não de avião, como fora combinado. Nessa viagem, o doutor Borg e a nora Marianne começam a se conhecer melhor e dão uma carona à jovem Sara e seus dois pretendentes: um ateu e um religioso.

Acredito que estivesse com uns 8 anos quando meus pais foram ao cinema assistir "Morangos Silvestres". O filme já deveria ser classificado como Livre para todas as idades, mas nessa época eram as histórias da Disney e de Frank Capra que me seduziam. Por incrível que pareça, só ontem assisti, pela primeira vez, essa joia deixada pelo diretor sueco! As reflexões sobre a solidão e os distúrbios nos diversos tipos de relacionamento humano são apresentados de forma bem mais otimista do que em outras obras do cineasta. E é a possibilidade de superá-los que torna essa experiência mais adorável. O solitário professor se deixa contaminar com a alegria dos três jovens que encontra ao visitar a casa onde morou com a família. Parece tirar o coração do casulo onde seu infeliz casamento o enclausurou. Mais adiante o doutor faz uma parada para cumprimentar a mãe de 95 anos, uma figura independente e severa, que não aproveita essa tentativa de aproximação.


À parte a profundidade freudiana dos dramas de Bergman, são fascinantes suas composições da imagem. Nesse filme, como em "Fanny & Alexander", percebe-se a influência estética do pintor sueco Carl Larsson, especialmente nas lembranças do dr. Isak Borg na casa paterna. 

As aquarelas de Larsson retrataram sobretudo seus 8 filhos com a designer Karin, na colorida casa de Lilla Hyttnäs, em Sundborn. Bergman imaginou Isak numa família de dez irmãos e primos, em cenário que se inspira na luminosa decoração da casa de campo do pintor sueco e seu entorno. O ambiente alegre suaviza a carga dramática dos sentimentos do idoso personagem de "Morangos Silvestres". O filme foi indicado ao Oscar e ao BAFTA, e ganhou o Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro em 1960; uma obra-de-arte que resistiu com brilho à passagem do tempo.

Diretor: Ingmar Bergman
Roteiro: Ingmar Bergman
Musica: Erik Nordgren
Fotografia: Gunnar Fischer
Designer de Produção: Gittan Gustafsson
Elenco: Victor Sjöström, Ingrid Thulin, Bibi Andersson, Gunnar Björnstrand, Jullan Kindahl, Naima Wifstrand, Max von Sydow
Distribuidora: Versátil Home Video

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

domingo, 5 de julho de 2015

Cinderella

Cinderella * * *
(2015) 105 min (Livre)

Num reino pequenino, pacífico e belo, bem no meio da floresta, vive a menina Ella, cercada pelo amor dos pais, na companhia de muitos amigos, entre os quais, os animais da fazenda. Seu pai é um rico mercador que viaja por outras terras, enquanto a esposa cuida da casa e ensina à filha valores de bondade, esperança e fé. Quando estão juntos, são a família mais feliz do mundo. 

Certo dia a mãe de Ella adoece. Em seu leito de morte, a amável senhora diz à menina que precisa ser sempre corajosa e gentil. Nos anos seguintes pai e filha se fazem companhia, até que o viúvo acredita que casar-se novamente poderia aumentar sua felicidade. Lady Tremaine, suas duas filhas, Anastácia e Drisella, o peludo e rabugento gato Lúcifer vêm morar na casa da floresta. As três mulheres são tão fúteis quanto frias e não têm qualquer interesse em conhecer ou amar pai e filha.

Antes de partir em mais uma viagem, o mercador pergunta a cada uma das jovens o que deseja como presente. As irmãs querem rendas e sombrinhas. Ella pede o primeiro galho que tocar o ombro do pai. Mal o marido deixa a casa, Lady Tremaine sugere que Ella troque de quarto com as irmãs e vá dormir no sótão. Este é só o começo das desventuras da bondosa Ella, que precisará de toda coragem e gentileza para não desistir de sonhar com uma vida melhor.

Os estúdios Disney conseguiram recriar pela segunda vez toda magia da história do escritor Charles Perrault (1697). "Cinderella" é um sonho desde o vestuário à escolha do elenco; feliz na direção, na música, nos diálogos e efeitos especiais. Kenneth Brannagh foi fiel a cada detalhe da história original, incluindo os mágicos sapatinhos de cristal, uma criação de Swarovski, inspirada num exemplar de 1950, que a figurinista Sandy Powell viu num museu. A companhia austríaca forneceu mais de 7 milhões de cristais para serem usados nos vestidos e tiaras da cena do baile. Tal como todo o filme, um luxo só.

Curiosidades:
* Na dança no baile, muitos dos vestidos foram inspirados nos vestidos das princesas da Disney : Bela, Tiana, da Princesa e o Sapo, Aurora, Branca de Neve, Mulan e Ariel.

* Lily James, que interpreta Cinderella, e Sophie McShera, que interpreta Drisella, também atuam juntas em Downton Abbey. Contudo seus papéis são trocados.  Lily é a Lady Rose e Sophie faz o papel de Daisy, a ajudante da cozinheira.

