Lista de sugestões de filmes interessantes. Cada postagem traz foto, breve sinopse, censura, diretor, distribuidora, elenco, responsáveis pelo roteiro, musica e fotografia. Com o eterno deslumbramento de fã apaixonada, By Star Filmes acredita que o cinema emociona, ensina e é a melhor diversão.

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Django Livre

Django Unchained * *
(2012) 166 min (16 anos)

EUA, 1858 - Dois anos antes do início da Guerra Civil, o dentista alemão King Schultz conduz seu cavalo Fritz à frente de uma carroça fechada, adornada com um enorme dente branco no teto. Essa visão baloiçante costuma intrigar os passantes e dá uma vantagem ao engraçado doutor. No momento, Schultz busca o escravo Django, única pessoa que pode ajudá-lo a identificar os criminosos irmãos Brittle, já que o precioso dentista mudou de profissão e tornou-se um caçador de recompensa. Em troca da ajuda, o alemão oferece a Django sua liberdade, além de uma participação no prêmio. O escravo aceita porque tem como principal objetivo encontrar e comprar a alforria de sua esposa Broomhilda von Shaft, de quem foi violentamente separado. O dr. King fica encantado pela história da escrava com nome de princesa alemã e conta a Django sobre a lenda de Brünnhilde, como foi envolvida por um círculo de fogo e resgatada pelo herói Siegfried. Juntos, europeu e americano, partem na sua própria jornada heroica.

Se os filmes do Tarantino não pingassem tantas cenas sangrentas, ainda gostaríamos deles? De minha parte acho que sim, talvez gostasse ainda mais. Chega um momento em que tanto sangue espalhado repugna, mas tudo o mais é tão espetacularmente bom, que compensa com sobra. Como já é tradição nos filmes de QT, "Django Livre" traz uma história emocionante, cenografia e fotografia perfeitas, músicas deliciosas, direção precisa, excelentes desempenhos de artistas bem selecionados e toques de humor, além do charme da presença do diretor numa cena secundária. Em meio ao marasmo de semanas de filmes medíocres, chegou com a força explosiva de uma bofetada. "Django Livre" levou dois Oscars e o BAFTA de Melhor Roteiro Original e Melhor Ator Coadjuvante para Christoph Waltz, como o impagável e cômico dr. King Schultz. Franco Nero, marido de Vanessa Redgrave e ator de tantos western spaghetti, faz uma ponta como Amerigo Vessepi. Para quem tiver fôlego, vale a pena ler a crítica de Roger Ebert sobre o filme.
Broomhilda von Shaft

Diretor: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Fotografia: Robert Richardson (Kill Bill, Bastardos Inglórios, Ilha do Medo, O Encantador de Cavalos, Platoon)
Elenco: Christoph Waltz, Jamie Foxx, Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson, Kerry Washington, Walton Goggins, Don Johnson, Dennis Christopher, Franco Nero, James Remar, Dana Gourrier, Nichole Galicia, Laura Cayouette, Bruce Dern, Quentin Tarantino
Distribuidora: Sony Pictures

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

terça-feira, 26 de março de 2013

Amor

Amour * *
(2012) 127 min (14 anos)

França - Os bombeiros de Paris forçam a entrada no amplo apartamento dos músicos aposentados, Georges e Anne Laurent. No quarto do casal, encontram o corpo sem vida da mulher repousando sobre a cama, cercado de flores já murchas. Não há sinal do marido. 

A história retrocede ao momento em que os idosos assistem ao concerto de piano de um antigo aluno de Anne. Os Laurent estão sentados no meio da quarta fileira, mais à esquerda da tela. No dia seguinte, enquanto conversam no café da manhã, a ex-professora de música sofre um acidente vascular cerebral. Com seu lado direito paralisado, passa a depender da ajuda do marido para tudo. Um segundo derrame inviabiliza suas chances de recuperação. Tendo prometido não internar a esposa, e evitando a interferência de Eva, sua única filha, Georges fica sobrecarregado pelos cuidados com a mulher, cujas condições se deterioram mais e mais.

"Amor" é um filme magistralmente conduzido por Michael Haneke e interpretado com brilho por Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva. Impressiona, é inesquecível, mas me deixou aquela sensação árida dos romances não policiais de G. Simenon, "les romans durs". À medida em que a doença progredia, o marido ia se isolando do resto do mundo, a comunicação escasseava e a música, que antes enchia o ambiente, foi sendo substituída pelo lamento de Anne: "dói! dói!". A ação se limita ao que acontece no apartamento.  Às vezes queria ter seguido Georges quando saía para fazer compras, dar uma olhada na praça, mas o diretor não deixa, nos confina ao perímetro do imóvel, já com um ar gasto, as paredes envelhecidas. E Georges não puxa conversa com ninguém, mostra sentir-se pouco à vontade no convívio com as poucas pessoas que ainda vê. Prefere a companhia do pombo que um dia entra pela janela.

O casal não vive essa fase dificílima cercado pelo amor de uma família que compartilhe os bons e maus momentos, pois eles mantem a filha adulta à distância, evitando que testemunhe a decadência da mãe. Georges nega as próprias limitações e apega-se ao desejo da mulher de não ser levada a um hospital ou clínica. Não poderia procurar outra enfermeira, ou mesmo internar a esposa e fazer visitas diárias, permitindo que filha, genro e netos se juntassem a eles? Mas aí não seria a história de Georges e Anne Laurent. Um final triste para uma vida de companheirismo - o verdadeiro amor deveria gerar bons frutos. A obra de Michael Haneke ganhou a Palma de Ouro em Cannes, o BAFTA, o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira em 2013, entre muitos outros prêmios.

Curiosidade:
Michael, Emmanuelle e Trintignant
* O papel de Georges foi escrito especialmente para Jean-Louis Trintignant. (wikipedia)

* O roteiro baseou-se numa situação semelhante acontecida na família do diretor: uma tia que sofreu uma doença degenerativa. Michael Haneke se interessou pela dificuldade de lidar com o sofrimento de alguém que se ama. O blog do "Village Voice" traz uma entrevista com o diretor austríaco.