* O vestido azul e o cabelo de Cinderella foram enfeitados com 10.000 cristais Swarovski. A empresa confeccionou 8 pares de sapatinhos, mas nenhum era usável. Lily James usava sapatos de couro no set, que foram digitalmente transformados em crista

Diretor: Kenneth Branagh
Roteiro: Chris Weitz, baseado no conto de Charles Perrault
Musica: Patrick Doyle
Fotografia: Haris Zambarloukos
Designer de Produção: Dante Ferretti (A Invenção de Hugo Cabret, Cold Mountain, Entrevista com o Vampiro, A Época da Inocência, O Nome da Rosa)
Figurinista: Sandy Powell (Ilha do Medo, O Lobo de Wall Street, A Jovem Rainha Victoria, Shakespeare Apaixonado)
Elenco: Lily James, Richard Madden, Cate Blanchett, Helena Bonham Carter, Stellan Skarsgård, Sophie McShera, Holliday Granger, Derek Jacobi, Ben Chaplin, Hayley Atwell, Jana Perez
Distribuidora: Disney


*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

terça-feira, 2 de junho de 2015

Timbuktu

Timbuktu * * *
(2014) 97 min (14 anos)

Mali - Uma gazela corre pelas dunas do Sahara, tentando escapar das balas de um grupo de guerrilheiros que a perseguem num jipe. Os jovens jihadistas tentam matar o animal que simboliza a graça, a liberdade e a beleza. Desde que o Estado Islâmico dominou a cidade de Timbuktu, a população de diferentes etnias encontra-se submetida a uma interpretação severa da sharia. Através desse conjunto de leis, as mulheres são obrigadas a usar luvas e meias, ficam abolidos o cigarro, a musica e os jogos de bola. O único toque de modernidade permitido nesse recanto do deserto é o som do celular.

Próximo à cidade de Timbuktu, o tuaregue Kidane vive numa tenda nas fronteiras do deserto, com a mulher Satima, a filha Toya e Issan, o pastor de 12 anos que cuida do pequeno rebanho da família. Cada vez que o marido se ausenta, o jihadista Abdelkerim vem importunar a bela Satima. Mas, na cidade, os guerrilheiros vigiam os moradores dia e noite, aplicando diversas punições aos infratores da sharia, que vão da advertência ao apedrejamento. Depois de uma briga com um pescador, Kidane é preso e aguarda seu castigo.

"Timbuktu" é um filme suave, apesar do tema, interpretado com naturalidade por todo elenco, e enfeitado pela extrema beleza da trilha sonora e fotografia. A música, cantada pela personagem da atriz Fatoumata Diawara, é comovente de tão linda, assim como a cena de um jogo de futebol entre um grupo de meninos, jogado na areia, sem bola. 

Os jihadistas não são apresentados como monstros, mas humanizados por um olhar, uma conversa franca ou pela ajuda a um prisioneiro. Contudo são os mesmos que destroem pessoas e obras de arte, patrimônios históricos da humanidade. Não se tenta sequer uma explicação para o motivo das adesões a uma ideologia tão contrária aos desejos humanos e à intenção divina. 

Se Deus criou um mundo onde os pássaros cantam, o vento murmura e faz dançar as folhas, se nosso coração bate em ritmo de percussão, por que haveria Alá de se ofender com os cantos e danças das gentes? 

Curiosidades:

* Em 20 de fevereiro de 2015, Timbuktu tornou-se o primeiro filme gravado na Mauritânia, por um diretor local, a ganhar 7 prêmios Césars: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro original, Melhor Edição, Melhor Fotografia, Melhor Música e Melhor Som. É o filme africano mais premiado até agora.

* O filme examina a breve ocupação de Timbuktu pelo grupo Ansar Dine (Defensores da Fé), em março de 2012. Partes do filme foram influenciadas pelo apedrejamento público de um casal não casado, na comunidade rural de Aguelhok.

* Os personagens falam em Tuareg, Bambara, Árabe, Francês, e, por vezes, em Inglês.

Diretor: Abderrahmane Sissako
Roteiro: Abderrahmane Sissako, Kessen Tall
Musica: Amine Bouhafa
Fotografia: Sofian El Fani
Design de Produção: Sebastian Birchler
Elenco: Ibrahim Ahmed, Toulou Kiki, Layla Walet Mohamed, Mehdi A. G. Mohamed, Abel Jafri, Adel Mahmoud Cherif, Fatoumata Diawara, Salem Dendou
Distribuidora: Imovision

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

sábado, 27 de setembro de 2014

Malévola

Maleficent * *
(2014) 96 min (10 anos)

Era uma vez dois reinos vizinhos. O Reino das Pessoas, onde reinava um soberano ganancioso sobre um povo descontente, e invejoso das riquezas do país vizinho. E o Reino da Floresta, onde viviam diversos tipos de criaturas estranhas e maravilhosas. Neste reino não havia reis, rainhas, ou soldados, bastava a confiança mútua. Em uma árvore imponente morava uma jovem fada com grandes asas, um par de chifres torneados e um inocente sorriso, que se chamava Malévola. 

Malévola era um espírito livre, solitário e poderoso que gostava de voar, brincar e consertar os ramos das árvores. Traída por um humano, e tendo perdido sua estonteante liberdade e alegria, a protetora da floresta endureceu o coração e lançou um feitiço contra a recém-nascida Aurora, filha de seu malfeitor. Essa é a história de como, apesar de tudo, Malévola foi tocada pela inocência, confiança e amor da jovem princesa. Escondida dentro da mata, a fada que um dia foi boa só tem como companhia o corvo Diaval, que ela transforma nos animais que lhe convém em cada momento.

Deixei de assistir "Malévola" no cinema por conta de sessões dubladas e em 3D. Teria gostado muito de ver o Reino das Fadas na tela grande. Paciência. Para quem não viu, ou quer rever, vale alugar o blu-ray pelos poucos extras, especialmente para ver Vivienne Jolie-Pitt sair dos braços da mãe para os do pai, que a esperava escondido, junto dos outros filhos. Muito bonitinho. Depois de assustar algumas crianças com sua fantasia sinistra, Angelina avaliou que certamente sua filha não teria medo dela.