Diretor: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Musicas de Franz Schubert, Beethoven e Johann Sebastian Bach, interpretadas por Alexandre Tharaud
Fotografia: Darius Khondji
Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud, William Shimell, Rita Blanco, Ramón Agirre
Distribuidora: Imovision

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

quinta-feira, 7 de março de 2013

O Homem da Máfia

Killing Them Softly * 
(2012) 97 min (16 anos)

EUA - Uma ventania levanta plásticos e papéis rasgados, um homem caminha lentamente em direção ao final de um túnel escuro. Enquanto isso, o candidato democrata Barack Obama dirige-se aos eleitores americanos: "A promessa americana está viva... É esta promessa que sempre distinguiu esse país. Ela diz que cada um de nós tem a liberdade de decidir o destino de nossas vidas."

Jackie Coogan é o investigador contratado para descobrir os responsáveis pelo assalto a um jogo de pôquer organizado pela máfia e para eliminar os culpados. Os três ladrões pensavam escapar, incriminando o encarregado da casa de jogo, mas não contavam com a astúcia de Coogan.

Talvez Jackie quisesse matar suas vítimas de forma rápida e indolor, como sugere o título do filme em inglês, mas a quantidade de cenas violentas em O Homem da Máfia torna o filme um pouco indigesto para espectadores sensíveis. Mais detalhes na crítica do blog Cultura Intratecal.

Diretor: Andrew Dominik (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford)
Roteiro: Andrew Dominik, baseado no livro de George V. Higgins, Cogan's Trade
Fotografia: Greig Fraiser
Elenco: Brad Pitt, Richard Jenkins, James Gandolfini, Ray Liotta, Scoot McNairy, Ben Mendelsohn, Sam Shepard
Distribuidora: Swen Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom
Sem Asterisco - interessante

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Shame

Shame *
(2011) 101 min (16 anos)
Nós não somos pessoas más. Só viemos de um lugar ruim

EUA - Deitado entre macios lençóis azuis, Brandon contempla o vazio alguns minutos antes de se levantar. Poderia estar organizando mentalmente o seu dia, mas, provavelmente, buscava um motivo para sair da cama. Recusa-se a atender as mensagens insistentes de uma voz feminina ao telefone. Rosto impassível, elegante, boa aparência, vai de metrô até o escritório em Nova Iorque. No vagão observa a jovem atraente que sorri para ele. Observa que é noiva mas isso não é um impedimento para Brandon e ele a segue quando salta na estação, para perdê-la de vista depois. No trabalho descobre que seu computador está com vírus. Ele omite ser o responsável por acessar sites pornográficos. Na verdade Brandon tem no sexo uma válvula de escape para suprir a necessidade de contato e o vazio em sua vida. Seus relacionamentos duram uma noite e envolvem prostitutas ou mulheres que conhece nos bares. 

Essa rotina de sexo, trabalho, sexo, poderia ter durado indefinidamente, mas é destruída com a chegada da frágil Sissy, cuja presença rompe o precário equilíbrio de Brandon, trazendo à tona problemas não resolvidos no passado.

Nem ia colocar Shame neste blog, já que é um filme que eu recomendaria para poucos, mas o rosto desesperado de Brandon, vivido brilhantemente por Michael Fassbender, grudou na minha cabeça. Coloco essa postagem para exorcizar minha memória e fazer justiça ao desempenho emocionante de Michael Fassbender e Carey Mulligan, como Sissy. Uma ótima crítica pode ser lida no blog "Cinema e Argumento", do Matheus Pannebecker.

Diretor: Steve McQueen
Roteiro: Steve McQueen e Abi Morgan
Musica: Harry Escott
Fotografia: Sean Bobbitt
Elenco: Michael Fassbender, Carey Mulligan, Lucy Walters 
Montagem: Joe Walker
Desenhista de Produção: Judy Becker
Direção de Arte: Charles Kulsziski
Distribuidora: Paris Filmes

sábado, 26 de maio de 2012

Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres

The Girl with the Dragon Tattoo * *
(2011) 158 min (16 anos- cenas fortes de conteúdo sexual, estupro)

blogdoheu
Suécia - Como todos os anos,  Henrik Vanger recebe uma flor seca emoldurada no dia do seu aniversário. O presente chega sem qualquer cartão. Henrik, ex-presidente das Indústrias Vanger, suspeita que sejam enviadas pela sobrinha Harriet ou por seu assassino. Há 40 anos atrás, quando Harriet estava com 16 anos, desapareceu da ilha em que morava com a família, sem deixar nenhum vestígio. Henrik Vanger contrata o desacreditado jornalista Mikael Blomkvist para descobrir o que teria acontecido com a sobrinha.  Blomkvist está numa fase difícil pois foi processado e condenado a pagar uma indenização milionária a um empresário corrupto.

Para ajudar o jornalista na investigação, o advogado de Henrik sugere Lisbeth Salender como assistente, uma hacker de 23 anos que está sob tutela do Estado. Os dois juntos enfrentarão criaturas sinistras e extremamente perigosas.

Na primeira versão de Os Homens que Não Amavam as Mulheres, foi a interpretação de Michael Nykvist como o  jornalista Mikael Blomkvist que se destacou na minha memória. Na versão atual, me impressionou a atuação de Rooney Mara como Lisbeth Salander. 

womanaroundtown
Surpreendentemente para um remake, a versão do americano David Fincher não deve nada à anterior. Assisti com o mesmo suspense e interesse da primeira vez. Por isso, foi o filme que escolhi para um dia de festejo duplo no By Star: 800ª postagem do blog e 39 anos de um casamento feliz com meu querido Paulo Cesar, companheiro de muitas sessões duplas, desde Teorema, que ele amou e eu detestei, a Drive, que ambos adoramos. Acho que compartilhar o amor ao cinema faz bem ao casamento.

Curiosidade:
* "De acordo com a viúva de Stieg Larsson, Eva Gabrielsson, o escritor teria testemunhado o estupro coletivo de uma jovem, quando era apenas um adolescente de 14 anos. Sentindo-se culpado por não ter ajudado a jovem de alguma forma, o autor, anos mais tarde, viria a exorcizar o sentimento de culpa criando uma personagem que, pelo menos na ficção, realizaria sua justiça (ou vingança, se preferir), além de servir como ferramenta alegórica de denúncia ao machismo e a violência contra a mulher, ainda tão presentes nas sociedades modernas. O nome da jovem que sofreu o abuso testemunhado por Larsson? Lisbeth." (JB) Contribuiçao de Tabibito-san para o By Star.