No By Star "Malévola" ganhou o direito a uma Nota DEZ por ser um produto Disney em toda sua glória. As roupas e cenários são divinos! Angelina está esplêndida, assim como as fadinhas tolas, Diaval e a atriz que interpreta Malévola criança. Mas roubei uma estrelinha do filme para mostrar meu descontentamento pelos personagens masculinos desprezíveis. O melhor homem na tela é na realidade um corvo! Não espere ver uma versão fiel ao desenho animado da Disney se quiser divertir-se com essa visão de Linda Woolverton e Robert Stromberg.
Angelina com Vivienne Jolie-Pitt

Curiosidades:
* Todo o elenco foi parcialmente escolhido pela sua semelhança com os personagens do desenho animado "A Bela Adormecida" (1959), da Disney.

* As próteses e maquiagem de Malévola foram inspiradas na cantora Lady Gaga, especialmente na capa do álbum "Born This Way".

* Angelina Jolie baseou sua entonação na fala de Eleanor Audley, que dublou Malévola no desenho animado da Disney. Sua risada no filme também foi baseada na melhor variação que ela apresentou e seus filhos ajudaram a escolher.

* A própria Angelina escolheu Lana Del Rey para cantar a versão de "Once Upon a Dream", tema musical de "A Bela Adormecida" (1959).

Diretor: Robert Stromberg
Roteiro: Linda Woolverton & Charles Perrault, baseado na historia da "Bela Adormecida"("La Belle au bois dormant")
Isabelle Moloy como Malevola criança
Musica: James Newton Howard
Fotografia: Dean Semler
Designer de Produção: Dylan Cole, Gary Freeman
Diretores de Arte: David Allday, Frank Walsh, Paul Laugier
Elenco: Angelina Jolie, Sharlto Copley, Elle Fanning, Sam Riley, Imelda Staunton, Lesley Manville, Juno Temple, Isobelle Molloy (Malévola criança), Ella Purnell (Malévola adolescente), Jackson Bews, Vivienne Jolie-Pitt (Aurora 5 anos), Eleanor Worthington-Cox (Aurora 8 anos), Janet McTeer (Narradora), Kenneth Cranham, Hannah New
Distribuidora: Disney

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante


terça-feira, 1 de julho de 2014

Pais e Filhos

Soshite chichi ni naru * * *
Like Father, Like Son
(2013) 121 min (Livre)

pais e filhos
Japão - Obcecado pelo trabalho, o esforçado arquiteto Ryota Nonomiya vive confortavelmente num elegante apartamento de Tóquio, com a mulher Midori e o filho de 6 anos, Keita. Desejando para o menino um futuro de sucesso, Ryota exige que aprenda piano e coloca-o num cursinho que prepara para os melhores colégios particulares da cidade. Dócil, o menino faz de tudo para agradar o pai, inclusive inventar que os dois acampam e empinam pipa juntos, porque os instrutores do cursinho disseram que isso contava pontos na entrevista da escola. 

No exame físico necessário para a admissão no colégio particular, Ryota e Midori descobrem que não são os pais biológicos de Keita, pois seu sangue é incompatível com o do menino. Seu filho biológico foi trocado no berçário do Hospital de Maebashi e está sendo criado junto com as outras crianças da família Saiki, modestos comerciantes da pequena cidade. 

A primeira reação de Ryota ao ficar a sós com a esposa foi: "Agora está tudo explicado" - afinal o arquiteto não valorizava a mansidão de Keita, desejava que fosse mais competitivo. Midori sofre por antecipação diante da perspectiva de se afastar do menino que ela ama profundamente. Para Midori não existe a "força do sangue", mas a dos laços construídos. As duas famílias começam a conviver e considerar a difícil decisão de trocar as crianças, como foi sugerido pelo Hospital.

Como cada um de nós resolveria esse dilema, criar seu filho biológico ou seu filho do coração? Meu marido não teve dúvida, criaria aquele que o destino colocou sob seus cuidados. "Pais e Filhos" focaliza especialmente a situação do casal Nonomiya e a transformação por que passa o estressado Ryota, ao ser confrontado com Yudai Saiki, um pai que dedica tempo aos filhos e acredita ser essa sua missão mais importante. É uma belíssima obra do diretor Hirokazu Kore-eda, para ser vista e revista, premiada pelo Juri Ecumênico em Cannes, além ser escolhida como Melhor Filme pelas audiências dos Festivais Internacionais de San Sebastián e de São Paulo, em 2013. 

Curiosidade:
* Dreamworks Studios adquiriu os direitos de refilmagem de "Pais e Filhos" depois que o filme chamou a atenção de Steven Spielberg, em Cannes.

Diretor: Hirokazu Kore-eda (O Que Eu Mais Desejo, Ninguem Pode Saber, Depois da Vida)
Roteiro: Hirokazu Kore-eda
Musica: Shin Yasui, Takeshi Matsubara, Junichi Matsumoto, Takashi Mori
Fotografia: Mikiya Takimoto
Diretor de Produção: Keiko Mitsumatsu
Elenco: Masaharu Fukuyama (Ryota), Machiko Ono (Midori), Keita Ninommiya (Keita), Rirî Furankî (Yudai), Yôko Maki (Yukari), Shôgen Hwang (Ryusei)
Distribuidora: Imovision

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A Grande Beleza

La Grande Bellezza * * *
(2013) 141 min (14 anos)

Italia - O escritor napolitano Jep Gambardella chegou a Roma com 26 anos, trazendo na mala a ambição de tornar-se o rei da alta sociedade. Este sonho se realiza logo, na publicação de sua primeira e última obra, "O Aparato Humano". Colunista de um jornal de prestígio, solteiro, colecionador de aventuras românticas, Jep passa a vida entre festas e eventos culturais, rodeado de gente rica, elegante, conservada em plásticas e botox. As pessoas mais próximas do jornalista são Dadina, a anã que é sua chefe no jornal, o escritor Romano e uma divertida diarista. Um tanto entediado, Gambardella sonda um importante cardeal italiano sobre questões espirituais. Antes tivesse procurado um humilde sacerdote de aldeia. O príncipe da Igreja só se interessa por receitas culinárias.

Então chega a Roma certa religiosa centenária, precedida por uma fama de santidade. Ela dorme no chão e se alimenta de raízes. Dadina encarrega Jep de encontrar a missionária, que concorda em conceder uma raríssima entrevista, por ser fã do livro "Aparato Humano". No terraço do apartamento de Gambardella, vizinho ao Coliseu, aves migratórias repousam antes da viagem, ante os olhos contemplativos da religiosa.

Assistir "A Grande Beleza" impressiona, pois Roma é capturada em total esplendor artístico, em imagens de palácios, esculturas, jardins encantadores onde correm crianças e freirinhas. Os créditos finais chegam à tela junto a um passeio de barco pelo rio Tibre. A trilha sonora é toda belíssima, mas também contagia, dançante, durante a festa de aniversário dos 65 anos de Jep. São magníficos os figurinos e cenários. No site Zingarate podem ser vistas 10 locações do filme. "A Grande Beleza" faz uma crítica risonha a certo estilo de arte moderna, visto como uma experiência infantil, se contrapondo a magnificência das obras clássicas que adornam a Cidade Eterna. Mas o que é essa Grande Beleza que permaneceu oculta aos olhos de Jep e não permitiu que escrevesse o próximo livro? Tendo namorado tantas mulheres, mas sem ter se comprometido com nenhuma, seria o compromisso com uma única companheira, e musa, a solução de seus problemas? Jep parece, momentaneamente, invejar o destino do casal que vai passar a noite em casa, em simples tarefas domésticas.

La Scala Santa
O que seria a Grande Beleza capaz de inspirar o jornalista? O que me ocorreu, ante a busca de sentido de Jep Gambardella, foram as palavras de um escritor antigo, natural de uma província africana do Império Romano - atual Argélia. Depois de converter-se ao cristianismo, Agostinho escreveu: "Tarde te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro de mim e eu estava fora e aí te procurava... Estavas comigo e eu não estava contigo... Mas Tu me chamaste, clamaste e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandescente e curaste a minha cegueira".  As palavras de Santo Agostinho parecem complementar a cena da religiosa centenária subindo de joelhos a Escada Santa, em direção à imagem de Cristo crucificado. "A Grande Beleza" ganhou o BAFTA e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014.

Curiosidade:
* A Escada Santa foi levada de Jerusalém para Roma no século IV, por ordem de Santa Helena, mãe do Imperador Constantino. Acredita-se que foi por essa escada, composta de 28 degraus em mármore branco, que Jesus subiu para ser interrogado por Poncio Pilatos, antes da Crucificação.

Diretor: Paolo Sorrentino
Roteiro: Paolo Sorrentino & Umberto Contarello
Musica: Lele Marchitelli e Trilha sonora no IMDB
Fotografia: Luca Bigazzi
Designer de Produção: Stefania Cella
Figurino: Daniela Ciancio
Elenco: Toni Servillo, Carlo Verdone, Sabrina Ferilli, Giovanna Vignola, Serena Grandi, Giusi Merli, Isabella Ferrari, Aldo Ralli
Distribuidora: Paramount

*** excelente
** ótimo
* bom
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Rio de Fé

Rio de Fé - Um Encontro com Papa Francisco * * *
(2013) 85 min ( Livre)

Rio de Janeiro - Quando ainda morava em Cracóvia, o Bispo Karol Józef Wojtyla tinha o hábito de reunir-se com jovens universitários. Mais tarde, já como Papa João Paulo II, quis retomar esses encontros mas foi dissuadido, com o argumento de que eram difíceis os universitários romanos. Quem disse que era fácil desencorajar o Papa polonês? Por sua iniciativa nasceu a Jornada Mundial da Juventude, em 1986. 

Seu sucessor, o Papa Bento XVI, escolheu o Rio de Janeiro como sede da 28ª Jornada. Entre 23 e 28 de julho de 2013, nossa cidade foi invadida por uma horda fiel, entusiasmada e ordeira de jovens de todas as idades, que veio saudar o Papa Francisco, da Argentina, o primeiro pontífice jesuíta e latino-americano. Calcula-se que estavam presentes, nas areias da praia de Copacabana, três milhões e setecentas mil pessoas para a Missa de Envio. O documentário "Rio de Fé" resultou alegre como a semana do evento, que deixou saudade nos cariocas. 

Cinco equipes de cinegrafistas cobriram a Jornada para o diretor Carlos Diegues. Filmaram a multidão saudando o Papa sorridente, alguns de seus discursos, e a generosidade das famílias e comunidades que receberam os jovens. Tanto havia acolhedores cristãos, como umbandistas e ateus. As câmeras também registraram o diálogo entre judeus, muçulmanos e católicos, assim como o protesto de um grupo radical de feministas exaltadas.