Diretor: David Fincher (A Rede Social, Seven)
Roteiro: Steven Zaillian, baseado no romance de Stieg Larsson
Musica: Trent Reznor, Atticus Ross
Fotografia: Jeff Cronenweth
Elenco: Mikael Blomkvist, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgard, Robin Wright, Joely Richardson
Distribuidora: Sony Pictures

sábado, 28 de abril de 2012

Precisamos Falar sobre Kevin

We Need to Talk about Kevin * *
(2011) 113 min (16 anos)

EUA - O bebêzinho que chora sem parar torna-se o menino que se recusa a falar "mamãe", brincar ou abandonar as fraldas - Kevin é um osso duro de roer. Eva Katchadourian até se esforçou, mas não estava preparada para as exigências especiais desse relacionamento complicado entre mãe e filho. Recorreu ao pediatra e ao marido em vão. Eles não vêem nada de anormal em Kevin. O menino logo percebe que é fácil agradar o pai e mantê-lo como aliado.

Quando a família aumenta com a chegada de uma menina, Kevin vive um breve momento de insegurança. Pela primeira vez demonstra interesse e afeto pela mãe, se aconchegando enquanto ela lê em voz alta a história de Robin Hood. Mas a atitude conciliadora não perdura e a pequena Celia crescerá tentando agradar esse irmão mais velho difícil e hostil.

São as notícias de um tumulto no colégio que levam Eva à escola, em busca de Kevin. A mãe se sente culpada pela falta de comunicação entre eles e por ter machucado o filho no passado. Ela está longe de imaginar as consequências do distanciamento entre o arrogante adolescente e o mundo.

Entre Eva e Kevin há certa semelhança, que não é só física. Quando os dois saem juntos para a comemoração do aniversário de 16 anos, Kevin faz notar à mãe a severidade dela em avaliar os outros. Eva acabara de usar palavras ásperas para julgar os hábitos alimentares das pessoas gordas. Mas ela parece a única interessada em desvendar os meandros dos pensamentos do filho.

Diferente de outros filmes sobre violência juvenil, Precisamos Falar sobre Kevin apresenta a história pela ótica materna. A adaptação cinematográfica do livro de Lionel Shriver é forte, tensa, impactante, uma obra inesquecível. Editado com vários flashbacks, os cortes de cabelo de Tilda Swinton se tornam a melhor dica para localizar rapidamente a história no tempo. Cabelos médios no presente e bem curtos no passado. Seu desempenho é admirável, como sempre. Se desejar ler mais sobre o filme, depois de assisti-lo, veja a crítica de Roger Ebert (em inglês) e/ou o comentário "O que Podemos Fazer pelo Kevin?" (em português) no blog A Sorrir.

Diretora: Lynne Ramsay
Roteiro: Lynne Ramsay & Rory Kinnear, baseado no livro da escritora Lionel Shriver
Musica: Jonny Greenwood
Fotografia: Seamus McGarvey (O Garoto de Liverpool, Desejo e Reparação, As Horas, Alta Fidelidade)
Elenco: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller, Jasper Newell, Rock Duer, Ashley Gerasimovich, Siobhan Fallon Hogan
Distribuidora: Paris Filmes

quinta-feira, 22 de março de 2012

A Pele que Habito

La Piel que Habito * *
(2011) 120 min (16 anos)

Espanha, Toledo - O bem-sucedido cirurgião plástico Robert Ledgard mora em El Cigarral. A elegante propriedade tem uma decoração clean nos ambientes internos - que incluem sala de cirurgia e laboratório - mesclada com paredes de tijolo aparente. O exterior da quinta do século XV é rústico, rodeado de belo jardim.

Desde que a esposa do dr. Robert queimou-se num acidente de automóvel, o cirurgião plástico pesquisava uma pele mais resistente que pudesse salvá-la. Quando surge a oportunidade, o inescrupuloso médico não hesita em testar sua descoberta num ser humano. Com a ajuda de Marília, mulher que o criou desde o nascimento, Robert mantem sua cobaia isolada do mundo.

Antonio Banderas dá medo como dr. Legrand. Ele pode ser muito sinistro. Mas o mérito pelo impacto de A Pele que Habito é mesmo de Pedro Almodovar. Unindo cenografia, música, edição e fotografia perfeitas, o diretor consegue fazer voar os 120 minutos do filme num clima de tensão constante, sem sustos ou gritos. Não é uma história que se queira rever muitas vezes, mas é inesquecível.


La Quinta de Mirabel
Curiosidades: 
* O homem que aparece na butique feminina, querendo vender as roupas de sua mulher, é Agustín Almodóvar, produtor do filme e irmão do diretor Pedro Almodóvar

* As filmagens de A Pele que Habito incluem locações no Pazo de Oca (festa na casa de Doña Casilda) e na casa-palácio La Quinta de Maribel, que funcionou como El Cigarral, a residência do dr. Robert Ledgard.

* A música brasileira está presente na trilha sonora com a canção Pelo Amor de Amar, interpretada pela cantora espanhola Concha Buika. Também é brasileiro o médico, além de outros personagens, uma inspiração do diretor por nossa tradição na cirurgia plástica. Um quadro de Tarsila do Amaral, Paisagem com Ponte, aparece na casa do dr. Robert. (Wikipedia)

* O dr. Ledgard batiza a nova pele de GAL, o mesmo nome de sua esposa. Gal é uma abreviação de Galatea. Na mitologia romana era uma estátua esculpida pelo talentoso Pigmaleão. A estátua ficou tão perfeita que o escultor apaixonou-se por ela e Vênus permitiu que ganhasse vida. (IMDB)

Diretor: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar e Agustín Almodóvar, baseado no livro Mygale, de Thierry Jonquet
Musica: Alberto Iglesias
Fotografia: José Luis Alcaine
Diretor de Arte: Carlos Bodelón
Desenho de Produção: Antxón Gómez
Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet, Roberto Álamo
Distribuidora: Paris Filmes

sábado, 17 de março de 2012

Vênus Negra

Vénus Noire
(2010) 165 min (16 anos)

Bede News
Século XIX - Saartjie Baartman deixou a Cidade do Cabo com o patrão Hendrick Caezar, para tentar a sorte na Europa. Sob o pretexto de oferecer à jovem uma carreira artística, o fazendeiro leva-a a expor seu corpo para a audiência dos shows de horrores na Inglaterra. Saartjie apresentava-se usando um colante cor da pele e alguns adereços de contas, ressaltando as nádegas avantajadas. Caezar incentivava as pessoas da platéia a tocarem a jovem para se certificarem de que era tudo real.