Mas um de meus momentos favoritos foi a chegada do peregrino cearense ao Rio. Ele saiu de Fortaleza e percorreu 3 mil quilômetros até chegar à Catedral Metropolitana - 4 meses e 3 dias depois. Sacudida por muitos risos, dança e oração, a cidade do Rio viveu seus melhores dias. O documentário de Cacá Diegues emociona e revive belos momentos da JMJ-2013. Também vale a pena assistir a entrevista com o diretor, nos extras do DVD.

Missa de Envio em Copacabana

Diretor: Carlos Diegues
Musica: Lucas Vasconcelos
Fotografia: João Atala
Montagem: Daniel Garcia, Mair Tavares
Distribuidora: H2O Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom
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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Downton Abbey termina em 2014 no Reino Unido

O escritor Julian Fellowes estuda proposta de TV americana

O escritor Julian Fellowes escreverá a quinta temporada de Downton Abbey, que irá ao ar na Inglaterra no segundo semestre de 2014, e depois partirá para a América, onde é aguardado para começar "The Gilded Age", para a NBC-Universal. A provável minissérie conta uma história da velha aristocracia: os Winthrops, os Stuyvesants e o dinheiro novo do óleo e gás, ambientada em 1870. É tudo ficção, passada em Nova Iorque. Julian só pode começar a série americana quando Downton terminar, já que é impossível escrever as duas ao mesmo tempo.

O escritor disse que, se fossem pessoas reais, para manter a propriedade, os Crawleys teriam que transformá-la em um negócio, mudando-se para uma ala e permitindo a visita guiada, com venda de tickets. Foi o que fizeram os proprietários de Highclere Castle, a locação de "Downton Abbey". A série foi vista pela última vez na TV britânica no Dia de Natal, num episódio especial, quando a família Crawley vai a Londres para o baile de debutante de Lady Rose. Nós aqui no Brasil ainda temos muito o que esperar! (The Guardian)

domingo, 15 de setembro de 2013

O Lugar Onde Tudo Termina

The Place Beyond The Pines * * *
(2012) 141 min (16 anos)
"Se você dirige como um raio, vai cair como um trovão."

EUA - Luke Glanton é um motociclista solitário de grande habilidade, que se exibe num globo da morte em feiras estaduais. Admirado pelas jovens, distribui autógrafos e coleciona aventuras. Tudo muda quando Luke recebe a visita da ex-namorada Romina e descobre ter um filho pequeno. Sem haver convivido com o próprio pai, o motoqueiro quer estar presente na vida de Jason, por isso larga o show e arranja trabalho numa oficina mecânica. O atual companheiro de Romina vê com desagrado a proximidade do motociclista. Mas para poder bancar a família é preciso mais do que o pouco que recebe como mecânico e Luke se envolve em assaltos a banco. Durante uma fuga ele se defronta com o policial Avery Cross, que, como ele, é pai de um menino pequeno. Os dois trocam tiros e tombam. Quinze anos depois a ação continua.

Avery é um policial ambicioso. Filho de juiz, sua prioridade é a carreira. Avery é o oposto de Luke Glanton. Para o motociclista, a família tornou-se um projeto de vida. Em suas próprias palavras:  "Ele é meu filho e devo ficar perto dele. Meu pai não estava por perto e veja o que me tornei." Seu erro foi usar de violência para garantir esse objetivo. O lugar onde tudo termina é um bosque de pinheiros, palco de momentos decisivos da ação do emocionante filme escrito e dirigido por Derek Cianfrance. 

Ótimos roteiro, direção, música e fotografia, aliados a desempenhos envolventes, resultaram num filme nota dez. É o que acho no momento - sempre posso apagar uma estrela em alguns dias, se meu entusiasmo esfriar. Mas repare como o jovem ator Dane DeHaan, que interpreta Jason adolescente, caminha com o mesmo andar do pai Luke, vivido pelo excelente Ryan Gosling. Pouco se pode falar sobre "O Lugar Onde Tudo Termina" sem estragar as surpresas que o diretor-roteirista nos reserva. Não perca!

Curiosidades:
* A maior parte do filme foi gravada na cidade de Schenectady, no estado de Nova Iorque. "Schenectady", na língua dos índios Mohawks, significa "além da planície de pinheiros", que é a tradução do título do filme em inglês (The Place Beyond The Pines).  (imdb)

* Dois meses antes das filmagens, o diretor de fotografia Andrij Parekh recusou-se a participar por causa da cena do Globo da Morte, na abertura do filme. Andrij sonhou que morreria durante as filmagens. Pois isso quase aconteceu com o cinegrafista Sean Bobbitt, na segunda cena do dublê dentro da gaiola. O diretor de fotografia foi nocauteado quando a moto caiu em cima dele, apesar de estar usando equipamento de proteção e capacete.

* O método que Luke e Robin usaram para assaltar os bancos foi na verdade o método usado durante mais de 30 anos pelo "Ladrão de Sexta à Noite", Carl Gugasian. Carl está preso na Federal Correctional Institution, em Fairton (New Jersey), cumprindo uma pena de 17 anos pelo roubo de mais de cinquenta bancos. Gugasian ensina cálculo para os outros prisioneiros. Ele deve ser solto no verão de 2021, aos 73 anos de idade. (wikipedia)

Diretor: Derek Cianfrance
Roteiro: Derek Cianfrance, Ben Coccio, Darius Marder
Musica: Mike Patton
Fotografia: Sean Bobbitt (Shame, Razão e Sensibilidade)
Elenco: Ryan Gosling, Bradley Cooper, Eva Mendes, Ray Liotta, Rose Byrne, Mahershala Ali, Bruce Greenwood, Dane DeHaan, Ben Mendelsohn, Emory Cohen, Harris Yulin
Distribuidora: Paris Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Valmont