Livre e escravizada ao mesmo tempo, exibida para deleite de platéias pobres e ricas, além da curiosidade dos homens da ciência, a "Vénus Hottentote" tornou-se um ícone dos miseráveis, destinada a ser sacrificada na busca de um fio de esperança na prosperidade. (adaptação da capa do DVD)

A história das humilhações sofridas por Saartjie "Sarah" Baartman é muito triste. Assisti em capítulos, interrompendo o filme a cada uma das vezes em que uma cena constrangedora se tornava insuportável. Se a mulher africana afogava as mágoas no álcool, eu saía para espairecer. Levei 2 dias para ver o filme, mas preferi fugir das lágrimas, dos quais não escapou certo conhecido meu, mais corajoso.

Saartjie queria cantar, dançar, fazer música, mas os homens que a exploravam preferiam apresentá-la como selvagem, oferecendo seu corpo como mercadoria. Incapaz de escolher melhor destino, cansada e doente, a africana sofreu na alma a cegueira das pessoas em relação a seus verdadeiros talentos. A tragédia de Saartjie incluiu solidão, vocação desperdiçada, exploração, preconceito, manipulação, humilhação e machismo. O filme é forte porque as interpretações e recriação dos ambientes são muito convincentes. Há uma cena de mau gosto num salão francês, desnecessáriamente longa.

Nos créditos finais, mostram-se imagens de arquivo com o repatriamento dos restos mortais de Saartjie, em 9 de agosto de 2002. Foi saudada com cantos, danças, muita alegria e respeito na sua terra natal. O presidente da África do Sul discursou para Saartjie "Sarah" Baartman: "Não podemos desfazer o mal que ela sofreu. Mas podemos ter coragem de falar a verdade nua e crua, para que isso a conforte, onde quer que ela esteja..." Foi aí que não resisti e chorei.

Diretor: Abdellatif Kechiche
Roteiro: Abdellatif Kechiche e Ghalya Lacroix
Musica: Slaheddine Kechiche
Fotografia: Lubomir Bakchev
Elenco: Yahima Torres, Andre Jacobs, Olivier Gourmet, Elina Löwensohn, François Marthouret, Michel Gionti, Jonathan Pienaar, Jean-Christophe Bouvet, Jean-Jacques Moreau
Distribuidora: Imovision

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Cisne Negro

Black Swan * *
(2010) 108 min (16 anos)

EUA - Filha de uma bailarina que deixou a carreira ao ficar grávida, Nina vive para dançar.  Come pouco, dorme ao som do 'Lago dos Cisnes', cercada de bichinhos de pelúcia, mais adequados ao quarto de uma pre-adolescente. Ela quer ser perfeita, ensaia exaustivamente até ferir os pés.  Nina Sayers domina a técnica do balé, mas não se entrega à dança, não se deixa levar.  Há controle onde deveria haver paixão.  A jovem bailarina tem a beleza, postura e dramaticidade necessárias para viver a Rainha Cisne na próxima temporada da companhia de balé de Nova Iorque.  Sua fragilidade combina com o personagem do Cisne Branco, mas o diretor artístico tem dúvidas se ela será capaz de dar vida ao apaixonado Cisne Negro.

Emocionalmente instável, Nina sente-se ameaçada pela presença sedutora de Lily, uma bailarina recém-chegada da Costa Oeste.  A novata diverte-se no palco, desliza solta nos braços do parceiro, e é mencionada pelo diretor Thomas Leroy como exemplo de Cisne Negro.  A tensão empurra a insegura Nina ao limite, aonde começam a se misturar delírio e realidade.   A busca da perfeição pode  lhe custar o precário equilíbrio.

Muito antes de assistir 'Cisne Negro' impressionavam-me as opiniões desencontradas de amor e ódio.  A nota do imdb é ótima (8,4), mas alguns amigos diziam ter detestado.  Meu querido genro, com quem tenho bastante afinidade em outras áreas, resumiu a obra de Aronofsky como 'aquele filme chato da bailarina maluca'.  E minha curiosidade só crescia.  Percebendo ser um filme aflitivo, preferi assistir em casa, onde o controle remoto nos confere algum poder.  Agora me arrependo, pois estou no grupo dos fascinados pelo filme e adoraria ter visto as cenas do balé na tela grande.  Não dá para ter tudo. 

Natalie Portman emagreceu 10 quilos para adquirir a silhueta de bailarina.  Entregou-se completamente à personagem, está magnífica como Nina Sayers; impossível imaginar interpretação melhor.  Recebeu um Oscar e o BAFTA.  Justiça foi feita desta vez.

Críticas muito interessantes podem ser lidas nos blogs de Wanderley Teixeira, Bruno Knott, Matheus Pannebecker e Rafael Carvalho.


Diretor: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman e Andrés Heinz e John McLaughlin
Musica: Clint Mansell
Fotografia: Matthew Libatique
Elenco: Natalie Portman, Vincent Cassel, Mila Kunis, Barbara Hershey, Winona Ryder, Benjamin Millepied, Ksenia Solo, Kristina Anapau
Distribuidora: Europa Filmes

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Coisas Belas e Sujas

Dirty Pretty Things * *
(2002) 97 min (18 anos)

 Inglaterra - O nigeriano Okwe é um imigrante ilegal em Londres.  Sua vida é trabalho.  Dirige um taxi de dia e assume a recepção do Baltic Hotel à noite.  Para permanecer acordado, masca algumas folhas de khat, um estimulante. Mora de favor no sofá do apartamento de Senay Gelik, camareira turca do mesmo hotel.  

Chamado para resolver o entupimento no banheiro de um dos quartos, Okwe descobre um coração humano obstruindo a saída de água.Como denunciar o ocorrido se o africano sequer existe para a polícia britânica?  Chantageado para participar de uma operação ilegal, Okwe tenta o impossível para proteger Senay e escapar da deportação.

A Londres mostrada em 'Coisas Belas e Sujas' é invisível para os turistas e cidadãos comuns.  O diretor Stephen Frears sequer focaliza os pontos turísticos conhecidos.  A história poderia se passar num bairro pouco valorizado de qualquer cidade do mundo.  O foco está nos personagens principais, seus dramas e as situações humilhantes que precisam suportar para obter um passaporte, ainda que falso.  Se alguns encarnam a ambição e falta de escrúpulos, outros sobressaem pela compaixão e solidariedade.  O elenco é brilhante, assim como a direção de fotografia.  Um filme forte sobre coisas belas e horríveis.  Indicado para o Oscar de Melhor Roteiro Original, ganhou o Humanitas Prize em 2004, além de outros premiações.

 


Diretor: Stephen Frears
Roteiro: Steven Knight
Musica: Nathan Larson
Fotografia: Chris Menges
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Audrey Tautou, Sergi Lopez, Sophie Okonedo, Zlatco Buric, Benedict Wong, Jeffery Kissoon, Kenan Hudaverdi, Paul Bhattacharjee, Damon Younger, Sotigui Kouyaté
Distribuidora: Imagem Filmes

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Machete

Machete
(2010) 105 min (18 anos)

EUA - Contrariando seu chefe, o federal mexicano Machete resolve enfrentar o cruel narcotraficante Torrez.  Como consequência, a mulher e a filha do policial são assassinadas.  Três anos depois, o ex-federal procura trabalho no Texas, como vários outros imigrantes ilegais.   

Carregador num dia, jardineiro no outro, seu destino leva-o a ser contratado para assassinar o senador John McLaughlin.  Machete torna-se procurado por toda a força policial do estado.  Ele ainda não sabe que um interesse comum liga o congressista americano ao traficante Torrez.  Ambos desejam levantar uma cerca eletrificada na fronteira entre México e Estados Unidos.  Habituado a cuidar de si mesmo, o renegado precisará de reforços.  A ele se unem um padre nada convencional, uma rede de apoio aos ilegais, e uma agente da imigração americana.

Cabeças rolam, sangue esguicha; há que se estar preparada para tamanha carnificina.  Contudo, o filme de Robert Rodriguez começa com a força das histórias bem montadas, mas depois vai perdendo algo desse vigor.  'Machete' nasceu como um trailer dentro do filme 'Planeta Terror'.  Fez tanto sucesso que ganhou vida própria. Totalmente contra-indicado para pessoas sensíveis!

Assim como Tarantino deu novo fôlego à carreira de John Travolta, Robert Rodriguez dá uma chance ao mestre de artes marciais Steven Seagal.  Se Travolta é um ator versátil, Seagal especializou-se em filmes de ação e pancadaria.  Steven é 7º Dan de Aikido, faixa preta em Judô, Karatê, Kendo e Hapkido. Os dois atores estavam em trajetória descendente nos céus de Hollywood.  

De acordo com Wikipedia, Steven possui uma banda de blues e produz outras bandas do mesmo ritmo. Ministra seminários e palestras em defesa da paz mundial e do meio ambiente. Trabalhou como delegado em Jefferson Parish, no estado da Louisiana, além de ensinar oficiais da SWAT a usar armas de fogo e técnicas de combate corpo-a-corpo.  Impressionante; o difícil é imaginá-lo como um músico sensível.

Diretor: Robert Rodriguez, Ethan Maniquis
Roteiro: Robert Rodriguez & Álvaro Rodriguez
Musica: John Debney, Carl Thiel
Fotografia: Jimmy Lindsey
Elenco: Danny Trejo, Steven Seagal, Robert De Niro, Jeff Fahey, Jessica Alba, Michelle Rodriguez, Cheech Marin, Lindsay Lohan, Don Johnson, Tom Savini, Cheryl 'Chin' Cunningham
Distribuidor: Sony

sábado, 11 de setembro de 2010

O Preço da Traição

Chloe
(2009) 96 min (16 anos)



"- Como você consegue fazer isso?
- Eu tento encontrar em cada um algo que eu possa gostar. Sempre há."

Canada - Da janela de seu consultório, Catherine Stewart observa as idas e vindas de uma jovem prostituta de luxo. Quando a ginecologista desconfia que o marido David está tendo um caso, resolve contratar a sedutora Chloe para testar sua fidelidade. O casal leva uma vida confortável e mora numa casa moderna com Michael, o filho adolescente.

Mas as coisas não estão nada bem para a médica, pois ela perdeu o contato com o filho e o marido. David é professor de música e faz questão de estar acessível aos alunos, em aula ou através de telefone e internet. Michael conta os dias para ficar independente e sair de casa. Catherine sente-se envelhecer e tem ciúmes das jovens estudantes ou das solícitas atendentes nos restaurantes. Suas suspeitas complicam uma situação que já estava difícil.

"O Preço da Traição" me foi oferecido pelo telefone, nem posso dizer que escolhi, mas senti um alívio ao confirmar na capa os nomes de Liam Neeson e Julianne Moore. Também experimentei a curiosidade de ver como se sairia Amanda Seyfried, que achei excelente em "Mamma Mia". Ela sabe cantar e dançar, mas convencerá num papel tão diferente? Pois convence. Mostra-se sutil, vulnerável, envolvente, insinuante, intrigante, como Chloe. Acho que está entre as atrizes mais competentes da nova geração.

Há uma cena de sexualidade explícita que pode constranger almas mais sensíveis e menores de idade. Bastariam alguns indícios e o efeito seria o mesmo. Às vezes tenho saudades da época em que os protagonistas se sentavam ao leito, com o pé ainda tocando o chão, e a câmera desviava para a parede, enquanto a tela escurecia. Os adultos imaginavam o que acontecia e as crianças não precisavam sair da sala. Com a liberação geral da "modernidade", as cenas de sexo banalizaram-se e repetem-se à exaustão. É preciso o talento de Stanley Kubrick ou Ang Lee para criar uma cena erótica que seja bela, intensa, e não apenas uma ginástica repetitiva ou embaraçosa.

Uma observação quanto ao título "O Preço da Traição": no Brasil, é fácil confundir os nomes de vários filmes estrangeiros. O departamento de marketing das distribuidoras usa e abusa de algumas palavras nos títulos brasileiros: traição, desejo, medo, preço, vingança, sonho, paixão, liberdade. A repetição difículta guardar seus nomes em português. Para identificá-los, a gente acaba perguntando: "você viu o último filme da Julianne Moore, aquele em que ela faz a médica ciumenta?"

Diretor: Atom Egoyan
Roteiro: Erin Cressida Wilson, baseado no trabalho de Anne Fontaine (escritora e diretora de "Nathalie")
Música: Mychael Danna
Fotografia: Paul Sarossy
Elenco: Julianne Moore, Amanda Seyfried, Liam Neeson, Max Thieriot, Mishu Vellani, Meghan Heffern, Nina Dobrev
Distribuidora: PlayArte Home Video

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Paixão de Cristo

The Passion of the Christ * * *
(2004) 120min (14 anos)

O filme relata as últimas horas da vida de Jesus, desde a oração no Horto das Oliveiras, até Sua morte. A história é bem conhecida no mundo todo.