Valmont - Uma Historia de Seduções * * *
(1989) 137 min (16 anos)

França - A Marquesa de Meurteil e o Visconde de Valmont foram amantes no passado, agora são apenas confidentes, já que os dois egocêntricos aristocratas desconhecem o que seja amizade. Ainda há certa atração entre eles, mas a sedutora viúva e seu charmoso cúmplice se distraem com outras conquistas. Frente à sociedade parisiense, a marquesa dissimula um comportamento promíscuo, enquanto o visconde não faz questão de esconder o seu. Ao descobrir que será abandonada pelo atual amante, Madame de Meurteil elabora sua vingança e precisa de Valmont para levá-la a cabo. O visconde se esquiva, pois está dedicado à sedução da bela Madame de Tourvel, a jovem esposa de um homem mais velho, sempre ocupado e ausente. Desafiado pela marquesa, Valmont aceita uma aposta e satisfaz o diabólico plano da aristocrata, enquanto se lança à conquista da ingênua senhora casada.

O diretor tcheco Milos Forman nos legou grandes obras: Um Estranho no Ninho, Amadeus, Hair, Na Época do Ragtime, O Baile dos Bombeiros. Foi um azar que tivesse tido a mesma ideia que Stephen Frears no final da década de 80. Os dois filmaram o romance "Ligações Perigosas" (1782), de Choderlos de Laclos, e Frears saiu na frente, recebendo vários prêmios e 3 Oscars pelo projeto grandioso. Milos Forman segurou por um ano o lançamento de "Valmont", mas o filme perdeu-se nas sombras do sucesso da magnífica obra de Stephen Frears. E até hoje parece injustamente relegado ao esquecimento, pois o filme tem uma proposta diferente, mais modesta, mas é cheio de emoção e vida.

Madames de Meurteil e Tourvel
Meg Tilly interpreta Madame de Tourvel de forma comovente. Fabia Drake é uma doçura como Madame de Rosemonde, a tia idosa de Valmont, que cochila em todos os cantos de sua bela propriedade no campo. Annette Bening e Colin Firth estão perfeitos no papel dos jovens sedutores sem escrúpulos, que pisam tanto os sentimentos alheios como os próprios. Fisicamente atraentes e talentosos, bem dirigidos pelo diretor tcheco, e magnificamente vestidos, deveriam ter tido mais reconhecimento. Annette Bening foi considerada a "Revelação do Ano" pelo London Critics Circle Film Awards. O filme ainda recebeu o César para Melhor Figurino e Melhor Desenho de Produção.

Apesar de ter gostado tanto, quando assisti "Valmont" pela primeira vez, relutei em rever o filme, pois a maldade sorrateira de Madade de Meurteil é inquietante, se fazendo passar por benfeitora da prima adolescente, enquanto buscava uma sórdida vingança. Mas o final me agradou bastante e dá segundas chances para algumas pessoas, traz esperança a outras. Digamos que os promíscuos são punidos de maneira menos dramática, com exceção de um dos personagens, cujo final é sempre o mesmo, no livro e nos dois filmes.

Além disso, os créditos de abertura de Valmont acompanham imagens do convento onde estuda a inocente Cécile de Volanges. Vozes femininas afinadíssimas enchem os corredores da Abbaye aux Hommes, também chamada de Abadia de Saint-Étienne, um antigo monastério beneditino da cidade de Caen, Normandia. O jardim ao centro do claustro e os hábitos das religiosas lembraram-me do tempo em que passeava com minhas amigas pelos amplos espaços do Colégio Sion, no Rio de Janeiro. Belas lembranças.
Mme de Meurteil e Valmont

Curiosidade:
* O papel da Marquesa de Merteuil foi oferecido a Michelle Pfeiffer, mas ela preferiu viver Madame de Tourvel em Ligações Perigosas, de Stephen Frears.

* Stephen Frears convidou Annette Bening para interpretar a Marquesa de Merteuil em "Ligações Perigosas" e ela escolheu ser a mesma personagem no filme de Milos Forman.

* As locações na França: Chateau de Versailles, Le Musée du Cheval Vivant - Grandes Ecuries, Hotel des Ambassadeurs de Hollande, Abbaye aux Hommes, Opéra Comique, Musée Nissim de Camondo, Chateau de la Motte Tilly, entre outras.

Diretor: Milos Forman
Roteiro: Jean-Claude Carrière, Milos Forman, baseado no romance epistolar "Les Liaisons Dangereuses", de Choderlos de Laclos
Musica original: Chistopher Palmer. Músicas de Mozart, Haydn, Marc-Antoine Charpentier, interpretadas pela orquestra da Academia St. Martin in the Fields com as Ambrosian Singers.
Fotografia: Miroslav Ondrícek
Designer de Produção: Pierre Guffroy
Figurino: Paule Mangenot, Theodor Pistek, Carine Sarfati
Elenco: Annette Bening, Colin Firth, Meg Tilly, Fairuza Balk, Siân Phillips, Jeffrey Jones, Henry Thomas, Fabia Drake, Ian McNeice, Sandrine Dumas, Vincent Shiavelli, Yvette Petit, Antony Carrick
Distribuidora: Condor Video
O claustro da Abadia de Saint-Etienne (wikipedia)
*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Roger Ebert

Roger Joseph Ebert * * *
(18/6/1942 - 4/4/2013)

decine21
Barack e Michelle Obama, Oprah Winfrey, Robert Redford, Steven Spielberg, Jason Reitman, Darren Aronofsky, Cameron Crowe, Steve Carell, Diablo Cody, Anna Kendrick, Steve Martin, Michael Moore e... eu - estamos todos muito tristes com a morte de Roger Ebert. 

O crítico de cinema começou a trabalhar em 1967, no Chicago Sun-Times, onde escreveu por 46 anos. Suas resenhas eram republicadas em mais de 200 jornais ao redor dos EUA e do mundo. Mesmo sem poder falar ou engolir alimentos sólidos, sequelas do câncer na tiroide, Roger continuou vendo filmes e escrevendo a respeito. Foram 306 críticas em 2012. Numa entrevista à Esquire (2010) disse: "Quando estou escrevendo, meus problemas se tornam invisíveis, e eu sou a mesma pessoa que sempre fui. Está tudo bem. Eu sou como deveria ser." 

Recentemente, percebendo que deveria diminuir o ritmo, comentou: "Serei capaz de finalmente fazer aquilo que sempre fantasiei fazer: resenhar apenas os filmes que eu quiser resenhar". Roger estava pronto para deixar o hospital e voltar para casa, quando olhou para a esposa Chaz, sorriu e fechou os olhos para sempre. Na última postagem do seu blog no Sun-Times, Ebert finalizou: "Assim, neste dia de reflexão, digo novamente, obrigado por seguirem comigo nesta jornada. Verei vocês no cinema." 

Para ler o texto original da postagem, clique aqui.



*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

domingo, 10 de março de 2013

007 - Operação Skyfall

Skyfall * * *
(2012) 145 min (16 anos)
Órfãos são sempre os melhores recrutas

Em Istambul, James Bond persegue o ladrão de um HD que contem a lista de agentes da OTAN infiltrados em todas as organizações terroristas do mundo. Com a ajuda de Evie e a supervisão de funcionários do serviço de espionagem M16, James corre atrás do Audi preto do criminoso, perambula de moto pelos telhados do Grande Bazar e continua a caçada até o teto de um vagão de trem. Depois de muitos saltos e socos, o esforçado agente britânico despenca nas águas do rio. M prepara seu obituário, informando que o comandante Bond desapareceu e pode ter morrido na Turquia. As terras de sua família, a propriedade Skyfall na Escócia, são vendidas.

Enquanto isso, em Londres, a competência de M é questionada por Gareth Mallory, novo presidente do Comitê de Inteligência e Segurança. A situação não melhora depois que um ataque à bomba destrói o escritório da agência. O inimigo não é mais um país adversário, mas indivíduos que se movem nas sombras e, com grande poder e inteligência, tramam a destruição do serviço secreto inglês e sua principal responsável.

007 na National Gallery
Sob a direção de Sam Mendes, 007 voltou a sua melhor forma. Skyfall provoca o mesmo entusiasmo da época em que o agente britânico chegou às telas e era vivido por Sean Connery. Daniel Craig torna o personagem bastante humano. Numa de minhas cenas favoritas, ele encontra o novo Q na National Gallery. Nada como um bom roteiro e direção para valorizar o trabalho esplêndido do elenco, realçado pela fotografia de Roger Deakins. Até o modesto Tanner, secretário de M, é expressivo na sua discrição e sobriedade. Albert Finney interpreta Kincade, o zelador de Skyfall. Judi Dench está uma verdadeira Dama de Ferro como a impassível chefe do M16. Para completar o rol de excelências, a canção de Adele é linda. Venceu o Oscar de Melhor Música em 2013. Skyfall é para ver e rever - diversão levada a sério. Para pesquisar preço do DVD, veja aqui.

Diretor: Sam Mendes
Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade, John Logan, baseado nos personagens criados por Ian Fleming
Musica: Thomas Newman
Elenco: Daniel Craig, Judi Dench, Ralph Fiennes, Naomie Harris, Bérénice Marlohe, Rory Kinnear, Albert Finney, Ben Whishaw, Ola Rapace
Distribuidora: Columbia Pictures, Metro-Goldwyn-Mayer

Curiosidades:
Tanner e M
* A produção de Skyfall foi interrompida durante quase 9 meses devido à falência e atraso na venda da MGM. Daniel Craig estava ansioso para voltar à ação e ficou preocupado com a demora pois, já com 43 anos, temia estar ficando velho para corresponder às exigências físicas extremas do papel de James Bond.

* M defende seu departamento e a ação dos agentes 00 com versos do poeta Alfred Lord Tennyson, em "Ulisses":

We are not now that strength which in old days moved earth and heaven, that which we are, we are. One equal temper of heroic hearts, made weak by time and fate, but strong in will. To strive, to seek, to find, and not to yeld.

Ainda que perdida aquela força dos dias de outrora, que movia céus e terra, somos o que somos. Uma coragem única nos corações heroicos, enfraquecidos pelo tempo e pelo destino, mas fortes na disposição. Para lutar, buscar, encontrar, e jamais se render.

* Letra de Skyfall (escrita por Adele e Paul Epworth, interpretada por Adele)

Skyfall
This is the end
Kincade
Hold your breath and count to ten
Feel the Earth move and then
Hear my heart burst again
For this is the end
I've drowned and dreamt this moment
So overdue, I owe them
Swept away, I'm stolen

Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
And face it all
Together
Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
And face it all together
At skyfall
At skyfall

Skyfall is where we start
A thousand miles and poles apart
Where worlds collide and days are dark
You may have my number
You can take my name
But you'll never have my heart

Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
And face it all
Together
Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
And face it all together
At skyfall

At skyfall
When it crumbles
We will stand tall
At skyfall
When it crumbles
We will stand tall

Where you go, I go
What you see, I see
I know I'd never be me
Without the security
Of your loving arms
Keeping me from harm
Put your hand in my hand
And we'll stand

Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
And face it all
Together

Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
And face it all
Together
At skyfall

Let the sky fall
We will stand tall

At skyfall

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

domingo, 21 de outubro de 2012

Prometheus

Prometheus * * *
(2012) 123 min (14 anos)
Até onde você iria para conseguir suas respostas?