As reproduções de imagens da crucificação de Jesus, seja em quadros ou filmes anteriores à Paixão de Cristo de Mel Gibson, mostram um corpo limpo, que parece ter saído de uma conversa com amigos direto para a cruz. A ênfase dada por Mel Gibson na flagelação e no sofrimento é para nos acordar mesmo, para ser coerente com o relato dos Evangelhos. 

Aos poucos, bem devagar, vamos nos civilizando. Mas, há 2000 anos, o fla-flu dos romanos era ver cristão ser devorado pelas feras… Vlad Dracul gostava de empalar seus prisioneiros. Mesmo no século XXI, acontece de utilizamos da violência para eliminar os inimigos, através de guerras, atentados, pena de morte. Lutas de box ainda são a idéia de divertimento de milhares de espectadores.

Apesar das cenas fortíssimas, na flagelação e na cruz, o relato termina na alegria da Ressurreição. Isso faz diferença, é a esperança depois da dor.

Esperava que Mel Gibson usasse os lucros para filmar “A Vida de Jesus”. Acho que, depois da Paixão, todos os outros filmes religiosos envelheceram. Ouvir as pessoas se comunicarem em latim, hebreu e aramaico, a língua falada por Jesus e seus contemporâneos, acrescentou indiscutível realidade e força ao espetáculo. A tarefa de adquirir esta autenticidade linguística coube ao Reverendo William Fulco, padre jesuíta e professor de Estudos Mediterâneos Antigos na Universidade de Loyola Marymount, em Los Angeles. Fulco ensinou aramaico na Universidade de Yale, onde fez seu doutorado. O uso da diversidade lingüística reflete a variedade de línguas na Palestina ao tempo de Jesus. Um crítico lamentou a ausência do grego, geralmente falado ao tempo de Cristo. Teria sido ainda melhor!

Curiosidades:
* Jim Caviezel foi chicoteado acidentalmente 2 vezes, ficando com uma cicatriz nas costas. Um raio atingiu-o, durante o Sermão da Montanha e sofreu hipotermia na crucificação. A cruz, de 70 kgs, caiu sobre suas costas, desencaixando o braço do ombro.

* As filmagens aconteceram no Estúdio 5 da Cinecitá e na cidade de Mattera.

* Um ano antes de interpretar o Demônio, Rosalina Celentano fez um personagem com visual muito semelhante em “The Sin Eater” ou “The Order” (Devorador de Pecados). O diretor e roteirista foi Brian Helgeland, que trabalhou junto a Mel Gibson em “Teoria da Conspiração” e “Payback”. É razoável supor que daí tenha vindo a sugestão para o casting de Rosalina.

*A idéia de emprestar voz masculina a uma figura feminina teve grande impacto na representação do anjo caído, já que anjos não têm sexo.

* Maia Morgenstern, que interpreta a mãe de Jesus, é só 6 anos mais velha que Jim Caviezel. Ela estava grávida durante as filmagens.

* Jim Caviezel usou uma prótese no nariz e lentes marrons para ocultar seus olhos azuis, para que parecesse um israelita.

* É a mão de Mel Gibson que aparece pregando Jesus na cruz.

* Todos os dias, artistas e técnicos assistiram à missa latina do rito tridentino, rezada pelo padre canadense Stephen Somerville.

* Por conta de suas experiências durante a filmagem, alguns membros da equipe converteram-se ao Catolicismo. Entre eles um ateu, que representou Judas Iscariotes.

* De acordo com o cinegrafista Caleb Deschanel, a maior parte do filme foi gravada com uma velocidade um pouco acima dos 24 quadros por segundo. Isso causou uma sensação de relativa câmara lenta em muitas cenas, o que acrescentou impacto e drama aos acontecimentos e desempenhos.

* Na descida da cruz, a longa tomada do corpo de Jesus nos braços de Maria inspirou-se na famosa estátua de Michelangelo, "La Pietá".

* "A Paixão de Cristo" foi votado como o filme mais pro-católico de todos os tempos pelos leitores da revista Faith & Family e do jornal National Catholic Register. Recebeu mais votos do que os três seguintes da lista combinados: "Noviça Rebelde", "O Homem que Não Vendeu sua Alma" e "A Canção de Bernadette". 

Diretor: Mel Gibson
Roteiro: Benedict Fitzgerald e Mel Gibson
Música: John Debney
Fotografia: Caleb Deschanel
Elenco: James Caviezel, Maia Morgenstern, Mônica Bellucci
Língua: aramaico, latim, hebreu

segunda-feira, 8 de março de 2010

Guerra ao Terror

The Hurt Locker * *
(2008) 131 min (14 anos)



"A emoção da batalha costuma ser um vício forte e letal, pois a guerra é uma droga." (Chris Hedges)

Iraque - A guerra é uma droga nos dois sentidos; sempre provoca sofrimento e vicia alguns combatentes nas situações de perigo, liberadoras de adrenalina. Essa era a situação do Sargento William James, líder do esquadrão anti-bomba americano em Bagdá. Sua habilidade e atitude destemida surpreendem os colegas de equipe, Sanborn e Eldridge. James parece indiferente à morte, mas não aos afetos, que ele procura manter sob controle.

Filmes de guerra, sangue, explosões não costumam ser atraentes às mulheres. Por isso achei curioso quando uma de nós se dedicou ao gênero. Kathryn Bigelow também é a diretora de "Caçadores de Emoção" (Pointbreak) e "K-19". "Guerra ao Terror" é um filme muito bem feito, que ajuda a compreender o dia-a-dia quase insano dos combatentes americanos na luta contra a guerrilha urbana. Ralph Fiennes e Guy Pearce fazem breves aparições.

Curiosidade:
* Como a produção não teve acesso à base militar do Kuwait, toda a gravação foi feita em Amman, Jordania. Militares jordanianos se encarrregaram da segurança nos sets de filmagem e nos hotéis onde a equipe se instalou.

* Foi James Cameron ("Avatar" e "Titanic") quem convenceu a ex-mulher Kathryn Bigelow a dirigir "Guerra ao Terror". Ela planejava outro trabalho e não estava certa quanto a esse projeto. Depois de ler o roteiro, Cameron incentivou-a e Kathryn aceitou o desafio, tornando-o um dos mais bem-sucedidos filmes independentes de 2009. Foi vencedor do BAFTA e ganhador do Oscar em 6 categorias. Como disse Barbra Streisand: "O dia chegou!" Kathryn é a primeira mulher a vencer o prêmio de melhor direção. "Guerra ao Terror" já está nas locadoras.

Diretora: Kathryn Bigelow
Roteiro: Mark Boal
Música: Marco Beltrami, Buck Sanders
Fotografia: Barry Ackroyd
Elenco: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A Órfã

Orphan *
(2009) 122 min (18 anos)



EUA - Kate Coleman tem pesadelos desde que perdeu o bebê. Largou seu trabalho como professora de música em Yale e dedicou-se à casa e à família. Peter apoia sua idéia de adotar uma órfã a quem possam legar o amor que já sentiam pela filha não-nascida, Jessica. A escolha recai sobre uma educada menina de 9 anos, internada em uma instituição dirigida por freiras. Esther veio da Russia, prefere pintar a brincar com as outras crianças e sabe dizer tudo o que os adultos gostam de ouvir. Os Coleman imaginam que ela será uma boa companhia para o casal de filhos, Daniel e a caçula Max. Informada de que a pequena é surda-muda, Esther logo se interessa em aprender a linguagem de sinais. Tudo parece tão ideal e perfeito, mas sabemos que não será sempre assim, afinal, pela capa do filme, o olhar sinistro da órfã é evidente.

Jaume, diretor catalão radicado em Hollywood, manteve um clima de suspense contínuo, pontilhado de sustos, que nunca sabemos de onde vêm. As duas meninas se destacam no elenco: Aryana, que na realidade tambem é surda, e Isabelle, como a malévola Esther. Eu ainda estou com medo. Ainda bem que não durmo sozinha.

Curiosidades:
* No roteiro original Esther deveria ter a pele clara, feições delicadas e cabelo louro prateado. Isabelle Fuhrman não combina com a descrição, mas os produtores ficaram tão bem impressionados com seu teste que a escolheram mesmo assim. A pequena atriz nasceu em 25 de fevereiro de 1997. A gravação do filme começou no final de 2007, quando Isabelle estava com 10 anos.

* O filme foi todo gravado no Canada.

Diretor: Jaume Collet-Serra
Roteiro: David Johnson, baseado em história de Alex Mace
Música: John Ottman
Fotografia: Jeff Cutter
Elenco: Vera Farmiga, Peter Sarsgaard, Isabelle Fuhrman, CCh Pounder, Jimmy Bennett, Aryana Engineer, Rosemary Dunsmore

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A Garota da Fábrica de Caixas de Fósforos

Tulitikkutehtaan tyttö
Match Factory Girl
(1990) 72 min (10 anos)



Finlândia - Iris trabalha como supervisora de embalagens numa fábrica de caixas de fósforos. Em pé, ao lado de uma esteira, verifica se as etiquetas estão coladas corretamente nos pacotes. Terminado o serviço vai para a depressiva casa da mãe e do padrasto, onde prepara o jantar, além de outras tarefas. Tudo em silêncio, sem receber agradecimentos ou qualquer tipo de gentileza. Quando sai para se divertir, cabisbaixa, vê as outras jovens sendo tiradas para dançar, enquanto leva um "chá-de-cadeira". Seu rosto só relaxa quando repousa no ombro do primeiro homem que a conduz à pista 

Iris passa a noite no apartamento do desconhecido. Ele a confunde com uma prostituta e logo deixa claro que não deseja mais vê-la. Diante de uma vida tão despida de encantos, a jovem operária acolhe com alegria a notícia de que está grávida. Outras decepções aguardam a moça, pois os seres humanos não param de desapontá-la. Desta vez ela vai agir.

Os filmes escandinavos mostram um povo sóbrio no falar, econômico nos afetos. Mas "A Garota da Fábrica de Caixas de Fósforos" supera tudo o que foi feito antes ou depois, em termos de silêncio. E deixa uma impressão. Nesse deserto emocional a vida não parece valer a pena. Só veja o filme se adorar dramas pesados ou tiver uma boa comédia como antídoto. Já trouxe a minha; se gostar, depois eu conto. Adianto que é italiana, claro, cheia de sentimentos exagerados.


Diretor: Aki Kaurismäki
Roteiro: Aki Kaurismäki
Fotografia: Timo Salminen
Elenco: Kati Outinen, Elina Salo, Esko Nikkari, Vesa Vierikko, Silu Seppälä

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Expresso Transiberiano

Transsiberian * *
(2008) 106 min (16 anos)



"Mate todos os meus demônios, Roy, e meus anjos podem morrer também"

"Quando acendemos uma lâmpada para alguém, iluminamos também nosso próprio caminho."

Vladivostock, Beijing, Moscou - No extremo leste da Russia, foi cometido um assassinato envolvendo drogas e o detetive Grinko da Narcóticos assume as investigações. Na China, os americanos Jessie e Roy participaram de um trabalho voluntário com crianças. Todos estão felizes com o sucesso da iniciaticva de seu grupo da igreja. De partida, o casal prefere chegar a Moscou pelo Expresso Transiberiano, pois Roy é apaixonado por trens. No vagão, depois de beber algumas doses de vodka, eles confraternizam com os outros passageiros e aprendem que a polícia russa pode ser perigosa. O solo da Sibéria esconde os corpos de artistas, religiosos e cientistas que discordaram do regime. Poesia indesejada era motivo para aprisionamento nos gulags.

O conforto na locomotiva é mínimo, o serviço de bordo é rude e eles precisam dividir a cabine com outro casal. Mas Roy é alegre, extrovertido e confiante. Nada parece abalar seu humor. Jessie é mais reticente e desconfiada, e demora um pouco até entrosar-se com Carlos e Abby. Os incidentes geram um clima de medo e insegurança. Em quem confiar quando não se fala a língua local e se está entre desconhecidos?

O Expresso Transiberiano leva 8 dias para ir de Beijing a Moscou; é a mais longa viagem de trem do mundo. Em nenhum momento do percurso deste thriller o tédio cruzará o seu caminho. É suspense total. O roteiro, a direção e o elenco estão excelentes.

"Expresso Transiberiano" foi gravado em Vilnius, na Lituânia.