"Há milhões de anos atrás, a espaçonave de avançados alienígenas humanóides chega à Terra. Um dos extra-terrestres bebe um líquido escuro, provocando a desintegração do seu corpo e a queda numa volumosa cachoeira. Vemos seu DNA quebrar-se e recombinar-se, desencadeando uma reação biogenética que fertiliza o planeta com segmentos indutores de vida.

No ano de 2089, ao largo da costa escocesa, os arqueólogos Elizabeth Shaw e Charlie Holloway descobrem um mapa estelar entre as pinturas nas paredes de uma caverna na ilha de Skye. Eles interpretam esse antigo desenho como um convite dos precursores da humanidade, nossos criadores, que o casal de arqueólogos chama de Engenheiros. O presidente da Weyland Corporation financia a construção da nave espacial  Prometheus e a viagem para seguir o mapa estelar até o longínquo planeta LV-233, muitos anos luz distante da Terra, onde os cientistas buscarão respostas às questões sobre nossas origens. A tripulação hiberna enquanto a USS Prometheus viaja à velocidade da luz, monitorada pelo robô David".

Chegando à órbita de LV-233, a equipe é despertada de um sono de mais de 2 anos. Apenas o andróide David conhece em detalhes o objetivo da missão, mas nem ele é capaz de imaginar a magnitude de seus perigos. (traduzido e adaptado de sinopse do IMDB)

David
Pois é, do cinema para a telinha passei a apreciar ainda mais o novo filme de Ridley Scott. Na TV perdeu-se algo do impacto visual, mas cresceu minha compreensão da grandiosidade da trama. De tal modo dominou meu pensamento esses últimos dias que, ao ser convidada para fazer a leitura da aclamação do Evangelho, na Missa de hoje, as palavras "Jesus Cristo veio servir, Cristo veio dar sua vida. Jesus Cristo veio salvar, viva Cristo, Cristo viva!" lembraram-me imediatamente da dra. Elizabeth Shaw de Prometheus.

A personagem do filme é uma cientista cristã que escolheu acreditar num projeto de vida feito de amor e sacrifício. E isso fez diferença na trama, pois a ideia de sacrifício e esperança está implícita no significado do nome da nave espacial, na auto-imolação do alienígena que inicialmente fertiliza a Terra e em ações de alguns tripulantes. Além da dra. Ellie, outro personagem atraente é o imortal David, um louro oxigenado irônico, que imita Peter O'Toole em Lawrence da Arábia, usa sandálias de dedo e é capaz de admiração. Os outros tripulantes são menos explorados e o que se vê deles não inspira. Mas, no conjunto, essa obra de Ridley Scott enche os olhos e as idéias; dá vontade de "quero-mais!".

Durante o almoço de ontem, tentava transmitir minha renovada empolgação com o filme para a família presente, quando o irreverente filho número quatro diz que o desenhista dos alienígenas humanoides deve ser fã do Bob Esponja. Diante da perplexidade geral, explicou que os Engenheiros se assemelham ao Lula Molusco no episódio em que levou uma portada e se transformou num homem bonitão. E eu, que duvido que Neville Page ou Ridley Scott assistam aquele desenho animado, tive que reconhecer uma certa semelhança. A verdadeira explicação para a aparência dos humanóides extra-terrestres foi colocada aí abaixo (*).
thefilmconnoisseur

Curiosidade:
* Ridley Scott queria que os Engenheiros parecessem deuses greco-romanos e instruiu o designer Neville Page a usar como referência a Estátua da Liberdade, o David de Michelangelo e Elvis Presley.  (wikipedia)

* Na mitologia grega Prometeu era o titã que enganou os deuses e roubou o fogo para dá-lo aos homens. Como castigo, foi acorrentado a uma montanha no Cáucaso onde uma águia vinha bicar-lhe o fígado, que sempre se regenerava.

* De acordo com Ridley Scott, os escritos de Eric von Däniken sobre os antigos astronautas inspiraram a trama do filme. "Tanto a NASA quanto o Vaticano concordam que matematicamente é quase impossível estarmos aqui hoje sem uma pequena ajuda no meio do caminho. É isso que estamos procurando: estamos falando de deuses e engenheiros, engenheiros do espaço. Foram os Aliens concebidos como uma guerra biológica ou uma forma de limpar o planeta?" ( trivia do imdb)

* A sequência de "início dos tempos" foi filmada na Islândia (cachoeira Dettiffoss) e levou 2 semanas para ser gravada.

dra Ellie Shaw
* O designer suíço H. R. Giger, que trabalhou no projeto original do Alien Xenomorfo, foi trazido para ajudar na engenharia reversa do design dos Aliens no filme Prometheus.

Diretor: Ridley Scott
Roteiro: Jon Spaihts e Damon Lindelof, baseado em elementos criados por Dan O'Bannon e Ronald Shusett
Musica: Marc Streitenfeld
Fotografia: Dariusz Wolski
Desenhista de Produção: Arthur Max
Elenco: Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron, Guy Pearce, Idris Elba, Logan Marshall-Green, Sean Harris, Rafe Spall, Patrick Wilson, Ian White
Distribuidora: Foxfilm

e aqui a foto do Lula Molusco bonitão! (handsome Squidward)


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