Brad Anderson é o mesmo diretor de Próxima Parada Wonderland (Next Stop Wonderland), uma comedia romântica cuja trilha sonora é toda bossa nova. Também vale a pena.

Diretor: Brad Anderson
Roteiro: Brad Anderson & Will Convoy
Música: Alfonso Vilallonga
Fotografia: Xavi Giménez
Elenco: Ben Kingsley, Woody Harrelson, Emily Mortimer, Kate Mara, Eduardo Noriega.

domingo, 17 de maio de 2009

Força Policial

Pride and Glory
(2008) 130 min (16 anos)



EUA, Nova Iorque - O jogo de futebol americano que abre o filme é uma amostra da violência que está por vir. O som dos confrontos estremece espíritos mais delicados. O destaque do time do Departamento de Polícia de Nova Iorque, Jimmy Eagan, recebe instruções para fazer o que for necessário para manter a liderança. Sua vitória e a comemoração da família não nos tranquilizam. A inquietação permanece enquanto os cunhados Franny e Ray são chamados para atender uma emergência. Quatro oficiais da divisão de Ray foram baleados numa batida na área de Washington Heights.

O caso exige prontos resultados e o chefe Francis Tierney pede ao filho Ray que deixe o trabalho burocrático e ajude a força-tarefa que investigará os crimes. Ele confia em sua perspicácia e caráter. Mas quando Ray suspeita de corrupção policial, o chefe recua, pois "protegemos os nossos".

O assunto e as circunstâncias são extremamente batidos, não há dúvida. Acredito que só se chegue aos créditos finais porque o clima se mantem sempre tenso, graças as atuações de Edward Norton e Colin Farrell. Bons artistas têm esse poder.

Diretor: Gavin O'Connor
Roteiro: Joe Carnahan & Gavin O'Connor
Música: Mark Isham
Fotografia: Declan Quinn
Elenco: Edward Norton, Colin Farrell, Jon Voight, Noah Emmerich, John Ortiz, Jennifer Ehle.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Onde os Fracos Não Têm Vez


No Country for Old Men * * *
(2007) 122 min (16 anos - assassinato, exposição de cadáver)

"O universo não é como você deseja. Isso é presunção."

EUA, Texas, década de 80 - O título em inglês traduz mais corretamente a idéia do filme. Afinal só há fortes nessa história ambientada numa terra hostil, onde a temperatura passa de 50ºC de dia para 10ºC à noite. A voz segura do xerife Ed Tom Bells faz uma avaliação da violência no condado de Terrel. Começa contando sobre a prisão do assassino de uma jovem de 14 anos. Embora o jornal falasse de crime passional, o criminoso lhe confidenciara que mataria novamente se fosse solto, pois sempre quisera experimentar a sensação de matar alguém. Sabia que iria para o inferno 15 minutos depois de sua morte. Definitivamente, algo mudou desde que as drogas se infiltraram no oeste do Texas. No final de sua carreira, Tom não se sente capaz de lidar com criminosos psicopatas, que ele não compreende. Aos 25 anos, quando se tornou xerife, como seu pai e avô, os policiais sequer precisavam de armas em serviço.

As primeiras imagens mostram a prisão de um homem moreno, alto, de camisa escura e cabelos lisos. Anton Chigurh é calmo, solitário, implacável e perigoso. Mais adiante saberemos o quanto.

Enquanto isso, Llewelyn Moss está caçando cervos, numa planície árida. Seguindo um animal ferido, ele se depara com uma cena e uma oportunidade que vão transformá-lo, na noite do mesmo dia, de caçador em caça. No trailer em que moram, a esposa Carla Jean espera.
xerife Ed Tom Bells

Os criminosos dos novos tempos eliminam as vítimas com a tranqüilidade com que abatemos o gado para abastecer nossa mesa . Não é por acaso que uma das armas utilizadas na história é à base de ar comprimido, tal qual como ainda se faz nos abatedouros para nocautear os animais.

Anton Chigurh

Há bastante violência neste filme. Nós é que não podemos ser fracos para suportar tantas mortes, sobretudo a primeira. O coração vai aguentar uns 40 minutos de tensão sem descanso. Sabe quando se fica na ponta da poltrona, respirando curtinho, em suspense total? Pois é. Mas, para o nosso bem, há momentos de humor entremeados. Isso torna o conjunto mais real e agradável. Tudo isso resulta de um bom roteiro, grande direção, belíssima fotografia e elenco magnífico. 'Onde os Fracos não têm Vez' ganhou o Oscar de melhor filme, direção, roteiro e ator (Javier Barden), em 2008. Roger Deakins ganhou o BAFTA por melhor fotografia. Merecidos.
Seja forte e alugue o filme, valerá cada centavo. E veja os extras.
Llewelyn Moss
Diretor: Joel e Ethan Coen
Roteiro: Joel & Ethan Coen, baseado no livro de Cormac McCarthy
Música: Carter Burwell
Fotografia: Roger Deakins
Elenco: Tommy Lee Jones, Javier Barden, Josh Brolin, Woody Harrelson, Kelly MacDonald, Tess Harper.

sábado, 19 de julho de 2008

Sem Vestigios


Untraceable *
(2008) 101 min (18 anos - assassinato, tortura, exposição de cadáver e crueldade)

EUA, Portland – ‘Sem Vestígios’ começa num ritmo lento, como a própria protagonista, em luto emocional pela morte do marido. Jennifer Marsh trabalha na divisão do FBI dedicada à investigação e condenação de criminosos que atuam pela internet. Quando assiste a transmissão da morte de um gatinho ao vivo, a agente percebe o perigo implícito e quer investigar.

Seu chefe desencoraja-a, mas muda de opinião quando a próxima vítima do site é um homem. O sofisticado assassino está conectado a servidor e provedor estrangeiros e associa o número de pessoas on line à velocidade da morte. Quanto mais gente assiste, mais rapidamente a vítima é eliminada. Aos poucos o filme ganha em intensidade e ritmo.

“SEM VESTÍGIOS” É O "SILÊNCIO DOS INOCENTES" NA ERA DA INTERNET – diz a capa do dvd. Uma comparação um tanto exagerada, mas o filme prende a atenção.

Diretor: Gregory Hoblit
Roteiro: Robert Fyvolent & Mark Brinker e Allison Burnett
Música: Christopher Young

Fotografia: Anastas Michos ASC
Elenco: Diane Lane, Billy Burke, Colin Hanks, Joseph Cross, Mary Beth Hurt.
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